Obsessão De Crianças Por Sushi Pressiona Pais Financeiramente Nos EUA

Obsessão De Crianças Por Sushi Pressiona Pais Financeiramente Nos EUA

Obsessão das crianças por sushi está levando os pais à falência nos Estados Unidos

A comida japonesa tem ganhado destaque nas festas infantis, gerando arrependimentos em muitos pais devido ao alto custo. “Eles parecem selvagens”, relata uma mãe.

Grace Embury afirma que a pior escolha financeira que fez foi introduzir sushi na alimentação dos filhos. Embora fale isso de forma descontraída, ela demonstra preocupação ao listar os tipos de sushi que Elliott e Charlotte, de 8 e 6 anos, costumam pedir com frequência. “Rolls de salmão, de atum…”, comenta a mãe que mora em Calgary. “Eles parecem selvagens, querem comer tudo.”

Elliott e Charlotte gostariam de comer sushi diariamente se pudessem, porém, Grace restringe essa indulgência a saídas semanais que podem custar até US$ 150 (aproximadamente R$ 750). Aos 43 anos, ela começou oferecendo sushi por ser uma opção rápida e prática, mas hoje se arrepende de ter criado pequenos “gourmets exigentes”.

“De vez em quando eu sugiro: ‘Que tal nuggets de frango ou um sanduíche de queijo quente?’”, relata ela.

Quando perguntado o que mais gosta na comida, Elliott respondeu: “Eu não só gosto, eu amo sushi”. Ele valoriza o sabor, mas fica especialmente encantado com o fato de a comida circular em esteiras rolantes nos restaurantes.

As crianças desenvolveram preferência por pratos como tempurá de camarão e nigiri de salmão — uma preferência que tem pesado no orçamento dos pais.

Sushi infantil custa ouro

“Já atendi clientes de _omakase_ (menu degustação) com apenas 6 anos”, relata David Seo, chef e proprietário do restaurante japonês Shumi, que possui duas unidades em Nova Jersey. Seo conta que o restaurante fica lotado das 16h às 19h com famílias dispostas a pagar US$ 95 (cerca de R$ 500) por pessoa para desfrutar de um menu com 15 peças de sushi. “Os pais usam isso como recompensa por completarem o dever de casa”, explica.

Ashley Baptiste afirma que suas filhas, de 5 e 3 anos, escolheriam sushi em vez de pizza qualquer dia da semana. Ela relembra um episódio em que deixou as meninas com o pai para ir a uma festa e recebeu uma ligação: “Achei que fosse algum problema como escova de dentes ou fraldas, mas elas estavam pedindo sushi às 21h”, conta Ashley, cantora de 32 anos que mora em Norwalk, Connecticut.

A ascensão do sushi nos EUA

Os restaurantes de sushi chegaram aos Estados Unidos no final dos anos 1960, sendo inicialmente apreciados por executivos americanos e seus colegas japoneses, segundo Trevor Corson, autor de _The Story of Sushi_ (2008).

O sushi se tornou mais popular na cultura geral americana nas décadas seguintes, impulsionado pela tecnologia de supercongelamento que permitiu a venda de peixe cru nos supermercados, explica Corson. Ele acredita que a popularidade entre as crianças está ligada ao sabor adocicado do arroz: “Chefes de sushi contaram que quanto mais açúcar colocam no arroz, mais as pessoas comem”.

Dados da empresa de análise Circana indicam que as vendas de sushi em supermercados alcançaram US$ 2,9 bilhões nos 12 meses até novembro de 2025, um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.

Isaac Bernstein, diretor culinário do grupo kosher Reserve Cut Hospitality, comenta: “Para as crianças, comer sushi pode parecer algo de adulto, dando-lhes uma sensação de maturidade.” Bernstein observa que seus restaurantes vendem com frequência pratos de arroz crocante com atum, custando US$ 30 (R$ 160), populares entre clientes jovens.

“Batata frita? Não. Quero tempurá”

O chef Laureano Escobar acredita que o apelo visual conquistou sua filha Mimi, de 6 anos. “Ela ficou encantada com a apresentação dos pratos”, relata ele, que mora em Dallas e tem 40 anos.

“Ela rejeita batata frita e nuggets, preferindo tempurá de camarão tropical”, afirma Escobar, que ficou surpreso ao receber uma conta de US$ 120 (R$ 650) em uma das primeiras vezes que dividiram alguns rolls. “Pensei, ‘Meu Deus, precisamos fazer ela gostar de outras coisas’.”

Indagar por que não simplesmente evitar comprar sushi, pais respondem que buscam equilibrar o gasto financeiro com os benefícios de satisfazer o apetite dos filhos, que acaba sendo uma opção mais saudável do que outros alimentos infantis. Escobar demonstra orgulho da aventura gastronômica da filha.

Kim White, mãe de Levon, de 8 anos, diz que só experimentou sushi na vida adulta e se surpreende com o paladar dos filhos. “Acredito que gastamos mais com comida do que nossos pais gastavam”, comenta White, quiroprática de 40 anos.

Dylan Ennis, jogador profissional de basquete, frequentemente leva seu filho de 4 anos, fã de sushi, para restaurantes. Ele se diverte com a reação das pessoas ao verem o menino usando os hashis com habilidade. “Eu cresci com comida caseira e ganhar um McLanche Feliz era meu maior prazer. Minha esposa e eu brincamos que estamos criando filhos numa vida que nem imaginávamos”, revela Ennis.

O sushi substitui o tradicional nugget

Michelle Shuey tem observado um aumento no número de pais que contratam chefs de sushi para as festas de aniversário dos filhos pré-adolescentes. Recentemente, ela organizou uma celebração para uma criança de 8 anos em um clube de Nova Jersey, onde foram servidas travessas de sushi. “O sushi virou o novo pallet de nuggets”, comenta Shuey.

Caitlin Murray, mãe de três filhos fãs de sushi e criadora de conteúdo em Westchester, Nova York, afirma que não se importa em pagar pelo alimento para manter a paz em casa. “Pensar no que eles vão comer o dia inteiro é cansativo. Conseguir algo que eles aceitem e não reclamem é uma vitória”, finaliza Murray.

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