Para residir nessa cidade, é necessário destinar metade do terreno à agricultura local
Já imaginou ter que reservar pelo menos 50% do terreno da sua casa para a produção agrícola? Embora essa ideia possa parecer estranha para muitos, cerca de cinco mil moradores adotaram esse estilo de vida no bairro de Oosterwold, localizado em Almere, na Holanda.
O projeto denominado “Almere Oosterwold”, iniciado em 2016, foi criado com o intuito de oferecer uma alternativa ao modelo de planejamento urbano convencional. Nesta comunidade, cada habitante precisa destinar pelo menos metade de seu lote ao cultivo de alimentos, assumindo responsabilidades que geralmente ficam a cargo de grandes construtoras ou do poder público.
Diretrizes e responsabilidades do projeto
Além da obrigatoriedade de utilizar metade da área para agricultura, o espaço dedicado à construção não pode ultrapassar 12,5% do terreno. Essas normas foram estabelecidas pelo escritório de arquitetura MVRDV, renomado por suas propostas arquitetônicas inovadoras.
O principal objetivo dessa iniciativa é alcançar autossuficiência alimentar, além de garantir o respeito entre vizinhos. As regras ainda abrangem a manutenção das áreas verdes públicas, a organização das ruas e a geração de energia, indo além do âmbito individual da propriedade.
Mesmo com a agricultura sendo uma exigência, os residentes se organizam para que o cultivo se encaixe nas suas rotinas, considerando o tempo disponível, os recursos financeiros e o conhecimento na área.
O dia a dia em Oosterwold
Almere está situada a aproximadamente 30 quilômetros de Amsterdã, capital da Holanda. Um dos primeiros moradores, Wemeet Daan Fröger, comentou ao African Journal of Landscape Architecture: “Para construir aqui, tive que planejar tudo sozinho: infraestrutura, vias, conexões de água e eletricidade”.
Daan escolheu Oosterwold pela sua proposta inovadora, mas ele não foi o único. Atualmente, estima-se que metade da população local tenha vindo de outras cidades após o início do projeto.
Apesar de o projeto já estar em andamento há cerca de dez anos, especialistas afirmam que ainda é cedo para avaliar seus impactos completos, que só deverão ser sentidos plenamente dentro de trinta anos.




