Trump critica decisão do Reino Unido sobre ilhas Chagos e aumenta tensão na OTAN
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou duras críticas à decisão tomada pelo Reino Unido de transferir a soberania das ilhas Chagos para Maurício, classificando o movimento como “uma grande estupidez”. A declaração, feita na terça-feira (20), pouco antes de sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, reforçou as desavenças entre Washington e seus parceiros na OTAN.
Trump condenou o acordo firmado em maio de 2025 pelo governo britânico que estabelece a passagem do controle do arquipélago – que inclui a importante ilha de Diego Garcia – para Maurício. Apesar da transferência, está previsto que a base militar conjunta entre os Estados Unidos e o Reino Unido continue operando na região, com um contrato de arrendamento no valor anual de £ 101 milhões (aproximadamente US$ 135,7 milhões). É importante lembrar que a Casa Branca havia apoiado esse acordo no ano anterior.
Em postagens na rede social Truth Social, Trump argumentou que o Reino Unido estaria abrindo mão de um território de valor estratégico fundamental onde se encontra uma base militar vital dos EUA, sem apresentar razões válidas para isso. Ele ainda alertou que a China e a Rússia irão interpretar essa decisão como um sinal de “fraqueza total”. Além disso, o ex-presidente relacionou essa situação à sua antiga proposta de aquisição da Groenlândia, ressaltando que episódios como esse reforçam os argumentos de segurança nacional que justificariam obter aquele território.
Trump também afirmou que a Dinamarca, juntamente com seus aliados na Europa, contrários à venda da Groenlândia, precisam “agir corretamente” diante da situação.
Em resposta, um representante do governo britânico declarou, em entrevista à BBC News, que o Reino Unido jamais comprometerá sua segurança nacional. Segundo o porta-voz, a decisão do governo foi tomada em meio a decisões judiciais que fragilizaram a posição britânica e poderiam pôr em risco as operações futuras da base militar de Diego Garcia.
Estas declarações de Trump surgem em um momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e países europeus aliados como Reino Unido e França, especialmente em função da insistência de Trump em adquirir a Groenlândia, território pertencente à Dinamarca. Autoridades europeias e locais reiteraram que o território não está à venda, enquanto Trump chegou a não descartar o uso da força militar e ameaçar impor tarifas a oito nações da OTAN que se opuserem ao seu plano.
Recentemente, Trump também criticou a França, ameaçando estabelecer tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses, após o presidente Emmanuel Macron, segundo relatos, recusar convite para integrar um conselho proposto por Trump para tratar da situação em Gaza.
Buscando diminuir a escalada do conflito, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, declarou em entrevista coletiva que o Reino Unido valoriza sua relação histórica com os Estados Unidos, mas afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca possuem autoridade para decidir o destino do território. “Quanto à Groenlândia, o modo adequado de tratar algo dessa magnitude é através de conversas pacíficas entre aliados”, afirmou Starmer. Ele também mencionou ter conversado com Trump na noite de domingo, dizendo que o ex-presidente estava equivocado ao ameaçar a imposição de novas tarifas contra aliados da OTAN caso não apoiassem a compra da Groenlândia.



