Bitcoin enfrenta maior queda mensal desde a crise de 2022 e levanta dúvidas sobre seu status como “ouro digital”

Na terça-feira (24), o Bitcoin intensificou sua baixa e está prestes a registrar o pior mês desde o colapso do mercado cripto ocorrido em 2022. A criptomoeda chegou a cair 2,9%, valendo US$ 62.701, e estava sendo negociada próxima a US$ 63.150 às 7h em Nova York.

Durante o mês de fevereiro, o Bitcoin acumulou uma desvalorização superior a 19%, configurando seu desempenho mensal mais fraco desde junho de 2022, época marcada pelo desmoronamento da stablecoin TerraUSD, que desencadeou uma série de falências, como as do fundo de hedge Three Arrows Capital e da plataforma de crédito BlockFi.

Além disso, o Bitcoin está prestes a marcar o quinto mês consecutivo de queda, a sequência negativa mais prolongada desde 2018, quando o mercado cripto enfrentou grandes dificuldades após uma explosão de ofertas iniciais de moedas (ICOs).

Esse movimento de baixa, que tem se desenrolado desde outubro, acompanha um clima geral de aversão ao risco nos mercados globais, especialmente após o presidente Donald Trump ter anunciado um aumento global das tarifas para 15%. Essa decisão impactou negativamente os investidores, refletindo em retrações nas ações e outros ativos considerados mais arriscados.

Rachael Lucas, analista da BTC Markets, afirmou que “a decisão do presidente Trump de elevar as tarifas globais para 15% afetou os ativos de risco de forma significativa, e o Bitcoin não ficou imune a essa movimentação”. Ela destacou que, apesar de o Bitcoin ser frequentemente chamado de “ouro digital”, ele ainda se comporta como um ativo de risco, reagindo amplamente ao aumento do medo macroeconômico, enquanto o capital tende a migrar para refúgios tradicionais.

As consequências da crise do mercado cripto de 2022 seguem afetando o setor. Na segunda-feira, o administrador judicial da Terraform Labs, responsável pela stablecoin TerraUSD, entrou com uma ação contra o Jane Street Group, acusando-o de usar informações privilegiadas para negociar antecipadamente, o que teria acelerado o colapso da empresa. A Jane Street, por sua vez, descreveu o processo como “desesperado” e uma tentativa clara de obter compensação financeira.

Pressões e níveis de suporte no Bitcoin

Desde o início da queda acentuada há quatro meses, o mercado de criptomoedas tem sido dominado por um sentimento de cautela. O Bitcoin perdeu diversos suportes importantes enquanto seu valor caía. Pratik Kala, gestor de portfólio da Apollo Crypto, destacou que os investidores estão enfrentando dificuldades para identificar algum fator de curto prazo capaz de impulsionar os preços.

Kala também chamou atenção para a pressão sofrida pelas mineradoras, lembrando a decisão da Bitdeer Technologies de vender todo o seu estoque de Bitcoin. Com o custo médio total para mineração em torno de US$ 80 mil, muitas mineradoras operam abaixo da sua linha de equilíbrio e provavelmente continuarão vendendo seus ativos no futuro próximo.

Além disso, na segunda-feira, os ETFs de Bitcoin à vista negociados nos EUA apresentaram saídas superiores a US$ 200 milhões, enquanto o mercado de opções ainda mostrava uma demanda por proteção contra quedas que é quase o dobro das apostas otimistas.

Um dos próximos pontos de suporte importantes está em US$ 60 mil, valor que o Bitcoin chegou perto de atingir no início deste mês. A criptomoeda está se aproximando de sua média móvel de 200 semanas, atualmente em US$ 58.503, conforme analisou Tony Sycamore, especialista da IG Australia, que ressaltou que o comportamento do preço em relação a esse patamar pode indicar se o mercado vai se estabilizar.

Caso o preço caia abaixo da faixa de suporte entre US$ 58 mil e US$ 60 mil, é provável que haja uma retração mais profunda no mercado, segundo Sycamore.

Pressão também no mercado cripto em geral

O ambiente negativo não atinge só o Bitcoin: o valor total de mercado das criptomoedas caiu mais de US$ 120 bilhões entre segunda e terça-feira, conforme dados da CoinGecko. O Ether, segunda maior moeda digital, teve uma queda de até 2,9%, sendo negociado a US$ 1.812 na terça-feira.

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