Mercados hoje: Venezuela no foco, ouro sobe e petróleo recua

Na manhã desta segunda-feira, as bolsas internacionais mantêm um viés de alta moderada. O principal destaque fica por conta da Venezuela, que voltou ao centro das atenções globais após uma ofensiva dos Estados Unidos que culminou na captura do presidente Nicolás Maduro durante o fim de semana. Enquanto isso, moedas operam com cautela, o ouro registra alta impulsionado pela busca por segurança, e o petróleo sofre queda.

Panorama global

O dia começou com leve valorização nos principais índices americanos: o Dow Jones avançava 0,1%, o S&P 500 subia 0,25% e o Nasdaq liderava com alta de 0,55%. Na Europa, o índice STOXX600 operava em alta de 0,49%, enquanto na Ásia o Nikkei teve um significativo ganho de 2,97%, e o Hang Seng apresentou estabilidade com pequena valorização de 0,03%. O índice do dólar (DXY) registrava alta de 0,16%, chegando a 98,6 pontos, reforçando sua força frente às moedas principais.

O ouro se destacava com avanço de 2,17%, sendo cotado a US$ 4.425 por onça-troy, refletindo a busca por ativos seguros em meio ao ambiente de incertezas geopolíticas. Por sua vez, o petróleo Brent recuava 0,7%, ainda demonstrando volatilidade e indecisão no mercado.

Impacto das tensões na Venezuela

A captura de Nicolás Maduro por tropas norte-americanas implicou um aumento significativo da incerteza nos mercados no começo de 2026. Esse acontecimento elevou a procura por ativos vistos como proteção contra riscos, como o ouro, ao passo que o petróleo ficou em compasso de espera, diante das possíveis repercussões para o fornecimento e fluxo global da commodity.

A Venezuela possui a maior reserva mundial de petróleo comprovado, estimada em cerca de 303 bilhões de barris, representando aproximadamente 17% do total global, predominantemente de óleo pesado. Para os Estados Unidos, garantir acesso a esse recurso estratégico é uma prioridade econômica, mas a região também conta com interesses importantes da Rússia e da China, o que aumenta a complexidade geopolítica e explica a cautela dos investidores.

Outros aspectos globais e nacionais

No âmbito global, investidores observam que o intenso investimento em tecnologia e inteligência artificial pode reativar pressões inflacionárias em 2026, desafiando as expectativas de cortes nas taxas de juros e levando bancos centrais a reconsiderarem suas estratégias monetárias. Os gastos elevados em data centers e setores tecnológicos podem gerar aumento nos custos de energia e semicondutores.

Nos Estados Unidos, uma série de dados econômicos serão divulgados durante a semana, especialmente números do mercado de trabalho de dezembro, que auxiliam o Federal Reserve a definir políticas monetárias. O destaque é o Relatório de Emprego previsto para sexta-feira (9), com a expectativa de desaceleração na criação de postos de trabalho não agrícolas, estimados entre 64 mil e 55 mil vagas.

No Brasil, o Boletim Focus será divulgado hoje, podendo fortalecer a previsão de corte de meio ponto percentual na taxa Selic na segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, reduzindo a taxa de 15% para 14,5%. Além disso, o governo apresenta a balança comercial referente a dezembro e o resultado anual de 2025, com expectativa de superávit superior ao de novembro. As curvas de juros futuros iniciaram o ano em queda, indicando algum relaxamento nas expectativas para política monetária, embora o risco fiscal e o cenário político continuem impactando prêmios de risco, especialmente em ativos soberanos.

Notícias do setor corporativo

A Chevron, que é a única grande empresa americana atuando na Venezuela, ocupa posição estratégica para impulsionar o setor petrolífero no país, cumprindo promessas do ex-presidente Trump. Paralelamente, o mercado questiona se o atual entusiasmo em torno da inteligência artificial configura uma bolha prestes a estourar, tema que permanece complexo conforme experiências históricas.

Curiosamente, a culinária japonesa, especialmente o sushi, tem ganhado popularidade como prato principal em festas infantis nos Estados Unidos, o que tem pressionado as finanças dos consumidores. As vendas de sushi no varejo americano somaram US$ 2,9 bilhões nos últimos 12 meses até novembro de 2025.

Agenda econômica do dia

Durante o dia, importantes indicadores serão divulgados, movimentando os mercados:

  • 08h25 – Boletim Focus no Brasil, com expectativas para inflação, Selic, PIB e câmbio, com potencial impacto imediato sobre juros e dólar;
  • 12h00 – PMI Industrial ISM nos EUA, que avalia a atividade manufatureira e influencia juros e dólar;
  • 13h30 – Leilão de títulos do Tesouro americano, afetando a curva de juros e o humor global;
  • 15h00 – Balança comercial brasileira, cuja expectativa é superávit de cerca de US$ 6,39 bilhões, fator positivo para o real.

Assim, o início da semana mostra um mercado que busca cautela diante de eventos geopolíticos relevantes, em especial nas reservas petrolíferas da Venezuela, e à espera de dados econômicos que deverão guiar decisões monetárias globais e locais.

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