Safra rebaixa recomendação para BB Seguridade (BBSE3) e ajusta preço-alvo
O banco Safra decidiu rebaixar a recomendação das ações da BB Seguridade (BBSE3) para venda nesta quinta-feira, 8 de janeiro, reduzindo o preço-alvo das ações de R$ 47 para R$ 39. Por volta das 15h, os papéis da seguradora apresentavam forte queda, sendo negociados a R$ 35,90, refletindo o sentimento negativo de curto prazo. Esse movimento representa uma mudança após um período de estabilidade e desafia a estratégia de investimento baseada nos elevados dividendos pagos pela empresa.
De acordo com o Safra, a BB Seguridade enfrenta pressões estruturais, entre elas a diminuição da taxa Selic, que impacta negativamente a rentabilidade financeira das reservas técnicas. Outro ponto destacado é o aumento da inadimplência no setor do agronegócio, que tem prejudicado as margens e reduzido o apetite ao risco da companhia. Essa conjuntura motivou uma avaliação mais cautelosa dos fundamentos da empresa.
O banco também aponta que o atraso nos pagamentos e a queda na concessão de crédito rural têm prejudicado a originação e o desempenho operacional da empresa. Consequentemente, espera-se uma menor contribuição das linhas relacionadas ao crédito e um ganho financeiro reduzido, fortalecendo a perspectiva de desaceleração no negócio.
Os analistas Daniel Vaz, Maria Luisa Guedes e Rafael Nobre projetam que o lucro por ação deverá permanecer estável entre 2025 e 2028. Para investidores que tinham expectativas de crescimento consistente, esse cenário indica que o avanço será limitado e mais incerto, especialmente em um contexto com juros baixos prolongados.
Quanto aos dividendos, o Safra estima um rendimento estável entre 11% e 12%, que apesar de ser um patamar tradicionalmente sólido, é considerado menos atrativo quando comparado com outras opções dentro da cobertura do banco. A análise sugere que o prêmio de risco comprimido atualmente pode não compensar o risco operacional enfrentado pela BB Seguridade.
Com base nesse contexto, o Safra demonstra preferência pela Porto Seguro (PSSA3), devido à perspectiva de maior crescimento no lucro por ação e maior consistência na distribuição de dividendos. A visão setorial favorece empresas cujos resultados sejam menos vulneráveis às variações do ciclo dos juros e do crédito rural.
Em resumo, o downgrade das ações BBSE3 reflete a combinação do impacto negativo da Selic baixa no retorno financeiro, o risco elevado de inadimplência no agronegócio e a ausência de fatores que impulsionem o crescimento no curto prazo. Para investidores focados em renda, a análise relativa com outras companhias do setor passou a ter maior peso para o posicionamento.



