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Henrique Meirelles alerta para risco de perda de credibilidade do BC após mudança na meta de inflação para 2027

O Banco Central (BC) suavizou recentemente o horizonte considerado para a convergência da inflação, gerando dúvidas sobre os rumos da política monetária devido a uma comunicação que foi vista como pouco clara pelo mercado. Henrique Meirelles, ex-presidente da instituição, comentou que essa mudança não é mera questão semântica, mas pode impactar diretamente na credibilidade da autoridade.

Durante entrevista ao Money Times, Meirelles apontou que o comunicado e a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) passaram uma mensagem confusa, especialmente no que tange ao prazo para alcançar a meta inflacionária. Muitos no mercado interpretaram que o BC estaria focando em convergir à meta somente em 2028, o que sugere que a meta prevista para 2027 teria deixado de ser prioridade antes do esperado.

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Ele explicou que tal confusão altera as expectativas do mercado e ressaltou que, em sua experiência anterior no banco, a clareza na comunicação foi sempre fundamental para a efetividade da política de juros, já que influencia diretamente como a inflação é antecipada.

Meirelles também destacou que a ambiguidade quanto ao prazo para convergência leva o mercado a ajustar suas projeções, o que torna mais difícil o controle da inflação por parte do BC. Ele frisou que a maior preocupação é quando essa situação é interpretada como a disposição do banco em tolerar níveis de inflação mais altos por um período maior.

Embora reconheça que pressões inflacionárias recentes se originem de choques externos ligados a energia e petróleo, que acabam impactando o transporte e os preços ao consumidor, Meirelles advertiu que esses choques persistentes não podem justificar a manutenção prolongada da inflação acima da meta.

Perda de credibilidade é o maior risco para a política monetária

O ex-presidente do BC ressaltou que o maior problema decorrente dessa falta de clareza é estrutural, relacionado à perda de credibilidade da política monetária. Segundo ele, quando as expectativas de inflação se desancoram, fica muito mais caro retornar aos níveis desejados.

Ele explicou que a dúvida do mercado quanto ao comprometimento do BC afeta diretamente as expectativas futuras, impactando negativamente o controle da inflação.

Comentando debates internacionais sobre reduzir a comunicação clara entre bancos centrais e o mercado, como sugerido recentemente pelo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, Meirelles foi enfático em defender o contrário: a transparência e a previsibilidade são pilares essenciais da política monetária contemporânea.

“É fundamental que o comunicado e a ata expliquem de forma clara os motivos das decisões e as expectativas para o futuro”, declarou.

Incógnitas sobre próximos passos da taxa Selic

Quanto ao percurso da taxa Selic, Meirelles avalia que o mercado ainda está incerto sobre o ritmo de possíveis reduções, especialmente diante da inflação que permanece acima do alvo e da maior vulnerabilidade a choques externos e questões fiscais.

Essa indefinição na sinalização, segundo ele, reforça a cautela dos agentes econômicos, já que não está clara qual será a próxima medida tomada pelo BC, afetando assim as expectativas.

Meta de inflação permanece inalterada

Meirelles descarta a ideia de rever para cima a meta de inflação como resposta ao atual cenário global inflacionário. Atualmente, o objetivo do BC é 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Na visão dele, elevar a meta não resolve o problema, podendo até agravá-lo ao desancorar as expectativas, pois, se o piso da meta é elevado, o mercado acaba se ajustando e a inflação tende a subir.

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