De São Francisco ao Brasil: A adoção da Inteligência Artificial nas empresas é a tendência atual

Recentemente, tive a oportunidade de percorrer a Costa Oeste dos Estados Unidos, visitando empresas como a NVIDIA no Vale do Silício e a Microsoft em Seattle. Participei também de importantes eventos sobre inteligência artificial (NVIDIA GTC) e cibersegurança (RSA), além de encontrar investidores e companhias de diversas partes do mundo, de Hong Kong a Nova York.

O tema dominante em todas as conversas foi unicamente inteligência artificial. Curiosamente, nenhum debate abordou o conflito no Oriente Médio, nem mesmo na conferência de cibersegurança, onde se esperava alguma discussão a respeito do recente ataque cibernético à Stryker, uma das maiores fabricantes americanas de equipamentos médicos, associada a um grupo ligado ao Irã.

Até então, a inteligência artificial vinha sendo mais presente no universo B2C, com consumidores utilizando intensamente e até pagando do próprio bolso por ferramentas como ChatGPT e Claude. Isso começou a mudar no segundo semestre do ano passado com o lançamento do Claude Code, que permitiu que desenvolvedores usassem essas ferramentas sob pagamento corporativo, mesmo em ambientes externos.

Para aproveitar essa onda de interesse e adoção da IA, várias companhias que se beneficiam dessa tecnologia estão tornando suas estratégias de marketing cada vez mais agressivas. Na conferência GTC, por exemplo, a NVIDIA destacou seu OpenClaw, uma ferramenta revolucionária que possibilita aos usuários comuns automatizar tarefas, como responder e-mails sem a necessidade de revisão ou gerenciar pastas e agendas automaticamente. Já a Anthropic anunciou seu novo modelo focado em cibersegurança, afirmando que poucos setores irão resistir à sua influência nesse mercado.

Esse cenário tem causado um dilema dentro das empresas. De um lado, os CEOs têm pressionado a incorporação da IA nos negócios com mais intensidade nas últimas semanas. Por outro, os CTOs, responsáveis pela tecnologia, demonstram preocupações constantes relativas à governança e segurança dos dados, temas que também estiveram no centro das discussões da conferência RSA. A conclusão até agora é que os presidentes preferem correr o risco de um incidente cibernético grave a ficarem atrás da concorrência no uso da inteligência artificial.

Quanto aos investidores, muitos ainda estão incertos quanto a esse novo ciclo da IA e adotam duas abordagens principais. Os investidores generalistas têm saído do setor de tecnologia para aplicar em segmentos tradicionais como commodities e serviços públicos, seja por falta de conhecimento técnico específico ou devido à ausência de recursos para acompanhamento dedicado. Já os especialistas fundamentam suas decisões em dados recentes, investindo majoritariamente em empresas que obtêm ganhos imediatos na atual fase, por exemplo, as ligadas a memória e fibra óptica, sem muita diferenciação entre indústrias mais ou menos especializadas. Essa combinação de estratégias levou a uma queda significativa nas ações de empresas de qualidade, apontando para oportunidades atraentes para investidores com visão de longo prazo.

Thiago Kapulskis é gestor de estratégia de investimentos globais em tecnologia e sócio do Global Tech Fund da São Pedro Capital.

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