Dividendos de bancos e seguradoras apresentam aumento significativo; confira os maiores pagadores
Em 2025, o setor financeiro foi o protagonista na distribuição de dividendos no Brasil, somando R$ 112,1 bilhões em proventos destinados aos acionistas, o que representa um crescimento de 42% em comparação ao ano anterior. Entre as instituições que impulsionaram esse resultado estão Itaú Unibanco (ITUB4), Itaúsa (ITSA4), Bradesco (BBDC4) e BB Seguridade (BBSE3). Com essa performance, os bancos e seguradoras consolidaram sua posição como principais remuneradores, considerando tanto dividendos quanto juros sobre capital próprio (JCP).
Tradicionalmente, bancos destacam-se como bons pagadores de dividendos devido à estabilidade das suas operações, receita recorrente e robusta geração de caixa, alimentada por múltiplas fontes como juros de crédito, tarifas e serviços. Essa configuração assegura maior previsibilidade dos resultados e consistência nos lucros ao longo do tempo.
No fim de 2025, essas instituições lideraram a antecipação da distribuição de dividendos para aproveitar a isenção fiscal vigente, antes da vigência da Lei nº 15.270/2025, que desde 1º de janeiro passou a tributar dividendos em 10% para recebimentos que ultrapassassem R$ 50 mil mensais por beneficiário. A legislação também define alíquotas progressivas que vão de zero a 10% para rendimentos anuais superiores a R$ 600 mil.
Embora a tributação sobre dividendos tenha sofrido alterações, especialistas destacam que manter parte da carteira em ações que pagam dividendos consistentes continua sendo vantajoso. Além de proporcionar renda constante, tais ações tendem a ser mais defensivas, ajudando a suavizar períodos de volatilidade ao gerar retornos mesmo que os preços das ações caiam ou permaneçam estáveis. O reinvestimento dos dividendos potencializa o crescimento do patrimônio a longo prazo, graças ao efeito dos juros compostos.
Destaques da rentabilidade dos dividendos
Embora os bancos e empresas financeiras liderem em volume total, a rentabilidade dos dividendos, expressa pelo indicador dividend yield (DY), é um aspecto crucial para os investidores. O DY mede o percentual de retorno pago em dividendos e juros sobre capital próprio nos últimos 12 meses em relação ao preço atual da ação.
Através do Painel de Cotações do Valor One, na seção Valuation, é possível identificar quais empresas do setor financeiro integrantes do Ibovespa apresentam os maiores dividend yields, facilitando a comparação entre elas.
Segundo dados atualizados em 8 de janeiro de 2026, a ação da Itaúsa (ITSA4), holding que controla o Itaú Unibanco e outras empresas industriais e de serviços, lidera com um DY de 13,80%. Em segundo lugar está a BB Seguridade (BBSE3), braço de seguros, previdência e capitalização do Banco do Brasil, com um retorno de 12,04%. O Itaú Unibanco (ITUB4) vem na terceira posição, com um DY de 10,64%.
A Caixa Seguridade (CXSE3), representante do Grupo Caixa com atuação em seguros, previdência e capitalização, apresenta rentabilidade de 8,06%, enquanto o Bradesco (BBDC4) oferece 6,52%.
Na sequência da lista, aparecem o Santander (SANB11) com 5,17%, a Porto Seguro (PSSA3), focada em seguros e serviços financeiros, com 4,82%, o Banco do Brasil (BBAS3) com 4,65% e a B3 (B3SA3) com 3,99%.
O BTG Pactual (BPAC11) é o que apresenta o menor dividend yield entre os listados, com 1,96%, reflexo da valorização expressiva de suas ações nos últimos 12 meses, que cresceram cerca de 98% impulsionadas por resultados melhor que o esperado.
Além do dividend yield, o painel permite analisar o retorno total das ações nos últimos 12 meses, considerando tanto os dividendos quanto a variação no preço das ações. Entre as empresas mencionadas, apenas o Banco do Brasil apresentou desvalorização, indicando que a queda no preço da ação superou os ganhos com dividendos no período.
Importância de avaliar diversos fatores nas escolhas de ações
Mesmo com dividend yields elevados, o indicador não deve ser o único critério para selecionar ações focadas em dividendos. Um DY alto pode ser resultado de uma queda acentuada no preço da ação devido a problemas internos ou pode refletir pagamentos extraordinários sem garantia de continuidade.
Por isso, analistas recomendam observar a estratégia empresarial, qualidade da governança corporativa, capacidade de geração de caixa, endividamento, eficiência operacional e histórico de distribuição de resultados. Esses aspectos são fundamentais para entender se a empresa conseguirá manter os lucros e pagar dividendos de forma sustentável.
Para investidores interessados em acompanhar esses indicadores e receber análises especializadas, a plataforma Valor One oferece ferramentas integradas com notícias, gráficos, cotações e dados fundamentais. A plataforma está disponível em versão gratuita e planos avançados para diferentes perfis de investidores.



