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Governo pode vetar ou levar ao STF renegociação de dívidas rurais, diz ministro

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quarta-feira que o governo federal considera a possibilidade de vetar ou recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a Câmara dos Deputados confirme o projeto aprovado pelo Senado que institui uma linha especial de crédito rural para a renegociação de dívidas de produtores rurais.

Durigan ressaltou que a proposta tem um impacto estimado em R$ 140 bilhões ao longo de 10 anos, caso ocorra a renegociação integral das dívidas, valor inferior aos R$ 817 bilhões previstos na versão anterior do texto, que passou por modificações.

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“As contas não suportam essa despesa. Partes do projeto precisam ser revisadas na Câmara ou, possivelmente, pelo veto presidencial e, se necessário, questionaremos eventuais ações do Congresso que descumpram a Lei de Responsabilidade Fiscal no Supremo Tribunal Federal. Tudo isso será avaliado com rigor, serenidade, ampla comunicação e diálogo com o Congresso, como sempre tenho feito desde o início”, afirmou o ministro.

Por outro lado, o relator do projeto no Senado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que o custo financeiro será menor, na casa dos R$ 120 bilhões nos próximos dez anos, já que o texto limita a renegociação a dívidas atrasadas e não considera todo o estoque de dívidas rurais.

Detalhes do funcionamento do projeto

O Senado aprovou que o subsídio para essa linha de crédito será financiado pelo Fundo Social, constituído por receitas geradas pela exploração do pré-sal. As taxas de juros previstas no projeto variam entre 3,5% e 7,5% ao ano, de acordo com o porte do produtor rural, percentual que fica abaixo do índice de até 12% ao ano anteriormente defendido pelo governo.

Os financiamentos serão operacionalizados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e poderão alcançar até R$ 50 milhões para associações e cooperativas. O prazo para quitação será de 10 anos, com carência de 3 anos para o início do pagamento.

Essa linha permitirá o refinanciamento de operações destinadas a custeio, investimento, comercialização e industrialização, além de dívidas relacionadas a Cédulas de Produto Rural (CPR), cerealistas, cooperativas e fornecedores de insumos.

Além dos recursos do Fundo Social, o projeto prevê o uso de fundos regionais, como o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), do Nordeste (FNE) e do Centro-Oeste (FCO), e do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé).

O projeto faz parte de uma série de propostas aprovadas pelo Senado nesta quarta-feira consideradas “pautas-bomba”, que também incluem medidas para estabelecer piso salarial para médicos e aposentadoria especial para agentes de saúde, ambas com efeitos financeiros para a União, estados e municípios.

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