ETF BOVA11 fica atrás em rentabilidade; setores defensivos e ouro lideram ganhos de 2025
Em 2025, os ETFs (fundos negociados em bolsa) que apresentaram os maiores rendimentos não foram os mais tradicionais, mas sim aqueles alinhados a setores considerados defensivos, dividendos, baixa volatilidade e ouro. Enquanto o BOVA11, que replica o Ibovespa e é o ETF mais negociado na B3, teve valorização de 34%, outros fundos focados nessas áreas superaram essa marca.
Por exemplo, o TIRB11, voltado para dividendos e administrado pelo BTG Pactual, obteve retorno de 51%, enquanto o BDEF11, que investe em setores defensivos pelo Bradesco, teve valorização de 47%. O ouro, representado pelo GOLD11 da XP Asset Management, registrou ganhos próximos de 47%, impulsionado por fatores estruturais e geopolíticos.
Christopher Galvão, analista da Nord Investimentos, explica que esse comportamento reflete um mercado em que investidores buscaram equilibrar oportunidades e proteção diante de um cenário de incertezas. O ambiente de 2025 começou com a bolsa brasileira avaliada abaixo da média histórica e com poucos investidores posicionados, atraindo quem via potencial de investimento. Porém, o risco eleitoral e o contexto macroeconômico favoreceram a busca por empresas mais resilientes, típicas dos ETFs de perfil defensivo e baixa volatilidade.
Desempenho dos principais ETFs em 2025
Segue o ranking dos ETFs que mais renderam no ano passado, segundo dados da Quantum Axis:
- TIRB11 (BTG Pactual) – dividendos – 51,88%
- BDEF11 (Banco Bradesco) – setores defensivos – 47,46%
- GOLD11 (XP Asset) – ouro – 46,65%
- FIND11 (Itaú) – financeiro – 46,25%
- TRIG11 (Trígono Capital) – small caps – 45,28%
- SPVT11 (Guide Investimentos) – empresas privadas – 42,68%
- LVOL11 (Nu Asset) – baixa volatilidade – 40,56%
- ECOO11 (BlackRock) – índice carbono eficiente – 38,03%
- BDOM11 (Investo) – exposição ao mercado doméstico – 36,56%
- ISUS11 (Itaú) – investimento sustentável – 35,47%
Fatores que impulsionaram os investimentos defensivos
Segundo Galvão, o destaque para os ETFs defensivos está relacionado ao investimento em setores essenciais como água, energia elétrica, gás e saneamento, conhecidos no mercado como utilities. Esses segmentos apresentam receitas estáveis e contratos corrigidos pela inflação, tornando-os atrativos em momentos de volatilidade.
Além disso, o desempenho favorável dos mercados emergentes elevou os ganhos do Ibovespa e também beneficiou nichos específicos, como as micro e small caps, evidenciados pelo bom resultado do TRIG11 e do BDOM11. Esses fundos capturam empresas menores, que tendem a ter maior potencial de valorização.
Ouro como proteção em tempos incertos
O ouro ganhou relevância em 2025 não somente pela valorização impulsionada pela demanda dos bancos centrais, principalmente da China — que vem substituindo títulos do Tesouro americano pelo metal —, mas também por ser considerado um ativo de proteção em ambientes de incerteza.
Galvão ressalta que, diante do cenário global mais instável, muitos investidores passaram a buscar o ouro para diversificar e proteger suas carteiras. Isso explica a posição de destaque do ETF GOLD11 entre os mais rentáveis do ano.
ETFs de nicho têm maior potencial, mas também mais volatilidade
O analista destaca que não é surpreendente que ETFs especializados tenham liderado os retornos, pois eles apresentam maior volatilidade justamente por focar em setores, mercados ou geografias específicas.
Quando a análise do cenário é correta, esses fundos podem superar ETFs mais generalistas, oferecendo performance superior. Portanto, a seletividade foi uma característica marcante para os investimentos em 2025.



