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Mercado cripto enfrenta pior semana do Bitcoin desde colapso da FTX, reacendendo preocupações

A recente queda do Bitcoin para níveis inferiores a US$ 60.000 marcou sua pior performance semanal desde o colapso da bolsa FTX, ocorrida em 2022. Esse movimento ressaltou advertências entre analistas, que indicam que o período de correção no mercado de criptomoedas ainda pode não estar próximo do fim.

Apesar de os fatores atuais parecerem menos severos se comparados ao passado, eles estão sinalizando fragilidades que podem limitar a sustentação da modesta recuperação do ativo. Investidores demonstram aversão crescente ao Bitcoin, evidenciada pela fuga de fundos negociados em bolsa (ETFs) e pela deterioração dos indicadores técnicos, enquanto mudanças nas expectativas sobre taxas de juros contribuem para a instabilidade.

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O Bitcoin registrou uma desvalorização de 16% nos últimos sete dias até domingo, configurando sua maior queda semanal desde o efeito cascata iniciado com a falência da FTX em novembro de 2022, quando o ativo sofreu uma queda de 23%. Este período seguiu um ano turbulento para o mercado cripto, intensificado pelo colapso da stablecoin TerraUSD que eliminou US$ 40 bilhões e desencadeou uma série de falências corporativas.

O preço do Bitcoin caiu para o patamar mais baixo desde outubro de 2024, ficando mais de 50% abaixo de sua máxima histórica no ano passado, que ultrapassou US$ 126.000. Na manhã de quarta-feira em Cingapura, o token valia aproximadamente US$ 61.500, apresentando uma queda de 1% em relação ao fechamento anterior.

Parte da recente pressão vendedora foi atribuída à Strategy Inc., empresa de compra de Bitcoin liderada por Michael Saylor, que liquidou uma pequena fração de suas posições, quebrando a narrativa de que nunca venderia seus ativos. Apesar disso, a Strategy também anunciou a compra de 1.550 Bitcoins por cerca de US$ 101 milhões, valor muito superior aos US$ 2,5 milhões vendidos, porém o mercado permanece desconfiado.

Os indicadores técnicos evidenciam fragilidade, com o Bitcoin caindo abaixo da média móvel de 200 semanas, um indicador crucial utilizado por diversos traders como referência de suporte. Esse rompimento geralmente sinaliza cautela, pois pode indicar que eventuais altas serão oportunidades para venda, e não para compra.

Segundo Griffin Ardern, cofundador do Primal Fund, as opções de prazo mais extenso geralmente demonstram sinais otimistas em verdadeiros pontos de baixa, o que ainda não está sendo observado na atual circunstância, corroborando a visão de que a tendência de queda pode se prolongar.

A retirada de aproximadamente US$ 5,5 bilhões em 13 dias consecutivos dos ETFs de Bitcoin à vista listados nos EUA revela o temor crescente dos investidores, evidenciando uma saída contínua de capital do mercado cripto.

Paul Howard, diretor sênior da corretora Wincent, qualificou a presente fase como um “mercado em baixa silencioso”, destacando que não houve um colapso abrupto como o observado na crise da FTX, porém a queda abaixo da média móvel de 200 semanas confirma a entrada em um cenário mais pessimista. Ele ressaltou, ainda, que a volatilidade atual do Bitcoin implica que uma recuperação sólida e duradoura é improvável.

Impacto das expectativas sobre taxas de juros

As revisões nas projeções de taxas de juros têm influenciado negativamente o cenário, uma vez que perspectivas de aumento nos custos de empréstimos afastam investimentos de ativos especulativos como as criptomoedas.

Tensões geopolíticas persistentes, como o conflito não resolvido entre EUA e Irã, aliadas a dados robustos do mercado de trabalho norte-americano, reduziram expectativas quanto a cortes nas taxas pelo Federal Reserve, abrindo espaço para possíveis elevações nos juros.

Rajiv Sawhney, gestor da Wave Digital Assets, comentou que houve uma importante reversão nas expectativas que afeta de modo direto o apetite por riscos no mercado cripto. Além disso, a correlação positiva que o Bitcoin mantinha com as ações americanas se rompeu, já que capitais passaram a migrar para setores como inteligência artificial e tecnologia. Sawhney, porém, não acredita em um retorno expressivo ao Bitcoin caso as ações apresentem recuperação.

A atual fase de correção tem sido menos severa em comparação com invernos anteriores das criptomoedas. O Bitcoin caiu cerca de 50% desde seu topo, ao passo que quedas passadas chegaram a aproximadamente 80%. No ciclo de 2021, por exemplo, o ativo levou mais de um ano até atingir seu fundo, demandando ainda cerca de 15 meses para recuperar registros máximos.

Esse histórico explica a cautela manifestada por alguns traders para declarar um preço mínimo nesta fase.

Riscos e vulnerabilidades para o setor cripto

Hayden Hughes, sócio-gerente da Tokenize Capital, ressaltou que a existência de grandes empresas de tesouraria de ativos digitais, como a Strategy, representa um risco específico para o mercado. Essas organizações detêm volumosas quantidades de criptomoedas e podem ser pressionadas a vender seus ativos se as condições de financiamento se apertarem ou se os preços desses ativos nas bolsas sofrerem grandes quedas.

Adicionalmente, Hughes aponta a possibilidade de riscos sistêmicos que poderiam impactar negativamente os mercados acionários nos próximos meses, com efeitos colaterais para as criptomoedas.

Embora a recente baixa no Bitcoin não tenha atingido proporções semelhantes às de crises anteriores, o especialista enfatiza que o advérbio “ainda” deve ser considerado, sugerindo que o pior cenário pode não estar totalmente descartado.

Fonte

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