Alckmin prevê vigência do acordo UE-Mercosul ainda em 2026
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta sexta-feira que o governo espera que o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia comece a vigorar ainda neste ano.
Segundo Alckmin, o pacto reforça o multilateralismo e promove o comércio entre os dois blocos, estimulando investimentos, geração de empregos, comércio regulado por regras claras e a sustentabilidade. Ele destacou que o acordo proporciona benefícios mútuos, com produtos mais acessíveis e de qualidade superior. O ministro comunicou que a assinatura do tratado deve acontecer nos próximos dias e a expectativa é de sua entrada em vigor em 2026.
Após a assinatura formal, o próximo passo será a ratificação do acordo pelas instâncias legislativas dos países envolvidos. Alckmin explicou que cada país do Mercosul deverá internalizar o pacto, o que implica sua aprovação tanto no Congresso Nacional do Brasil quanto no Parlamento Europeu.
Ele ressaltou que, caso o Congresso brasileiro consiga votar e aprovar o acordo ainda no primeiro semestre, o Brasil poderá iniciar sua aplicação nacional mesmo antes dos demais integrantes do bloco concluírem o processo.
União Europeia confirma suporte ao acordo com o Mercosul
Na mesma sexta-feira, a maioria qualificada dos estados membros da União Europeia declarou apoio suficiente ao acordo comercial com o Mercosul durante reunião dos embaixadores dos 27 países do bloco. Apesar da oposição de França, Polônia, Áustria, Hungria e Irlanda, além da abstenção da Bélgica, o grupo obteve os dois requisitos essenciais para aprovação: respaldo mínimo de 55% dos países e representação de ao menos 65% da população da União Europeia.
Uma mudança importante no posicionamento italiano, que recebeu concessões protegendo os agricultores europeus, foi determinante para o sucesso da votação. Isso abriu caminho para que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se desloque ao Paraguai — atual presidente rotativo do Mercosul — a fim de oficializar a assinatura do tratado.
Relevância econômica e processo de implementação do acordo
Este acordo, resultado de mais de vinte anos de negociações, é considerado um marco ao constituir uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo cerca de 720 milhões de consumidores. A soma do Produto Interno Bruto dos dois blocos alcança aproximadamente US$ 22 trilhões.
Apesar da aprovação no âmbito diplomático, o tratado ainda não terá efeito imediato. Na União Europeia, a parte comercial do pacto precisa ser aprovada por maioria simples no Parlamento Europeu, e os aspectos políticos demandam ratificação pelos parlamentos nacionais dos 27 países membros, o que pode demorar anos, embora não impeça a aplicação das disposições comerciais enquanto isso.
Na América do Sul, o texto precisa ainda ser submetido aos congressos dos países do Mercosul. No Brasil, o Congresso Nacional será responsável pela análise e aprovação final do tratado.
Contexto estratégico e econômico para o Brasil
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o avanço nas negociações ocorre em um momento de fragilização do multilateralismo e aumento de medidas unilaterais no comércio global. Segundo interlocutores do Planalto, o acordo possui valor estratégico por reforçar regras comuns, previsibilidade institucional e diversificação das parcerias comerciais.
Ainda de acordo com integrantes do governo, os efeitos econômicos serão gradativos, pois o cronograma para a redução de tarifas pode se estender até 15 anos. O impacto inicial será político e institucional, reafirmando a importância de soluções negociadas entre grandes blocos em um cenário global incerto e marcado por disputas comerciais.
‘Dia histórico’ para o multilateralismo, afirma Lula
O presidente Lula classificou a aprovação do acordo UE-Mercosul como “uma demonstração de apoio ao comércio internacional como motor de crescimento econômico com vantagens para ambas as partes”, especialmente em meio a uma conjuntura de protecionismo crescente e unilateralismo.
Em mensagem divulgada nas redes sociais, o chefe do Executivo declarou que a sexta-feira é um “dia histórico para o multilateralismo” e destacou que os dois blocos somam 718 milhões de habitantes e possuem um PIB de US$ 22,4 trilhões.
Lula ressaltou que o acordo amplia as oportunidades para exportações brasileiras e investimentos produtivos europeus, além de simplificar as normas comerciais para os dois lados, definindo-o como “uma vitória do diálogo, da negociação e do compromisso com a cooperação e a integração entre países e blocos.”
“Dia histórico para o multilateralismo. Após 25 anos de negociação, foi aprovado o Acordo entre Mercosul-União Europeia, um dos maiores tratados de livre comércio do mundo. A decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de…”
— Lula (@LulaOficial) 9 de janeiro de 2026



