Importância do Longo Prazo em Carteiras de Investimentos

Importância do Longo Prazo em Carteiras de Investimentos

Em uma carteira de investimentos o que importa é o longo prazo

Assim como desejamos uma vida longa e saudável, devemos ter o mesmo cuidado com nossos investimentos. Um único ano representa apenas um curto período.

Nos últimos dias do ano, é comum avaliarmos tanto a vida pessoal como as finanças. Essa é uma oportunidade para revisitar metas, analisar o que funcionou bem, entender os motivos por trás dos sucessos e falhas, além de estabelecer novos compromissos para o próximo ciclo.

O mesmo deve ser feito com a vida financeira: é o momento ideal para analisar os acertos e erros, definir quanto poupar e traçar objetivos de investimento. Embora repetitivo, esse exercício é fundamental para manter o rumo.

No fim do ano, jornais, revistas e sites estão repletos de análises sobre o comportamento dos ativos e previsões para o período seguinte. Profissionais do mercado, principalmente gestores de recursos, aproveitam para justificar os resultados e, em alguns casos, enaltecer seu desempenho.

Ao consumir esse tipo de conteúdo, é essencial que o investidor permaneça atento e evite decisões precipitadas que não estejam alinhadas ao seu perfil de risco.

Recentemente, um gestor afirmou que o mercado de ações não se limita ao Ibovespa. Ele destacou que fundos que souberam identificar boas oportunidades tiveram retorno muito acima do índice. Essa afirmação está correta e, naturalmente, ele utilizou o bom resultado para divulgar seu trabalho. Porém, atingir retornos expressivos não é simples, e investidores devem se precaver contra a ganância.

Não estou dizendo que a gestão passiva, que replica índices como o Ibovespa, seja superior à gestão ativa, na qual fundos buscam superar o índice. Num portfólio diversificado, há espaço para ambos os estilos, desde que adequados aos objetivos e ao nível de risco do investidor.

Este último ano foi positivo para o mercado acionário, com o Ibovespa fechando o ano em alta de pouco mais de 34%, o que impulsionou o desempenho dos fundos de ações e multimercados.

No entanto, o caminho não foi fácil. Em abril, o Ibovespa apresentava rentabilidade semelhante ao CDI. Entre altos e baixos, foi somente a partir de agosto que o índice se destacou de forma consistente, finalizando o ano com um desempenho que corresponde a 240% do CDI, apesar da volatilidade de 15% durante o período. Esse resultado só foi alcançado por investidores que mantiveram resiliência diante das oscilações.

A trajetória do mercado não é linear, e não há garantia de crescimento contínuo e sem sobressaltos. O momento de entrada e saída impacta significativamente o retorno, e diferentes ações têm comportamentos distintos.

Como qualquer índice, o Ibovespa reflete uma cesta de ativos, nos quais alguns performam melhor e outros pior do que o índice. Isso evidencia oportunidades e riscos na carteira do investidor. Embora um gestor que “acerta” mereça crédito, replicar esses resultados consistentemente é difícil. O que faz um portfólio prosperar não são ganhos isolados, mas sim a habilidade em apreciar o longo prazo frente aos ciclos de alta e baixa.

Acertar com frequência é complicado. Um estudo com 76 fundos de ações, considerando critérios mínimos de aplicação e número de investidores, revelou que apenas 42% conseguiram superar o Ibovespa ao final do ano.

Não defendo atacadamente a gestão passiva, mas quero alertar o investidor comum que superar o mercado de forma expressiva não é tarefa simples. Se profissionais enfrentam essa dificuldade, para investidores sem familiaridade com o mercado é ainda mais desafiador. Além disso, um único ano é insuficiente para avaliar a consistência da performance de um gestor.

Investir deve estar orientado por metas e prazos de longo prazo; buscar atalhos de curto prazo normalmente traz mais riscos do que benefícios.

Em meu artigo do ano passado, mencionei que acontecimentos como crises, guerras e a pandemia tornam o cenário global mais incerto, dificultando a definição de probabilidades para os diversos cenários.

Também comentei que o governo de Donald Trump marcou uma nova fase de intervencionismo, desrespeito às instituições e práticas de capitalismo de proximidade, em que o mérito é substituído por alinhamentos políticos. Destaco ainda a retomada da Doutrina Monroe, que prega a ideia de “América para os americanos”.

Recentemente, a ação dos EUA ao capturar o presidente Nicolás Maduro em território venezuelano, e a intenção de gerir o país até permitir uma “transição segura”, reforçam essa doutrina. Desde então, a instabilidade econômica e geopolítica global aumentou consideravelmente.

Hudson Bessa – Economista, sócio da HB Escola de Negócios e da Spot Capital Consultoria de Investimentos, e-mail: hudson@hbescoladenegocios.com, site: www.hbescoladenegocios.com

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