Olhar atento para o dólar: o fator que vai influenciar os mercados em 2026
Ao relembrar as expectativas feitas no final de 2024 e comparar com os resultados que se concretizaram em 2025, fica claro o quão desafiador é tentar prever o futuro.
Apesar das apreensões que marcaram o final de 2024, o ano de 2025 se destacou pelo desempenho excepcional dos mercados, especialmente na bolsa brasileira, que registrou uma alta de 31% até meados de dezembro. Além disso, os investimentos em renda fixa pré-fixada também apresentaram retornos expressivos.
Qual foi o fator que transformou o pessimismo em otimismo?
Para mim, a principal mudança aconteceu devido à direção do dólar no mercado internacional, associada às alterações nas políticas fiscais e monetárias na Europa e no Japão. Em 2025, o dólar sofreu uma queda significativa frente a uma cesta de moedas globais pela primeira vez desde 2017, o que impulsionou um desempenho superior dos mercados fora dos EUA, que superaram o índice S&P 500.
Mesmo diante do entusiasmo em torno dos impactos da inteligência artificial nos Estados Unidos, os mercados da Europa, Japão e países emergentes apresentaram uma valorização quase duas vezes maior que o S&P até meados de dezembro.
Na América Latina, a queda do dólar teve efeitos ainda mais marcantes. As moedas locais estavam bastante depreciadas e, consequentemente, tiveram uma recuperação mais vigorosa do que as moedas asiáticas. Até meados de dezembro, por exemplo, o peso colombiano valorizou 14%, o peso chileno 9%, o peso mexicano 16% e o real brasileiro 11%, mesmo com os efeitos da guerra comercial.
Com a confirmação da tendência de um dólar mais fraco ao longo do ano, ajustamos nossas carteiras internacionais ampliando o investimento em mercados emergentes, pois nossos estudos indicam que um dólar em retração beneficia esse grupo de forma mais relevante do que os mercados desenvolvidos, excluindo os EUA.
O que esperar para o Brasil em 2026?
Ao considerar o cenário brasileiro para o próximo ano, é essencial manter o dólar no centro das atenções. Caso essa tendência de dólar mais fraco continue, o real ainda terá espaço para se valorizar, já que atualmente está abaixo da sua média histórica em relação ao dólar.
Essa valorização das moedas locais costuma estimular um ciclo positivo nos países emergentes, com menor pressão inflacionária, possibilidades para redução dos juros e desempenho mais robusto das economias.
No Brasil, um cenário externo favorável reforçaria as expectativas de queda da taxa Selic, que já está no radar dos agentes econômicos. A projeção é que o Banco Central inicie os cortes nos juros a partir de março, considerando um quadro de inflação mais controlada e moderação da atividade econômica.
Ambientes com juros em queda são, em geral, propícios para a valorização de ativos de maior risco, como ações. Por isso, reforçamos recentemente nossa exposição à bolsa brasileira, acompanhando a perspectiva de manutenção desse ambiente favorável tanto no Brasil quanto no exterior.
É importante observar que a volatilidade relacionada ao cenário político deverá continuar em 2026, o que torna fundamental contar com um contexto internacional favorável para ajudar a mitigar as incertezas até as eleições de outubro.
Por outro lado, a experiência histórica demonstra que períodos com dólar forte, combinados com incertezas políticas internas, tendem a criar um ambiente negativo para os ativos de forma geral — esse é o principal risco para o próximo ano.
Encerrando este texto de final de ano, desejo a todos um 2026 repleto de saúde, felicidade e ótimos investimentos!
Nicholas McCarthy
Diretor de Estratégia de Investimentos do Itaú Unibanco
investimentos@itau-unibanco.com.br



