Pop-ups da Shein no Brasil atraem 100 mil visitantes em três anos
As lojas temporárias da Shein no Brasil conseguiram atrair um público superior a 100 mil pessoas em um período de três anos, transformando o comércio eletrônico de moda em uma experiência física e altamente atrativa para o público, além de impulsionarem as vendas online.
Desde 2022, a Shein realizou 12 pop-up stores em oito cidades brasileiras, oferecendo um total de 150 mil produtos durante esses eventos temporários. A primeira fase do projeto foi concluída em 2025, com o objetivo principal de converter a experiência do e-commerce em momentos palpáveis e instigantes, criando impactos nas redes sociais e impulsionando as vendas no ambiente digital.
A última ação da série foi realizada em Belo Horizonte em dezembro, que registrou o maior fluxo de público da iniciativa no país, com mais de 15 mil visitantes em cinco dias. Nessa ação, mais de 80% dos produtos disponíveis foram vendidos.
Outras cidades também alcançaram resultados expressivos: Salvador alcançou vendas acima de 85% do estoque, Goiânia registrou a maior receita entre todos os locais do projeto, e em Porto Alegre os ingressos para acesso às lojas esgotaram em apenas dez minutos.
Por que apostar em lojas pop-up?
De acordo com a Shein, as pop-up stores, que funcionam em locais temporários como shoppings e centros comerciais, não têm o propósito de ser uma operação de varejo físico tradicional. Elas são tratadas como uma ferramenta de marketing para estreitar o contato com o consumidor.
Rodrigo Eimori, responsável pelo marketing da marca no Brasil, explica que a intenção não é gerar receita direta nessas lojas, mas sim aproximar o cliente da marca para que ele retorne ao ambiente digital para comprar.
Assim, cada peça vendida fisicamente é uma porta de entrada para o aplicativo, invertendo o modelo tradicional. Essa estratégia é uma prática comum no varejo global, onde marcas originalmente digitais utilizam eventos físicos temporários para reforçar sua presença, avaliar o interesse do público em novas regiões e alimentar o funil de vendas online.
No Brasil, a Shein aproveitou também as pop-ups para apresentar a linha própria Cajuni, com identidade e design brasileiros.
Além dos produtos, as lojas pop-up investiram em decorações personalizadas para cada cidade, com temas locais — como praia e sol em Salvador, cultura Farroupilha em Porto Alegre, e seleções específicas para o público de Minas Gerais e Goiás. Essa adaptação ajuda a diminuir a percepção da marca como uma grande empresa estrangeira do ultrafast fashion que envia mercadorias apenas pelo correio.
Produção local como diferencial
O sucesso das lojas eventuais está alinhado com um dos pilares da operação da Shein no Brasil: a produção local. Atualmente, 60% das vendas no marketplace da Shein são realizadas por vendedores brasileiros.
Desde 2023, a empresa tem investido em parcerias com fábricas de pequeno e médio porte pelo país para produzir parte de suas coleções localmente. Naquele ano, a Shein já contava com 330 fábricas colaboradoras distribuídas em 12 estados, produzindo cerca de quatro mil modelos de roupas feitas no Brasil, com um investimento inicial estimado em R$ 750 milhões.
O processo que envolve criação, teste e exposição dos produtos no site leva em torno de 30 a 40 dias, com reposição de estoque a cada duas semanas em média. A mesma velocidade para identificar tendências e produtos que vendem bem no digital é adotada nas lojas físicas temporárias: itens que têm boa aceitação no evento ganham destaque no aplicativo em seguida.
Contexto global e desafios locais
A presença física da Shein no Brasil ocorre enquanto a marca testa um espaço diferente em outros mercados mais maduros. Em 2025, a Shein anunciou a abertura da sua primeira loja permanente no mundo, situada em Paris, em parceria com o grupo Société des Grands Magasins, que administra unidades da tradicional rede Galeries Lafayette.
Contudo, a iniciativa provocou protestos na França, onde a Galeries Lafayette argumentou que a instalação da Shein violava cláusulas contratuais e prejudicaria a reputação da rede. Além disso, entidades do setor europeu consideraram preocupante o avanço do modelo ultrafast fashion, que se apoia em preços baixos, lançamentos muito frequentes e campanhas digitais agressivas.
Na Europa, o crescimento da Shein tem sido acompanhado por medidas regulatórias. Em 2025, a França aprovou uma legislação que restringe a publicidade, impõe taxas extras e exige maior rastreabilidade das empresas desse segmento de moda ultrarrápida.
A Shein e seu concorrente Temu também estão sob investigação por utilizar brechas que permitem a importação de pequenos pacotes sem pagamento de impostos, o que é visto por outros concorrentes como uma vantagem competitiva injusta.
Financeiramente, a marca registrou faturamento de 38 bilhões de dólares em 2024, segundo dados oficiais divulgados na época.
No Brasil, apesar do debate regulatório ser menos contundente do que na Europa, o modelo da Shein também é objeto de questionamentos, sobretudo por temas ligados às condições de trabalho e ao impacto ambiental, críticas comuns ao setor fast fashion. A estratégia de produção nacional parece ser uma resposta para amenizar essas críticas, ao valorizar e fortalecer a cadeia produtiva local.



