A alta demanda pela proteína em pó causa escassez de whey protein
O mercado alimentar tem incorporado whey protein em diversos produtos, desde snacks até pães e chocolates, resultando em uma escassez do ingrediente. Utilizado historicamente para complementar bebidas esportivas e fórmulas infantis, esse concentrado de proteína de soro do leite tornou-se a vedete para atrair consumidores interessados em dietas ricas em proteínas, especialmente aqueles que utilizam medicamentos baseados em GLP-1 para perda de peso.
Nos Estados Unidos, o custo do whey protein concentrado 80, que contém 80% da proteína, atingiu um recorde de mais de US$ 13 por libra, triplicando o valor comparado a um ano atrás, segundo a consultoria Vesper. Já o whey protein isolado, mais refinado e com maior teor de proteína, também teve um aumento aproximado de 50% em preço.
Daren Bradshaw, responsável operacional da Legendary Foods na Califórnia, afirmou que jamais testemunhou uma elevação tão intensa e sem perspectiva de queda, o que tem levado a empresa a planejar um segundo reajuste em apenas dois anos para os produtos assados com alto teor protéico.
Apesar dos custos elevados, empresas do ramo alimentício enfrentam ainda dificuldades na aquisição do whey, já que fornecedores estão com estoques esgotados, contratos vigentes e prioridades para clientes antigos até o próximo ano, conforme detalha Mike Brown da T.C. Jacoby & Company, uma trading de laticínios em Missouri.
O whey é um subproduto do processo de fabricação do queijo, resultante do líquido remanescente após o coalho do leite. Este resíduo, que era anteriormente descartado ou utilizado como ração animal, hoje é integralmente aproveitado. Marina Crocker, diretora da Hilmar na Califórnia, assegura que não há desperdício algum deste componente no país.
O aumento significativo do consumo de medicamentos GLP-1 e o crescimento da busca por alimentação saudável catapultaram o whey protein a um produto estratégico para as indústrias alimentícias. Tommy Riggs, cofundador da Rogue Protein Snacks, corroborou dizendo que a proteína tornou-se praticamente um requisito nas marcas do setor, representando atualmente mais da metade dos custos de seus ingredientes.
Transformar o soro líquido em concentrados e isolados de alto valor proteico envolve equipamentos sofisticados, como sistemas de ultrafiltração e secagem, representando um gargalo na oferta, segundo Leonard Polzin, economista de laticínios da Universidade de Wisconsin-Madison.
Em resposta à demanda crescente, produtores de queijo têm investido na expansão da capacidade desses processos. A FrieslandCampina, cooperativa e multinacional holandesa, adquiriu recentemente a Wisconsin Whey Protein, e outros players do setor executam investimentos expressivos para ampliar a infraestrutura.
Até 2028, processadores de laticínios dos Estados Unidos investirão cerca de US$ 11 bilhões em novos recursos, melhorias tecnológicas e logística para suprir a procura por proteínas do leite, conforme apontado pela International Dairy Foods Association.
No entanto, Guus Aerts, diretor da FrieslandCampina, sinaliza que a demanda tem ultrapassado a capacidade de ampliação, e que a carência de produto persistirá nos próximos anos.
Essa expansão da fabricação exige também maior produção de queijo, ainda que os consumidores busquem mais proteínas e não necessariamente mais queijo. Assim, alguns produtores optam por fabricar mais queijo visando escalonar a geração de whey como subproduto, mesmo que isso resulte na oferta de queijo em um mercado com menor demanda.
Enquanto a oferta não é regularizada, empresas buscam alternativas para enriquecer seus produtos com proteína sem sacrificar as margens. Luke Tatti, cientista sênior da Mattson, indica que muitas indústrias procuram substituir o whey por outras fontes proteicas mais baratas e disponíveis, como o isolado de proteína do leite, embora os preços destes ingredientes também estejam aumentando recentemente.
O contexto evidencia que a febre pela proteína em produtos variados trouxe um desafio adicional para o mercado, que tenta se reorganizar diante desse crescimento acelerado e falta de suprimentos imediata.



