Pressão, desgaste emocional e pouco reconhecimento: como os brasileiros se sentem no trabalho
De acordo com a pesquisa Work Relationship Index realizada pela HP, apenas 29% dos trabalhadores brasileiros consideram possuir uma relação saudável com o trabalho. O estudo revela que a maioria dos profissionais enfrenta um ambiente de constantes pressões, altas demandas e sintonia limitada de reconhecimento.
A análise classifica os funcionários em três grupos: “Zona Saudável”, “Zona de Atenção” e “Zona Crítica”. O país apresenta um índice elevado na “Zona Crítica”, com 34% dos trabalhadores, representando um aumento de 9% em relação a 2024, refletindo um crescimento no desgaste emocional.
Mais da metade dos entrevistados sente que as exigências aumentaram sem o correspondente reconhecimento, enquanto 39% percebem que as empresas dão prioridade ao lucro em detrimento do bem-estar dos seus colaboradores. Além disso, 68% dos profissionais desejam passar menos dias trabalhando presencialmente, indicando uma busca por maior flexibilidade, que muitas organizações ainda não oferecem de forma satisfatória.
O papel da tecnologia e da inteligência artificial no ambiente profissional
A tecnologia surge como uma ferramenta crucial para aliviar os desgastes do trabalho cotidiano. Para 88% dos brasileiros, o uso de recursos digitais facilita o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, ajudando na organização das tarefas e no gerenciamento do tempo.
Além disso, o emprego da inteligência artificial está cada vez mais incorporado às rotinas laborais, com 90% dos profissionais utilizando algum tipo de IA em suas atividades no Brasil. No entanto, o acesso e a capacitação ainda estão restritos, com maior frequência de uso entre líderes e gestores de TI (49%), enquanto apenas 25% dos funcionários de escritório têm acesso diário à tecnologia.
Também houve uma redução na oferta de treinamentos adequados para o uso da IA, caindo de 79% em 2024 para 67% em 2025. Contudo, a pesquisa destaca que o uso contínuo da inteligência artificial está associado a uma melhor experiência e satisfação no trabalho, principalmente entre aqueles que se encontram na “Zona Saudável”.
A pressão é maior entre os jovens e o impacto nas novas gerações
O desgaste laboral é especialmente sentido pela Geração Z, que demonstra prioridades diferentes em relação às gerações anteriores. O estudo indica que 90% desses jovens estariam dispostos a receber menor remuneração se pudessem desfrutar de maior autonomia, flexibilidade e acesso à tecnologia no seu ambiente de trabalho.
Dentre esses profissionais, 57% já possuem uma fonte de renda adicional, estratégia adotada para complementar a remuneração e para aumentar o controle sobre seu tempo, refletindo tanto a pressão financeira quanto a insatisfação com os modelos tradicionais de trabalho.
Por outro lado, a convivência entre diferentes gerações nas empresas é vista como positiva, facilitando a troca de conhecimentos, principalmente no aprendizado de novas tecnologias e na construção de culturas mais colaborativas e flexíveis.



