Allos (ALOS3) aposta em dividendos elevados para fortalecer renda recorrente e intensifica competição com FIIs; qual opção é mais vantajosa?
A Allos anunciou a perspectiva de distribuir até R$ 1,8 bilhão em dividendos ao longo deste ano, reacendendo o debate sobre a competitividade entre ações de empresas de shopping centers e fundos imobiliários (FIIs) do mesmo setor no que se refere à geração de renda.
Essa análise ganhou força com a declaração da CFO da Allos, Daniella Guanabara, que destaca que investidores podem encontrar na companhia uma combinação entre previsibilidade nos pagamentos de proventos e potencial para valorização das ações, um equilíbrio que, segundo ela, os fundos imobiliários nem sempre conseguem garantir.
“O acionista da Allos já pode contar com o dividendo anunciado para 2026, além da possibilidade de conquistar ganhos via valorização das ações”, afirmou Guanabara em entrevista.
A empresa planeja distribuir valores mensais entre R$ 0,28 e R$ 0,30 por ação até o final do ano, com a intenção de manter uma remuneração elevada e constante nos anos seguintes.
“Nosso objetivo é continuar pagando dividendos expressivos. Claro que é uma orientação anual, pois a volatilidade no Brasil é imprevisível, mas nossa intenção é sermos sempre uma pagadora significativa”, explicou a executiva.
Comparação entre ações da Allos e fundos imobiliários
Segundo Guanabara, o diferencial da Allos, além de um portfólio de ativos expressivos, está na alta liquidez de suas ações no mercado secundário, com um volume médio diário negociado superior a R$ 150 milhões, facilitando a entrada e saída de investidores, sejam eles pessoas físicas ou institucionais.
Em contraponto, o maior fundo imobiliário em número de cotistas na bolsa, o Maxi Renda (MXRF11), que conta com mais de 1,3 milhão de investidores, apresenta liquidez diária em torno de R$ 18 milhões.
“Existem duas diferenças centrais entre a Allos e os FIIs: primeiro, nosso portfólio é bastante dominante; segundo, temos liquidez superior à média dos fundos”, afirmou a CFO.
Ela ressaltou que o investidor que mantém ações da Allos tem a segurança de risco menor devido ao dividendo já assegurado, e que, como o setor de shoppings demonstra resiliência, os resultados têm sido positivos, refletidos também na valorização das ações.
Desde início de janeiro, as ações ALOS3 subiram cerca de 11% na B3, e considerando os últimos 12 meses, a apreciação está em torno de 65%, passando de R$ 19,26 (em fevereiro de 2025) para R$ 31,64 atualmente.
Estrategicamente, parcerias com FIIs
Embora haja certa competição, Guanabara esclareceu que a relação da Allos com os fundos imobiliários é pautada em parcerias frequentes, especialmente nas estratégias de reciclagem do portfólio.
“Vendemos muitos ativos para fundos imobiliários, principalmente shopping centers menores que não se alinham mais com a escala da Allos. Fizemos desinvestimentos nesses imóveis, mas eles continuam gerando bons resultados para esses fundos”, comentou.
Exemplos relevantes incluem a venda, em 2023, de participações no Shopping Estação Curitiba e no Plaza Sul Shopping para o XP Malls (XPML11), em uma operação de aproximadamente R$ 200 milhões.
Também em 2023, a Allos negociou partes do Shopping Jardim Sul e do Bauru Shopping por cerca de R$ 444 milhões para o Hedge Brasil Shoppings (HGBS11).
Já neste ano, o fundo Genial Malls (MALL11) assumiu o compromisso de adquirir 45% do Rio Anil Shopping, em uma transação avaliada em R$ 172 milhões.
A concorrência pelas carteiras dos investidores
Ainda assim, até que ponto a maior liquidez das ações da Allos representa um diferencial frente aos FIIs? Felipe Sousa, analista de fundos alternativos do Andbank, considera que o avanço na previsibilidade dos dividendos alinhou mais proximamente as duas categorias de investimento.
“Embora ações e FIIs sejam classes distintas e os papéis mais voláteis, eles se tornaram comparáveis, assim como ETFs que distribuem rendimentos”, afirmou o analista, ressaltando que essa similaridade não implica equivalência entre os produtos.
Ele destacou que ações apresentam uma volatilidade naturalmente superior, o que pode causar insegurança para investidores iniciantes, recomendando para esses perfis a permanência em fundos imobiliários.
Impactos da tributação
Sousa corrobora o ponto de vista da CFO, apontando que para investidores com menor capital, as empresas de shopping centers podem oferecer a vantagem de ganhos de capital isentos de imposto de renda, desde que as vendas mensais não ultrapassem R$ 20 mil.
Por outro lado, os FIIs são tributados quando há valorização nas cotas, porém usufruem da isenção sobre os dividendos distribuídos, uma vantagem estrutural importante.
“Essa isenção é um benefício relevante para o segmento, mas a escolha do investimento não pode se basear apenas em vantagens fiscais; é fundamental considerar eficiência operacional, estrutura e governança”, afirmou Sousa.
Perspectivas operacionais e riscos
O analista comentou que os riscos enfrentados por empresas de shopping e fundos imobiliários são semelhantes, incluindo vacância, performance dos lojistas e reciclagem do portfólio, sendo o principal ponto distintivo o modelo adotado: enquanto a empresa de shopping administre diretamente os imóveis, os FIIs são proprietários que não gerenciam os ativos.
De acordo com Sousa, “Para carteiras focadas em ganho de capital, maior exposição às ações faz sentido, desde que o investidor esteja ciente da maior volatilidade envolvida”.



