Startup brasileira com menos de um ano supera valor de mercado de R$ 500 milhões
A startup Rivio, especializada em inteligência artificial para o setor hospitalar, já alcançou um valuation superior a meio bilhão de reais em menos de um ano de atividade, além de captar mais de R$ 100 milhões em investimentos, com a participação de fundos como Valor Capital, Monashees e Endeavor Catalyst — um feito raro para empresas brasileiras em fase inicial.
O foco da empresa está no ciclo de receita dos hospitais, atuando para assegurar que essas instituições recebam integralmente os valores devidos pelos planos de saúde. A Rivio utiliza soluções de IA para minimizar perdas causadas por erros na fatura, falhas operacionais e negativas de pagamento pelas operadoras.
Como a Rivio atua no mercado hospitalar
Na prática, a plataforma da Rivio conecta-se aos sistemas internos dos hospitais, fazendo uma análise automática das contas. Ela cruza informações dos prontuários, prescrições e materiais utilizados para identificar valores que deixaram de ser cobrados. A partir disso, a startup cobra uma porcentagem dos montantes recuperados, assumindo, em alguns casos, parte do risco financeiro da operação.
A empresa foi fundada em 2025 por dois profissionais renomados na área de tecnologia. Ricardo Sales, que criou a Isaac, uma plataforma de gestão escolar vendida à Arco Educação por aproximadamente US$ 150 milhões, e Silvio Frison, ex-presidente da Serasa Experian no Brasil e um dos criadores do Score Serasa para consumidores.
Detalhes sobre o funcionamento da Rivio
Ricardo Sales costuma utilizar a metáfora do hospital como um “super restaurante”, no qual cada paciente apresenta um cardápio único — seu plano de saúde — com milhares de itens e regras em constante mudança. Embora o paciente frequente o hospital, quem efetivamente paga pelas despesas é o plano, e qualquer registro incorreto pode representar receita perdida.
Atualmente, muitos hospitais contam com equipes grandes responsáveis pela montagem e conferência manual das faturas, uma prática cara que consome entre 4% e 6% da receita hospitalar. Ainda assim, perdas por subfaturamento, que são itens omitidos na cobrança, variam entre 5% e 8%, enquanto glosas — valores rejeitados pelas operadoras — ultrapassam 10%.
A Rivio utiliza agentes de inteligência artificial generativa para verificar cada linha das contas apresentadas. Por exemplo, se a prescrição e aplicação de um medicamento não aparecem na cobrança enviada ao plano, o sistema detecta essa falha e sinaliza o problema.
A startup afirma ser capaz de aumentar a receita dos hospitais em torno de 5% já no primeiro mês, apenas corrigindo subfaturamentos, com casos em que esses ganhos são ainda maiores ao considerar a recuperação de glosas previamente perdidas.
Desafios do mercado e perspectivas futuras
Além das complexidades internas, a Rivio enfrenta o desafio de lidar com mais de 700 operadoras privadas, cada uma com suas próprias regras, prazos e formatos para envio de cobranças. Em um dos casos citados pelos fundadores, a análise manual de uma única fatura de R$ 0,02 levou oito horas de trabalho, situação que a plataforma resolve automaticamente, identificando os casos em que não vale a pena investir esforço e direcionando a equipe para cobranças com maior impacto financeiro.
Atualmente, a empresa atende dezenas de hospitais, incluindo grandes grupos privados e instituições regionais, embora não divulgue seus clientes.
Com a visão de futuro, a Rivio pretende se tornar uma espécie de “sistema operacional” hospitalar, aplicando inteligência artificial não somente para o ciclo financeiro, mas também para otimizar a gestão médica, incluindo escalas de anestesistas e cirurgiões, ocupação de leitos e controle da cadeia de suprimentos de materiais e medicamentos. A empresa acredita que ineficiências administrativas podem levar a leitos vazios, cirurgias canceladas e, consequentemente, a uma redução na capacidade de atendimento.



