Após ata, expectativa de corte de 0,5 ponto na Selic em março se intensifica

Após a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), cresceu a probabilidade no mercado de uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa Selic já na reunião de março, superando a expectativa predominante até o fim de janeiro, que era de um corte mais tímido, de 0,25 ponto percentual.

Conforme dados dos contratos de Opções de Copom negociados na B3, que refletem as perspectivas dos investidores para a próxima decisão do Banco Central, 64% dos contratos indicam uma queda de meio ponto percentual, enquanto somente 24% apostam numa diminuição menor, de 0,25 ponto percentual.

Essa nova percepção ganhou força logo após o Banco Central anunciar a manutenção da Selic em 15%, seu maior patamar em duas décadas, e se consolidou com a publicação da ata, que foi interpretada como mais direta e firme ao apontar o início iminente do ciclo de redução da taxa básica de juros.

O mercado interpreta que o Banco Central pode iniciar a série de cortes com uma medida mais robusta para estimular a economia, diferentemente da postura mais cautelosa inicialmente esperada, que previa a redução em apenas um quarto de ponto percentual.

Segundo o economista-chefe do banco Daycoval, Rafael Cardoso, a resposta dos investidores está diretamente ligada à clareza do comunicado do Copom. Ele relata que o Banco Central utilizou uma forma de comunicação conhecida como “forward guidance”, sugerindo um tom mais flexível, o que justifica a maior probabilidade de um corte mais acentuado.

Apesar disso, a ata ressalta que ainda são necessárias mais informações para confirmar a desaceleração do crescimento econômico, que ainda é sustentado por um mercado de trabalho aquecido. Cardoso aponta ainda que fatores como inflação corrente menor do que o esperado e o câmbio mais valorizado reforçam as chances de um corte de 0,50 ponto percentual, embora seu cenário principal ainda seja uma redução de 0,25 ponto percentual.

Na mesma linha, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, afirma haver espaço para uma flexibilização maior da política monetária. Ele observa que o mercado entende que o Banco Central adotou recentemente uma postura mais rigorosa do que o necessário, e que, dado o atraso no início dos cortes, a decisão por um ajuste maior se mostra compatível com o comportamento recente do Copom.

No entanto, mesmo com a mudança nas expectativas do mercado, a maioria dos economistas consultados ainda trabalha com a hipótese de um corte de apenas 0,25 ponto percentual na reunião de março. Essa visão considera a orientação do Banco Central de conduzir o ciclo de diminuição dos juros de maneira gradual e serena, buscando assegurar que a inflação se mantenha próxima da meta estabelecida.

O Banco Central reforçou que o ritmo de redução da taxa Selic em 2026 não deverá ser acelerado de forma significativa. As projeções do Boletim Focus indicam que a Selic deverá encerrar o ano na faixa de 12% ao ano.

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