Revolut aposta em ‘golpe de sorte’ na Fórmula 1 para expandir sua presença no Brasil
A fintech Revolut desembarcou no Brasil em 2022 de maneira discreta, oferecendo inicialmente serviços de câmbio e contas internacionais com baixo investimento em publicidade, alinhada à sua estratégia global. Em 2025, a empresa-mãe decidiu transformar sua abordagem e fazer um movimento ousado: tornar-se patrocinadora principal de uma equipe de Fórmula 1. Assim, foi criada a equipe Audi Revolut, que estreará na temporada de 2026, dando nome à escuderia e aumentando a visibilidade da marca.
Para a operação brasileira, o CEO Glauber Mota classificou essa oportunidade como um “golpe de sorte”, especialmente pelo fato de o piloto brasileiro Gabriel Bortoleto ter assinado com a equipe, o que potencializa a ligação do público nacional com o time.
Segundo Mota, o fato de Bortoleto ter escolhido a Audi Revolut, apesar de possivelmente ter recebido outras ofertas, foi um diferencial e um motivo para que a empresa aproveite esse momento para consolidar a marca no país.
Tradicionalmente, a Revolut atua em 40 países e registra crescimento majoritariamente por indicação, com pouco investimento em marketing. No entanto, ao alcançar mais de 50% do market share em algumas localidades, o crescimento orgânico se torna mais difícil, e campanhas passam a ser necessárias.
Diante disso, a fintech londrina optou por patrocinar esportes, inicialmente entrando no futebol e depois na Fórmula 1, modalidade que oferece uma abrangência internacional significativa por um custo único.
Lançamentos estratégicos: cartão Ultra e isenção de IOF
No início de março, durante a primeira etapa da temporada de Fórmula 1, que ganhou ainda mais destaque com o retorno das transmissões pelo Grupo Globo, a Revolut lançou novos produtos no Brasil. Entre eles estão cartões de crédito, novas opções de investimento com rendimento de até 120% do CDI e a funcionalidade de enviar e receber recursos do exterior sem cobrança de IOF e spread, limitado a determinadas transações por plano.
Além disso, a fintech entrou no segmento premium com o cartão Ultra, que oferece diversos benefícios, como acesso ilimitado a salas VIP, acúmulo de até 3 pontos por dólar gasto convertidos em milhas de companhias aéreas como Gol, Latam, Iberia e TAP, e assinaturas digitais de serviços como Financial Times, Duolingo e Tinder.
O cartão Ultra não impõe restrição de renda para os usuários, apenas a mensalidade, que pode chegar a R$ 249,99, dependendo do volume de gastos, podendo ser completamente isenta para quem despender R$ 30 mil mensalmente no crédito.
Para conseguir ofertar um pacote de benefícios robusto e competitivo, a Revolut mantém uma estrutura enxuta, com cerca de 100 colaboradores no Brasil mais outros 120 em um centro de serviços compartilhados, que desenvolvem projetos globais geradores de receita.
O CEO destaca que a estratégia consiste em lançar inicialmente uma vasta gama de vantagens para depois analisar o uso dos clientes e decidir quais permanecerão, adaptando-se às mudanças comportamentais e à concorrência. Um exemplo dado foi a diminuição do interesse em cashbacks, que deu lugar à preferência por programas de milhagem.
Perspectivas de crescimento no mercado brasileiro
Globalmente, a Revolut conta com 70 milhões de clientes, embora a empresa não revele o número total de usuários no Brasil. Em 2024, registrou receita de US$ 4 bilhões, aumentando 72% em relação a 2023, e um EBITDA de US$ 1,4 bilhão.
A operação nacional está em processo de expansão e deverá se mudar para um escritório maior na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.
Glauber Mota destaca que o mercado fintech no Brasil está aquecido e observa que os consumidores normalmente utilizam diversos aplicativos financeiros simultaneamente, sem necessariamente substituir um por outro ao aderir a novos serviços.
Dessa forma, o setor ainda está em expansão e não configura uma competição em que um player precisa tomar clientes de outro, já que os usuários diversificam o uso conforme suas necessidades.



