De tédio não morreremos em 2026
O ano de 2026 se inicia sob o símbolo da incerteza para o universo dos investimentos, principalmente diante de eventos como a Copa do Mundo e as eleições, os quais tendem a intensificar a volatilidade do mercado. Além disso, o cenário internacional permanece incerto devido a desdobramentos geopolíticos e a discussões relevantes no âmbito doméstico, como a independência do Banco Central e as mudanças nas posições do Ministério da Fazenda e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Apesar dessas variáveis, não podemos esperar monotonia para 2026.
As agendas planejadas tanto pela CVM, órgão regulador, quanto pela Anbima, o autorregulador do mercado, apontam para avanços que trarão benefícios significativos aos investidores.
Perspectivas da CVM para 2026
Em dezembro, a CVM apresentou seu calendário para 2026, que contempla diversas alterações destinadas a impactar positivamente a experiência do investidor e o ambiente de negócios no país.
Entre os focos está o aprimoramento das regras de suitability, conjunto de normas que buscam alinhar a indicação de produtos de investimento ao perfil do investidor, avaliando sua situação financeira, seu conhecimento e objetivos, bem como sua tolerância ao risco.
Outro ponto importante da agenda é a abertura de consultas públicas para temas essenciais ao investidor de varejo, como as normas relativas aos Certificados de Operações Estruturadas (COEs). Esses produtos são alvo de controvérsias relacionadas à transparência, uma vez que os riscos e a suposta proteção do capital nem sempre ficam claros. A melhoria na divulgação dessas informações deverá auxiliar o investidor a tomar decisões mais fundamentadas e precisas.
Além disso, a CVM planeja reforçar a proteção dos investidores com novas regras para “finfluencers” — os influenciadores digitais que tratam de investimentos nas redes sociais — e analistas financeiros, reconhecendo o crescimento da influência desses agentes no mercado e a complexidade que isso traz, sobretudo pela linha tênue entre opinião pessoal e recomendação formal.
O regulador também prevê regulamentar produtos que ampliarão as opções de investimento, como ETFs de gestão ativa, o mercado de carbono e a entrada dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs) no segmento de varejo.
Agenda complementar da Anbima
A Anbima, como autorreguladora do mercado, também está alinhada a essas prioridades. Muitas das propostas da CVM passaram inicialmente pela discussão na associação, que atua antecipando as necessidades do mercado e oferecendo suporte às normas oficiais.
Desta forma, a Anbima destacará em sua programação pautas como as melhores práticas na distribuição de produtos para investidores vulneráveis, como os com mais de 70 anos, o avanço no Reg BI (Regulation Best Interest), abordado anteriormente pelo autor, a consolidação das normas para ativos virtuais e o fortalecimento das diretrizes de governança para securitizadoras e fundos exclusivos.
Diante dessas iniciativas, as agendas previstas para 2026, tanto pela CVM quanto pela Anbima, combinam questões estratégicas para impulsionar o crescimento do mercado com o aperfeiçoamento das regras existentes. Essas mudanças objetivam a criação de um ambiente mais transparente, seguro e inovador, resultando em ganhos diretos para os investidores. Afinal, é fundamental assegurar sua confiança e engajamento, de modo que a dinâmica da indústria financeira funcione cada vez melhor e com menos obstáculos.
Zeca Doherty é CEO da Anbima.



