As 4 lições de liderança mais importantes que aprendi ao sair da zona de conforto
Sanjay Khosla, executivo que liderou a Unilever e a Kraft, compartilha a importância de quebrar velhos padrões, desafiar formas tradicionais de negócios e transformar equipes para alcançar resultados melhores.
Em muitos momentos da vida profissional e do mundo empresarial, existe uma tendência natural a permanecer em situações confortáveis. Rotinas conhecidas, posições estáveis e mudanças lentas transmitem segurança, porém esse apego pode esconder armadilhas.
Sanjay Khosla, pesquisador sênior e professor adjunto na Kellogg School of Management, ressalta os riscos de se acomodar nessa zona de conforto.
Para ele, a escolha é clara: o profissional ou líder pode se acomodar ou pode se desafiar a crescer. Segundo o executivo, permanecer acomodado é um perigo maior do que arriscar mudanças.
Ele enfatiza que o conforto pode levar pessoas e organizações a repetirem antigos sucessos mesmo quando o contexto ao redor muda drasticamente, o que pode ser fatal.
Para evitar essa armadilha, Khosla oferece quatro ensinamentos que ajudam a identificar quando a acomodação está ocorrendo e como superá-la para alcançar o sucesso.
1. Tenha foco no futuro
Uma das características da zona de conforto é ficar preso ao que foi bom no passado. Empresas que se sustentam em produtos, processos e estruturas antigas acabam por perder relevância.
Sanjay conta o caso de uma grande multinacional que experimentou anos de sucesso, mas ficou refém de sua própria complacência. A complexidade e os custos altos cresceram demais, enquanto concorrentes mais rápidos, especialmente no uso da inteligência artificial, avançavam no mercado.
Mesmo com argumentos para focar em poucas prioridades, investir com intensidade e abandonar iniciativas obsoletas, a liderança resistiu, apegando-se ao “sempre fizemos assim”.
Khosla alerta que essa é uma típica demonstração de acomodação não motivada por preguiça, mas pela dificuldade de abandonar o que funcionava antes. No entanto, esses elementos perdem a validade conforme o mercado evolui.
A principal lição é que o que foi eficiente ontem pode ser o maior obstáculo para o crescimento amanhã. Por isso, é fundamental ser honesto e reconhecer o ciclo de vida dos produtos e processos mais confiáveis.
2. Atreva-se a sonhar grande
Preparar-se para voar significa olhar para o futuro e não se apegar a velhas suposições, mas também ter a coragem de agir com audácia. Definir objetivos ambiciosos e permitir que as equipes tenham autonomia são passos cruciais.
Khosla exemplifica com uma divisão B2B de uma multinacional que enfrentava estagnação e perda de mercado. Diante disso, desafiou o diretor a estabelecer a meta ousada de dobrar o faturamento em três anos.
Inicialmente assustado, o líder percebeu que precisaria mudar a forma de trabalho, superando silos funcionais e organizando equipes pequenas e altamente capacitadas para projetos específicos, atuando como empreendedores.
“Acertem o básico”, orientava Khosla, incentivando a equipe a agir sem paralisia. O fracasso seria parte do processo de aprendizado.
Também houve mudança na relação com os clientes, focando esforços em contas estratégicas e formando times conjuntos para ampliar oportunidades.
Com o tempo, a divisão não só recuperou desempenho como superou as metas, ilustrando que metas arrojadas e liberdade para executar geram resultados extraordinários.
3. Anticipe-se e desafie a si mesmo
Para conquistar grandes avanços, é preciso coragem para quebrar as próprias convenções. Khosla narra sua experiência na Hindustan Unilever, onde um setor enfrentava forte competição no mercado de detergentes.
O lançamento da marca Wheel representou uma ruptura radical: produto fabricado em instalações simplificadas, marketing direcionado a zonas rurais, tudo oposto ao padrão tradicional da empresa.
Apesar da rejeição inicial da matriz, a equipe seguiu adiante, com o apoio de um executivo sênior que permitiu testes. O risco era alto, tanto profissionalmente quanto pessoalmente.
Khosla recorda a ansiedade da equipe, mas assegura que a inovação valia o risco. O sucesso foi esmagador e o modelo foi replicado em outras regiões.
Essa experiência mostra que desafiar o modelo de negócios estabelecido envolve riscos, mas é fundamental para desbloquear novas oportunidades de crescimento. Permanecer estático é caminho certo para a decadência.
4. Valorize a diversidade de opiniões
Nem todas as iniciativas para “voar” terão sucesso, por isso é importante saber ouvir e analisar diferentes pontos de vista para definir quando insistir ou recuar.
Khosla relata o exemplo de uma empresa que avaliava construir uma fábrica de US$ 200 milhões em uma região pouco desenvolvida do Brasil. Uma decisão de risco e elevada complexidade.
Para tomar essa decisão, promoveram um “Workshop de descoberta” com ampla participação e diversidade de ideias, reduzindo as opções até as mais promissoras.
Segundo Khosla, é arriscado que a decisão fique só nas mãos do líder. Esses workshops promovem a inclusão, dando espaço a todas as vozes, mas evitando que poucos dominem o debate.
Essas sessões são eficazes para direcionar investimentos, permitindo que as empresas escolham se devem apostar ou redirecionar seus recursos.
A fábrica no Brasil foi aprovada após o processo e se tornou uma das unidades mais modernas da companhia, com impacto significativo para os trabalhadores locais.
Khosla finaliza dizendo que os Workshops de descoberta são uma maneira eficaz de sair da zona de conforto e começar a decolar para novos patamares.



