Novo Ciclo De Criptomoedas Com Mais Wall Street

Novo Ciclo De Criptomoedas Com Mais Wall Street

Mais Wall Street, menos investidores de varejo: a nova fase das criptomoedas em 2026 segundo a Coinbase

Segundo uma análise da Coinbase, o mercado de criptomoedas está entrando em um novo ciclo marcado por maior integração institucional, avanços tecnológicos e uma adoção mais pragmática, abandonando ciclos anteriores dominados pela especulação intensa.

A plataforma projeta que, em 2026, o setor cripto estará menos dependente de investidores de varejo e mais focado nos fluxos de capital oriundos de instituições financeiras, refletindo uma consolidação estrutural do ecossistema digital.

Transição para uma fase de maturidade

O estudo aponta que o ambiente criptográfico está mudando de um cenário pautado em expectativas para um baseado em utilidade real. A participação de investidores institucionais passa a ser o fator preponderante, impulsionada por regulações recentes nos EUA e outras regiões que facilitaram o lançamento de ETFs à vista, a criação de tesourarias de ativos digitais (DATs) e normas aprimoradas de compliance.

Analistas da Coinbase destacam que essa evolução altera os objetivos, as estratégias de risco e os períodos de investimento, contribuindo para uma demanda mais estável e uma diminuição da influência da especulação típica dos investidores de varejo. Nesta nova estrutura, ganha destaque o armazenamento profissional e a busca por eficiência operacional.

Em 2025, o Bitcoin teve um desempenho importante, embora com menor volatilidade e menos comportamento explosivo que em ciclos passados. Sua volatilidade de 90 dias se aproximou das ações de tecnologia em crescimento acelerado, situando-se entre 35% e 40%, o que demonstra uma maior ligação com os mercados tradicionais de risco.

O tradicional padrão dos ciclos de quatro anos associados ao evento de halving perdeu relevância para explicar o comportamento do preço do Bitcoin, sendo o capital institucional o nova força predominante sobre o sentimento do mercado. Fundos públicos, gestores e tesourarias corporativas ampliaram sua exposição, transformando a natureza da demanda pelo ativo.

Ethereum e o avanço dos ativos tokenizados

O Ethereum consolidou-se como base para liquidações institucionais após sua atualização Pectra em 2025, que trouxe melhorias significativas em escalabilidade, experiência para o usuário e eficiência no staking. A Coinbase ressalta que isso posiciona a rede Ethereum como uma camada de liquidação mais preparada para atender instituições, com menor atrito.

Além disso, o mercado de ativos do mundo real (Real World Assets – RWAs) tokenizados na Ethereum cresceu consideravelmente, atingindo US$ 12,7 bilhões em valor total, sendo que a Ethereum captura 52% desse mercado. O uso da ETH está cada vez mais atrelado à demanda estrutural por espaço de bloco, funcionando como infraestrutura para ativos regulamentados e plataformas financeiras.

A tokenização consiste em representar digitalmente ativos em blockchain para viabilizar transferências e gestão mais rápidas e eficazes. Na Ethereum, isso facilita transações envolvendo títulos, fundos e recursos públicos como se fossem aplicativos digitais, mas com lastro de ativos reais.

Stablecoins e o papel da América Latina

O relatório da Coinbase destaca também a crescente tokenização do dinheiro estável e projeta que o mercado de stablecoins pode alcançar cerca de US$ 1,2 trilhão em capitalização até o final de 2028. Em 2025, o volume negociado nas stablecoins atingiu US$ 47,6 trilhões, mais que o dobro do valor registrado em 2024.

As stablecoins, antes limitadas a operações no universo cripto, estão cada vez mais integradas a sistemas de pagamento, remessas, processamento de folhas de pagamento e ofertas de crédito. Sua vantagem principal está na transferência eficiente, de baixo custo e transfronteiriça, consolidando-as como infraestrutura poderosa para transações frequentes e para fluxos institucionais em finanças descentralizadas (DeFi).

A América Latina destaca-se como região-chave nesse processo. Em 2025, a adoção de criptomoedas na região ampliou 63%, impulsionada por fatores macroeconômicos, avanços regulatórios e aumento da digitalização financeira.

No Brasil, o desenvolvimento é impulsionado por uma estrutura sólida para provedores de ativos virtuais (VASPs), atuação ativa do Banco Central e iniciativas de instituições financeiras tradicionais. As regras para stablecoins no mercado cambial brasileiro entrarão em vigor a partir de fevereiro de 2026, segundo normas do Banco Central.

A Argentina, por meio da gestão de Javier Milei, implementou reformas rigorosas com a Resolução 1058/2025, que estabelece registro obrigatório, exigências de capital e normas de segurança cibernética para VASPs. Já o México adota uma postura mais cautelosa, permitindo acesso restrito a instituições financeiras, embora sem proibições claras para agentes fora do sistema bancário.

O documento da Coinbase conclui que, embora as stablecoins ancoradas ao dólar dominem o cenário, alternativas lastreadas em outras moedas soberanas ou cestas de moedas e commodities já começam a emergir, diversificando o mercado.

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