Calendário de balanços: expectativas para Cosan, CSN, Magalu e Casas Bahia nesta semana
A nova semana de resultados do quarto trimestre inclui nomes de destaque no mercado brasileiro, com empresas como Cosan e CSN divulgando seus dados. Além dessas gigantes do setor de commodities, grandes varejistas e construtoras também apresentarão seus balanços nos próximos dias.
Segunda-feira (9 de março)
Cosan (CSAN3)
Os investidores aguardam sinais de que 2026 será um ano de transformação para a holding, especialmente em relação às negociações sobre a capitalização da Raízen, joint venture da Cosan com a Shell. Em setembro do ano passado, a companhia liderada por Rubens Ometto realizou um aumento de capital superior a R$ 10 bilhões, com a entrada do BTG Pactual e da gestora Perfin no quadro acionário.
A empresa está diante do desafio de reduzir seus riscos financeiros enquanto retoma a eficiência operacional, e os números do quarto trimestre serão os primeiros após essa injeção de recursos.
Quanto à Raízen, sua situação financeira delicada representa um ponto crítico, com uma dívida líquida que ultrapassa R$ 50 bilhões. A reestruturação financeira, por meio de aporte ou recuperação extrajudicial, é uma necessidade urgente já discutida internamente.
Também está em curso o pedido de registro para o IPO da Compass Gás e Energia, controlada da Cosan que administra a Comgás. A oferta será secundária, sem emissão de novas ações, com o objetivo de captar R$ 5 bilhões para os cofres da holding.
O preço-alvo médio das ações para os próximos 12 meses é estimado em R$ 8,83, sem previsão de dividendos.
MRV (MRVE3)
Os dados preliminares indicam vendas robustas no quarto trimestre, porém a rentabilidade ainda gera dúvidas no mercado.
Uma grande preocupação é se a empresa conseguiu controlar o uso de caixa, que tem superado expectativas negativas em trimestres anteriores.
Espera-se um progresso gradual nas margens operacionais no Brasil, impulsionado pelo repasse dos custos aos consumidores e pelo novo mix de produtos do programa Minha Casa Minha Vida, especialmente a faixa 4 destinada a famílias com renda mensal entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil.
O consenso do mercado fixa o preço-alvo para os próximos 12 meses em R$ 10,72, sem previsão de pagamento de dividendos.
Terça-feira (10 de março)
Prio (PRIO3)
A petroleira tem mantido foco na eficiência operacional e se beneficiado do cenário favorável do preço do petróleo, em meio à guerra no Oriente Médio. A Prio tem sido alternativa para investidores que buscam reduzir exposição à Petrobras em um ano eleitoral.
Os analistas esperam volumes sólidos de produção, especialmente nos campos de Frade e Albacora Leste, enquanto a empresa deve manter baixos seus custos de extração.
Investidores também estarão atentos a possíveis aquisições, ao desenvolvimento do campo de Wahoo, e à capacidade financeira para distribuir dividendos futuramente.
O preço-alvo médio projetado para 12 meses é de R$ 56,70, sem previsão de dividendos.
Quarta-feira (11 de março)
CSN (CSNA3)
O setor de mineração e siderurgia enfrenta desafios com a demanda chinesa e custos locais. A CSN planeja vender participações nas subsidiárias CSN Cimento e CSN Infraestrutura ao longo do ano, visando reduzir o endividamento em até R$ 18 bilhões.
Espera-se que a produção de aço se mantenha estável, apesar da pressão sobre as margens causada pelo aumento dos custos de insumos, energia e concorrência de aço importado, principalmente da China.
O desempenho da subsidiária de mineração, CMIn, será fundamental, com previsão de geração positiva de fluxo de caixa livre, observando o volume de exportações.
O indicador de alavancagem financeira – a relação entre dívida líquida e Ebitda – está em 4,8 vezes, o que demonstra uma situação delicada, pois o patamar saudável é até duas vezes.
O preço-alvo médio para 12 meses é de R$ 10, com dividendos previstos de 8,9% para as ações da CSN Mineração (CMIN3).
Casas Bahia (BHIA3)
A empresa segue com seu plano de reestruturação, focando em rentabilidade ao invés do crescimento por volume. Em agosto de 2025, a gestora Mapa Capital assumiu o controle do grupo, com 85% das ações, após conversão das debêntures adquiridas do Bradesco e Banco do Brasil.
O novo controlador reafirmou o compromisso com a eficiência operacional.
O mercado aguarda indicações de maior foco em serviços e no marketplace, além de observar se a redução de custos fixos e o fechamento de lojas têm trazido impacto positivo no lucro operacional.
Um dos maiores desafios continua sendo estabilizar o caixa e demonstrar que o pior da reestruturação financeira ficou para trás. O término do plano em dezembro de 2025 permitiu uma diminuição de aproximadamente R$ 3 bilhões no endividamento.
O preço-alvo consenso para os próximos 12 meses é de R$ 3,90, sem previsão de dividendos.
Quinta-feira (12 de março)
Magalu (MGLU3)
Em dezembro, a Magalu lançou a loja-conceito Galeria Magalu, localizada no Conjunto Nacional, em São Paulo, que tem potencial para alcançar vendas até 10 vezes maiores do que as lojas tradicionais.
A varejista está concentrando esforços para melhorar sua eficiência operacional e mitigar os efeitos de um cenário competitivo acirrado e de consumidores com endividamento elevado.
Espera-se que o e-commerce tenha sido o principal motor de crescimento no trimestre, com ganhos na participação de mercado.
Após ter apresentado lucro em períodos anteriores, a incerteza é se a empresa manterá essa consistência diante dos juros ainda altos.
O crescimento do Magalu Ads, plataforma de publicidade para marcas e vendedores, e da Luizacred, serviço de crédito e produtos financeiros feito em parceria com o Itaú, é fundamental para sustentar a ampliação das margens.
O consenso para o preço das ações em 12 meses é de R$ 5,60, sem previsão de dividendos.



