Copa do Mundo e geladeira bivolt: as estratégias da LG para competir com Samsung e Brastemp

A LG, empresa sul-coreana, entra em 2026 apostando em duas frentes principais para aumentar seu faturamento no Brasil em 30% nos próximos dois anos. Atualmente, o país está entre os três principais mercados da companhia globalmente, ao lado da Coreia do Sul e dos Estados Unidos.

A abordagem da multinacional envolve aproveitar o aumento da demanda por televisores em um ano de Copa do Mundo, aliado a uma transformação estrutural no segmento de linha branca — que reúne geladeiras, máquinas de lavar e outros eletrodomésticos — marcada pela inauguração de uma nova fábrica no Paraná ainda neste segundo semestre.

Aumento das vendas de TVs impulsionado pela Copa do Mundo

Para fabricantes como a LG, o período da Copa do Mundo representa um momento especial, pois os consumidores brasileiros costumam antecipar a troca de televisores, buscando aparelhos maiores. Contudo, hoje o público está mais criterioso, valorizando características que vão além do tamanho e preço, como qualidade de imagem em ambientes claros, maior taxa de atualização para esportes e jogos e melhor integração com plataformas de streaming.

Segundo Rodrigo Fiani, vice-presidente de vendas da LG no Brasil, o mercado está maduro, e as trocas de TVs refletem o tipo de uso esperado dos aparelhos, não apenas a necessidade tradicional. Mesmo com a Samsung dominando o mercado brasileiro tanto em volume quanto em força da marca, a LG está na sequência como principal concorrente, especialmente em segmentos de maior valor agregado. Marcas chinesas, como a TCL, também avançam com força nos níveis intermediários, aumentando a pressão sobre os preços.

Investimento bilionário na produção local de eletrodomésticos

Embora a Copa do Mundo provoque um impulso temporário nas vendas de TVs, a aposta mais robusta da LG está na linha branca, com um investimento de R$ 1,5 bilhão para abrir uma fábrica no Paraná, cuja abertura está programada para o segundo semestre. Esta planta visa a fabricação local de geladeiras e lavadoras, o que representa a primeira tentativa consistente da empresa para aumentar sua escala numa área onde sua participação no Brasil ainda é modesta.

Atualmente, o mercado brasileiro de linha branca é dominado por marcas como Brastemp e Consul (da americana Whirlpool) e Electrolux, com a LG detendo apenas 3% de participação no setor no país. A meta da empresa é alcançar 20% do market share nos próximos anos.

A fábrica, com 770 mil metros quadrados, terá capacidade inicial para produzir até 500 mil geladeiras ao ano e deve, a partir de 2027, ampliar a produção incluindo máquinas de lavar e lava e seca, expandindo o portfólio local da LG.

A estratégia inicial foca no lançamento de 25 modelos de refrigeradores no primeiro ano, abrangendo desde o segmento intermediário até o premium. A ideia é não se restringir a nichos de alto valor agregado, mas ampliar a oferta para ganhar escala no varejo, considerando que o Brasil vende quase 5 milhões de geladeiras por ano, movimentando mais de R$ 15 bilhões anualmente, com forte concentração em produtos de preço intermediário.

Destaque para geladeiras bivolt e impacto no varejo

Um diferencial importante nessa estratégia é o investimento em geladeiras bivolt — tecnologia ainda pouco comum no mercado brasileiro. Para os varejistas, ter um aparelho que funcione em qualquer voltagem facilita muito a gestão de estoque e reduz erro na venda, segundo Fiani.

Até o momento, a linha branca da LG no Brasil era praticamente composta por produtos importados, o que limitava o portfólio a modelos mais caros, pois o custo logístico inviabiliza enchimento de contêineres com itens de menor valor.

A produção local vai permitir diversificar os modelos ofertados, reduzir custos e tornar os preços mais competitivos. Atualmente, a geladeira mais acessível da LG custa cerca de R$ 3 mil, enquanto concorrentes oferecem produtos similares por aproximadamente R$ 2 mil. A expectativa é diminuir essa diferença com o funcionamento da nova fábrica.

Desempenho global e perspectiva para o Brasil

Globalmente, a principal fonte de receita e lucro da LG está na área de Haus Appliances Solution, que cuida da linha branca da empresa. No terceiro trimestre de 2025, essa divisão faturou US$ 4,9 bilhões e obteve um lucro operacional de US$ 270 milhões.

Por outro lado, o segmento de Media Entertainment, que reúne televisores e outros produtos de entretenimento doméstico, teve receita de US$ 3,4 bilhões no mesmo período, mas fechou com prejuízo operacional, devido à pressão por preços e forte concorrência.

Em consolidado, a LG registrou receita líquida de US$ 16 bilhões e lucro operacional de US$ 500 milhões no global. A empresa não divulga números separados referentes à operação brasileira.

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