Galípolo destaca ‘serenidade’ e compara Banco Central a ‘transatlântico, não jetski’
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, que a partir de março a instituição fará um ajuste gradual na taxa básica de juros, a Selic. Ele ressaltou que a condução da política monetária será feita com ‘serenidade’ e sem movimentos abruptos.
Em participação na CEO Conference promovida pelo BTG Pactual, Galípolo utilizou uma analogia para explicar a postura do BC: “O Banco Central é mais como um transatlântico do que um jet ski. Ele não pode promover grandes manobras ou mudanças rápidas, precisa se mover de forma moderada e segura”.
O presidente do BC esclareceu que a decisão de sinalizar a possibilidade de redução dos juros na última reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) aconteceu em função dos dados demonstrarem eficiência da política monetária, mas que o comitê optou por uma postura mais conservadora.
“O Copom escolheu ser mais cauteloso e aguardar 45 dias para iniciar o ciclo de redução dos juros com maior segurança. Vamos continuar analisando os dados com calma”, afirmou Galípolo.
Incertezas durante o ano e impacto das eleições
Ao comentar as perspectivas para o restante de 2026, Galípolo ressaltou que o cenário ainda é permeado por diversas incertezas, incluindo fatores externos como os Estados Unidos e o contexto político brasileiro, marcado por um ano eleitoral.
Atualmente, a taxa Selic está em 15% ao ano e a expectativa prevalente no mercado é que a redução comece com um corte de 0,50 ponto percentual.
Sobre as eleições, o presidente do BC destacou que elas aumentam o grau de incerteza, pois dependendo dos acontecimentos podem alterar percepções e a precificação do mercado financeiro.
“Essas situações são incorporadas com a institucionalidade que temos. É fundamental manter a serenidade para assimilar todos os fatores sem alterar a nossa função de reação, que permanece constante”, explicou.
Galípolo enfatizou ainda que a postura do Banco Central não será modificada em função do calendário eleitoral, já que as decisões da autoridade monetária consideram um horizonte de 18 meses.
“Nossa abordagem é neutra em relação às eleições e responderemos estritamente com base no papel do BC e da política monetária. Não será adequado alterar nossas reações a cada nova pesquisa eleitoral. Essa não é a missão do Banco Central”, afirmou.



