Venda É O KPI Principal Para Crescimento Da Ancar

Venda É O KPI Principal Para Crescimento Da Ancar

“O KPI fundamental é a venda”, afirma CEO da Ancar após atingir R$ 19,2 bilhões em vendas e realizar aquisição

A operadora de shopping centers Ancar encerrou o ano de 2025 com um volume de vendas de R$ 19,2 bilhões e uma taxa de ocupação próxima a 97%, iniciando 2026 com planos ambiciosos de crescimento. A empresa pretende acelerar suas vendas em dois dígitos e fortalecer estratégias para aumentar o fluxo de consumidores e o consumo dentro dos seus empreendimentos. Esta intensificação das operações é impulsionada pela recente compra do Midway Mall, em Natal, um dos shoppings mais expressivos da região Nordeste.

Perspectivas para 2026

Evandro Ferrer, CEO da Ancar, que falou durante a NRF em Nova York, destacou que a companhia espera um crescimento significativo nas vendas neste ano, apoiado por um planejamento sólido e organização interna. A Ancar, com presença consolidada nas cinco regiões do país, administra 23 shoppings entre propriedades próprias e operações sob gestão. Seu portfólio consiste em ativos de grande porte, relevantes regionalmente, com resultados expressivos em vendas e elevada circulação de público. Entre eles destacam-se o Iguatemi Porto Alegre, o Shopping Metrô Itaquera e o Shopping Nova América.

A aquisição estratégica do Midway Mall

O grande destaque recente da Ancar foi a aquisição do Midway Mall, um shopping com mais de 300 lojas e vendas anuais girando em torno de R$ 1,6 bilhão. O empreendimento figura entre os vinte maiores do Brasil. Em 2025, o shopping registrou uma receita líquida próxima de R$ 125 milhões e um lucro operacional líquido de R$ 123 milhões. Essa transição de propriedade para a Ancar ocorreu oficialmente no início de janeiro, saindo das mãos do grupo Guararapes, controlador da Riachuelo.

Segundo Ferrer, o processo foi tranquilo, já que o shopping não demandava reposicionamento. O foco agora está em aplicar o modelo de gestão da Ancar e aproveitar sinergias operacionais.

Venda como foco estratégico

O CEO enfatiza que o desempenho operacional justifica a confiança da empresa para seguir crescendo. Em 2025, as vendas da Ancar cresceram 5%, chegando a R$ 19,2 bilhões, enquanto a taxa de ocupação passou para cerca de 96,5%, um aumento de um ponto percentual em relação ao ano anterior. O EBITDA acompanhou esse ritmo de crescimento. Durante o ano, a companhia firmou mais de 550 contratos com lojistas, buscando renovar o mix de lojas com opções de maior produtividade.

A meta atual é agregar cerca de R$ 2 bilhões em vendas sem ampliar o número de shoppings administrados. O princípio central dessa estratégia é simples: colocar as vendas no centro das prioridades.

“O KPI principal do setor não pode ser o EBITDA. O indicador-chave deve ser a venda. Se o lojista consegue vender, não existe inadimplência, nem vacância, e a relação entre as partes acontece sem obstáculos”, afirma Ferrer.

Para aumentar as vendas, a Ancar investe em ações para elevar o fluxo de pessoas, realiza eventos programados, mantém contato próximo com os lojistas e faz uma gestão ativa do mix comercial. Os segmentos focados são gastronomia, entretenimento e bem-estar, com o objetivo de ampliar o tempo de permanência, a frequência de visitas e o ticket médio dos consumidores.

No setor de entretenimento, a empresa opera espaços próprios, destacando o Junga, um parque infantil de arvorismo com cerca de 1.100 metros quadrados já inaugurado em shoppings do Rio de Janeiro e de Porto Velho. A estratégia visa transformar áreas comuns em negócios próprios que gerem receita adicional, atraindo famílias para os empreendimentos.

“O shopping precisa se tornar uma extensão do lar. Ao focar no público infantil, trazemos toda a família, o que amplia o fluxo e o consumo geral do espaço”, complementa o CEO.

Transformação da indústria de shopping centers

Evandro Ferrer aponta que a indústria de shoppings sofreu mudanças estruturais nos últimos anos. A relação entre operadores e lojistas, antes puramente B2B, agora envolve o consumidor final diretamente. Para isso, o setor investe em oferecer experiências diferenciadas, diversificar o mix comercial e apoiarse em dados para tomar decisões assertivas.

O Brasil conta atualmente com cerca de 640 shoppings em atividade. Entretanto, o mercado não apresenta grande disposição para a abertura de novos centros comerciais. A tendência preferida é o aprimoramento das estruturas existentes, expansões pontuais e movimentação dos portfólios.

Dentro desse contexto, a Ancar busca se destacar por meio da proximidade com os lojistas e pela execução comercial eficiente.

“Nosso modelo apoia-se na proximidade com os lojistas e um profundo entendimento do consumidor”, explica Ferrer.

Para o ano de 2026, a Ancar aposta em um contexto favorável para o consumo, especialmente entre a classe média, segmento que concentra muitos dos seus ativos. Com portfólio estabilizado, elevada ocupação e uma estratégia focalizada nas vendas, a empresa busca crescer sem precisar abrir novos shoppings.

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