Como O PT Vai Segurar Preços Da Petrobras Mesmo Com O Petróleo Em Alta

Como O PT Vai Segurar Preços Da Petrobras Mesmo Com O Petróleo Em Alta

Petróleo em alta: Adriano Pires afirma que PT tentará segurar preços da Petrobras pelo máximo possível

Adriano Pires, sócio fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) e apontado como possível futuro presidente da Petrobras, comenta sobre a atual situação da estatal diante dos altos preços do petróleo no mercado internacional. Segundo ele, a Petrobras encontra-se em melhor posição do que em tempos anteriores, devido à sua forte condição como exportadora e ao baixo custo de extração no pré-sal.

Segundo Pires, o preço elevado do petróleo internacional tende a aumentar a receita e o caixa da empresa, o que explica a valorização das ações de grandes petroleiras globais, como ExxonMobil, Shell, Prio e Brava Energia. Ainda assim, ele destaca que o risco político permanece como fator decisivo para a Petrobras, já que o governo pode intervir para evitar repasses integrais dos aumentos ao consumidor final, reduzindo assim o lucro da estatal em comparação com suas concorrentes.

O especialista aponta que, diante desse cenário, a tendência do governo, especialmente sob influência do PT, é controlar os reajustes dos preços da gasolina e do diesel o máximo possível para evitar transtornos à população. Contudo, ele alerta para um perigo significativo caso os preços internos fiquem defasados em relação ao mercado externo, o que poderia desencorajar importadores privados a trazerem combustíveis para o Brasil, elevando o risco de desabastecimento. Nesse caso, a Petrobras seria obrigada a importar combustível a preços mais altos e vendê-lo mais barato, causando prejuízos reais à companhia.

A Petrobras tem monitorado atentamente os impactos do conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, especialmente após ataques que atingiram instalações de petróleo da Arábia Saudita e provocaram o fechamento do Estreito de Ormuz – passagem pela qual circula cerca de 20% da produção mundial do petróleo. Esse movimento gerou tensão no mercado e impulsionou o aumento do preço da commodity.

Análise do contexto geopolítico e preços do petróleo

Com o agravamento da crise no Oriente Médio, os preços do petróleo tiveram forte valorização. Pires explica que, embora os valores tenham subido, a dinâmica atual do mercado global difere de episódios anteriores. Atualmente, a oferta de petróleo e gás cresce mais rapidamente que a demanda, especialmente por conta de países fora da Opep, como Brasil, Guiana e Estados Unidos, que atuam como amortecedores frente às crises geopolíticas.

O especialista projeta que se o conflito na região persistir por duas semanas, o preço do barril deve oscilar em torno de US$ 80. Caso se estenda a cinco semanas, pode atingir US$ 100. Se o embate for prolongado e causar maiores interrupções na oferta, o preço pode chegar a US$ 120, conforme previsões de instituições como o JPMorgan.

Um ponto pouco discutido, segundo Pires, é o impacto no mercado de gás natural. O Catar, um dos maiores exportadores globais de gás natural liquefeito (GNL), teria reduzido parte da produção, o que já elevou em 50% os preços na Europa. Como o gás é fundamental para geração de energia elétrica, uso residencial e na indústria, essa situação pode gerar uma pressão inflacionária considerável.

Cenário brasileiro e eleições

Quatro anos atrás, a invasão da Ucrânia pela Rússia elevou rapidamente os preços do petróleo acima dos US$ 100, gerando um choque inflacionário global que afetou também o Brasil. Naquela época, a política de preços da Petrobras provocou reajustes significativos nos combustíveis, levando a medidas emergenciais para tentar conter o impacto, como a redução de impostos pelo governo do então presidente Jair Bolsonaro.

O aumento dos preços, especialmente da gasolina, atingiu fortemente categorias como motoristas de aplicativo e caminhoneiros, influenciando o ambiente político das eleições presidenciais em 2022. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu “abrasileirar” os preços e, em 2023, já adotou políticas para tentar segurar os valores, postura que deve se repetir em 2026, ano eleitoral e marcado por possíveis pressões para reajustes.

Assim, a Petrobras ainda tem ferramentas para postergar aumentos dos combustíveis no mercado interno, embora o contexto externo permaneça desafiador devido ao conflito no Oriente Médio e seus desdobramentos.

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