Cobre a US$ 13 mil pressiona custos da construção e pode elevar INCC, diz FGV

O aumento do preço do cobre no mercado internacional começa a refletir nos custos da construção civil no Brasil. Atualmente negociado próximo a US$ 13 mil por tonelada na London Metal Exchange (LME), o metal valorizou acima de 40% em comparação a cerca de US$ 9 mil registrados há 12 meses.

De acordo com os economistas André Braz e Matheus Dias, do FGV IBRE, esse crescimento já impacta o Índice Nacional de Custos da Construção (INCC). Eles explicam que para cada 10% de alta no preço internacional do cobre, o custo dos condutores elétricos dentro do INCC sobe cerca de 5,6% em um período prolongado.

No curto prazo, esse impacto inicial no INCC é estimado em 0,7%, correspondendo a aproximadamente 12% do efeito total previsto, que ocorre de forma gradual.

O estudo destaca que a cotação do cobre nesse patamar elevado é resultado de fatores diferentes dos metais preciosos como ouro e prata, que têm subido devido a incertezas geopolíticas e políticas monetárias mais flexíveis nos países desenvolvidos. Já o cobre enfrenta limitações estruturais de oferta, principalmente no Chile, maior produtor mundial, além de demanda crescente por infraestrutura, transição tecnológica e inteligência artificial.

Na composição do INCC, o cobre aparece sobretudo na fabricação de condutores elétricos e outros materiais relacionados à parte elétrica. Braz e Dias observam que esses itens estão incluídos no grupo de materiais elétricos, sendo os condutores os mais expressivos. Dessa forma, variações na cotação internacional tendem a se refletir nesse segmento.

A pesquisa analisou dados mensais entre 2005 e 2025 relacionando o preço do cobre na LME, a taxa de câmbio e o nível da atividade industrial com o comportamento dos condutores elétricos no INCC. Eles apontam que outros indicadores, como variáveis diretas da economia chinesa ou da política monetária interna, não aumentaram significativamente a explicação do modelo quando já eram consideradas a cotação do cobre e a moeda.

Segundo o estudo, a principal via de transmissão para os custos é a combinação entre o preço do cobre em dólares e a taxa de câmbio.

Repasse gradual e influência do câmbio

Os economistas ressaltam que o repasse ao INCC é parcial e pode levar mais de um ano para se concretizar integralmente. Isso ocorre devido a contratos de médio e longo prazo entre construtoras e fornecedores, reajustes em prazos espaçados e a possibilidade de que fabricantes absorvam temporariamente os custos.

O câmbio tem papel fundamental nesse processo. Para cada desvalorização de 10% do real, o custo dos condutores elétricos no INCC pode aumentar cerca de 9,4% no longo prazo. No começo, o impacto é estimado em 1,1%, e depois se amplia com o tempo.

Essa intensa influência cambial se dá pela dependência externa da indústria. Como o cobre é cotado em dólar, uma parte significativa do consumo nacional é suprida por importações, e vários insumos usados no isolamento dos cabos também são comprados no exterior. Além disso, contratos na cadeia produtiva costumam incluir cláusulas de reajuste cambial.

Outro fator moderado que afeta os preços é a atividade econômica. Um aumento de 1 ponto percentual na utilização da capacidade instalada da indústria de transformação eleva os preços dos condutores em cerca de 1,8% ao longo do ciclo. Caso o nível de utilização subisse de 78% para 85%, o impacto acumulado poderia atingir 12,6% após um período superior a um ano e meio.

Peso do cobre nos custos e monitoramento Setorial

O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) também acompanha essa tendência. Segundo seu vice-presidente de Economia, Eduardo Zaidan, atualmente o cobre representa entre 2% e 3% do custo total de uma obra, percentual inferior ao do aço, que pode chegar a cerca de 10%.

Embora seu peso direto seja menor, Zaidan destaca que a relevância do cobre vem do fato de estar presente em diversos processos e sistemas das construções, incluindo instalações elétricas, motores, elevadores, bombas, tubos e conexões hidráulicas, além de ligas metálicas usadas em vários materiais.

Ele reforça que, como o cobre é cotado em dólar na LME, é essencial avaliar não só a evolução do preço internacional, mas também as oscilações no câmbio. O SindusCon-SP monitora de perto essas variações para entender possíveis impactos nos custos da construção e nos índices do setor.

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