Preço Do Petróleo: Alta Imediata E Queda Posterior Com Crise Na Venezuela

Preço Do Petróleo: Alta Imediata E Queda Posterior Com Crise Na Venezuela

Alta imediata e recuo posterior: perspectivas para o petróleo diante da crise na Venezuela

Intervenção dos EUA em Maduro gera incertezas e pode aumentar custos logísticos no setor

A recente ação do governo do presidente Donald Trump na Venezuela, que culminou na captura e prisão de Nicolás Maduro, tende a afetar os preços do petróleo em curto prazo, conforme avaliação de especialistas consultados.

No primeiro pregão de 2026, na sexta-feira dia 2, o preço do barril de petróleo Brent, referência internacional, registrou queda de 0,16%, fechando a US$ 60,75.

Roberto Ardenghy, presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP), destaca que a instabilidade política venezuelana certamente exerce pressão de alta sobre os preços do petróleo no curto prazo.

A Venezuela detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com aproximadamente 303 bilhões de barris, o que corresponde a cerca de 17% das reservas globais. Apesar disso, o país produz cerca de 700 mil barris diários e está fora do grupo dos dez maiores produtores mundiais. Além disso, a Venezuela é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Ardenghy salienta que essa combinação de reservas expressivas e situação política instável adiciona um elemento de insegurança para o mercado petrolífero mundial.

De modo semelhante, Sergio Araújo, presidente executivo da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), observa que o setor de petróleo é altamente suscetível a eventos geopolíticos e permeado por especulação, o que deve influenciar os preços em curto prazo.

Araújo prevê um leve aumento dos valores assim que as negociações reiniciarem nas bolsas asiáticas, embora o impacto deva ser temporário, com duração estimada de até três dias, momento em que a situação política venezuelana pode se tornar mais clara.

Ele ressalta que, apesar da Venezuela possuir as maiores reservas, sua participação no comércio mundial de petróleo é baixa, representando cerca de 1% do total negociado, por isso não há razão para oscilações significativas nos preços globais.

Impactos no médio prazo dependerão das ações dos Estados Unidos

Em coletiva realizada no sábado, Donald Trump afirmou que os Estados Unidos têm grande interesse no petróleo venezuelano e manifestou intenção de revitalizar a infraestrutura petrolífera do país, bastante afetada pelas sanções recentes.

Trump anunciou que companhias americanas retomarão operações na Venezuela, com investimentos em equipamentos e tecnologia para recuperação do setor.

Quando questionado sobre a continuidade das exportações de petróleo venezuelano, o presidente americano confirmou a manutenção e até o aumento do volume fornecido por meio do país.

Fontes consultadas pelo portal Politico indicaram que o governo dos EUA está oferecendo às petroleiras a recuperação de ativos confiscados em troca de investimentos na indústria local.

Segundo Ardenghy, mesmo com os aportes financeiros, a recomposição do setor petrolífero venezuelano deve levar tempo devido ao estado precário da infraestrutura.

A Chevron é atualmente a única grande empresa americana com atuação na Venezuela.

O economista e especialista Dan Kawa, em análise publicada no X, acredita que o domínio americano sobre o setor petrolífero venezuelano pode ampliar a oferta estrutural de petróleo no mercado global, gerando um viés de queda nos preços médios.

Ele explica que a redução dos riscos políticos e das sanções pode comprimir o prêmio geopolítico incluso no preço do petróleo, resultando em efeitos desinflacionários e maior estabilidade para as cadeias de energia alinhadas aos interesses dos EUA.

Para Araújo, esse viés dependerá do comportamento dos Estados Unidos na região, e da relação que eles estabelecerão com o governo venezuelano, atual ou futuro.

Ele afirma que ainda é precoce fazer especulações concretas sobre essas influências.

Especialistas preveem estabilidade nos preços dos combustíveis no Brasil

Analistas acreditam que, diante do cenário atual, não haverá impacto imediato nos preços dos combustíveis no mercado brasileiro.

Araújo argumenta que, mesmo com expectativa de leve alta no preço do Brent, esse efeito será pontual e limitado às refinarias privadas, não sendo repassado ao consumidor daqui por causa da curta duração.

Por sua vez, Ardenghy aponta que o transporte do petróleo poderá sofrer pressões, incluindo possíveis aumentos nos custos de frete e seguros para navios que transitam próximas à Venezuela, sobretudo aqueles que abastecem as refinarias localizadas no Texas e Louisiana.

O contexto permanece em evolução e será necessário acompanhar os desdobramentos da situação para avaliar os efeitos reais sobre o mercado mundial de petróleo e o consumidor brasileiro.

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