Governo projeta crescimento nas exportações de petróleo em 2026, afirma Alckmin
Em coletiva sobre a balança comercial do ano que vem, o vice-presidente descartou impactos negativos da crise venezuelana sobre o mercado petrolífero brasileiro
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, declarou nesta terça-feira que a expectativa do governo é de incremento nas exportações de petróleo em 2026, impulsionadas pelo aumento da produção na camada do pré-sal.
Durante uma entrevista coletiva focada na balança comercial do Brasil para 2025, Alckmin destacou que o petróleo continuará sendo o principal produto da pauta exportadora do país no próximo ano.
“O petróleo é o destaque principal e há previsão de crescimento, não pela Margem Equatorial, mas sim pelo pré-sal. Então, a expectativa é de expansão do petróleo relacionada ao pré-sal”, afirmou o vice-presidente.
Alckmin também minimizou o impacto da instabilidade política na Venezuela sobre o desempenho do petróleo brasileiro em âmbito internacional. Embora a Venezuela detenha uma das maiores reservas conhecidas de petróleo no mundo, recentes acontecimentos políticos, inclusive a detenção do presidente Nicolás Maduro e sua esposa nos Estados Unidos, não devem afetar substancialmente o mercado brasileiro.
O vice enfatizou que, apesar de a Venezuela ter reservas significativas, processos para extrair e capitalizar esses recursos demandam tempo e investimentos. “Preço do barril é uma questão geopolítica, ligada a guerras e conflitos. Vale destacar que o Comitê de Política Econômica exlui preço do petróleo do centro da meta da inflação, pois não depende da taxa de juros, mas da geopolítica mundial”, explicou.
Mesmo diante das intervenções norte-americanas e influências políticas locais, Alckmin manifestou esperança na recuperação econômica da Venezuela, ressaltando que a nação foi uma das mais fortes economias sul-americanas durante a década de 1970.
Exportações de petróleo e novos polos de produção
O petróleo manteve-se como o principal produto exportado pelo Brasil em 2025, totalizando US$ 44,6 bilhões, conforme dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Apesar das expectativas favoráveis à Margem Equatorial, prevista para ter maior relevância nos próximos anos, a principal fonte de produção continuará sendo o pré-sal em 2026. Um exemplo significativo foi a descoberta anunciada em 2025 pela Petrobras, referente a petróleo em um poço exploratório no bloco Aram, situado na Bacia de Santos.
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estimou que o bloco Aram possui cerca de 29 bilhões de barris de petróleo no local, um volume considerado excepcional por especialistas. Segundo técnicos do órgão, entre 20% e 30% desse montante tende a ser efetivamente extraído ao longo da vida produtiva do campo. Em comparação, a Petrobras encerrou 2024 com reservas provadas de 11,4 bilhões de barris de óleo equivalente.
Contexto da balança comercial em 2025
O balanço comercial brasileiro de 2025 registrou um superávit de US$ 63,8 bilhões, segundo os dados consolidados apresentados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As exportações do ano cresceram 3,5%, alcançando US$ 348,68 bilhões, enquanto as importações aumentaram 6,7%, totalizando US$ 280,38 bilhões.



