Pixar e a Estratégia Para Renovar Franquias Disney

Pixar e a Estratégia Para Renovar Franquias Disney

Pixar Busca Retomar Sucesso em Franquias da Disney

O estúdio por trás de sucessos como Toy Story e Os Incríveis está tentando recriar o modelo de franquias que tanto sucesso trouxe para a Disney nas últimas décadas. Após quase uma década sem lançar um filme original de grande impacto, a Pixar tem focado novamente em conceitos amplos e histórias que possam gerar continuações.

Desafios na Criação de Novas Franquias

Pete Docter, diretor criativo da Pixar, reconhece que a dificuldade do estúdio em encontrar a próxima franquia de grande sucesso pode estar ligada às suas próprias decisões. Segundo ele, no início de sua gestão, deu muita liberdade aos novos diretores para criarem filmes altamente autorais, baseados em experiências pessoais, o que nem sempre gera conexão ampla com o público.

Filmes dirigidos por Docter, como Monstros S.A., Up: Altas Aventuras e Divertida Mente, fizeram parte de uma sequência notável de sucessos entre 1995 e 2019, que geraram franquias lucrativas para a Disney, como Carros, Ratatouille e Toy Story. Contudo, desde Viva – A Vida é uma Festa (2017), o estúdio não conseguiu emplacar um grande sucesso original.

Após alguns lançamentos decepcionantes, culminando no fracasso comercial de Elio em 2025, Docter tem orientado a equipe a retornar aos temas universais que marcaram a Pixar, como brinquedos falantes e monstros no armário, conteúdos mais acessíveis para diferentes públicos.

O Novo Caminho com ‘Cara de Um, Focinho de Outro’

O mais recente lançamento, Cara de Um, Focinho de Outro, exemplifica essa mudança. O filme, uma comédia sobre uma menina cuja consciência é transferida para um castor e que conversa com animais, estreia com críticas positivas, mas enfrenta um cenário complicado, no qual filmes originais têm dificuldade para atrair o público às salas de cinema.

Enquanto isso, o maior sucesso recente em animação original foi Guerreiras do K-Pop, filme lançado via streaming na Netflix, um modelo de negócio diferente daquele da Disney, que depende principalmente da bilheteria nos cinemas.

A Estratégia da Disney e a Busca por Novas Franquias

Com a substituição no comando da Disney, onde Bob Iger está preparando a transição para Josh D’Amaro, a companhia busca renovar seu portfólio de franquias, que hoje conta com marcas de peso como Os Vingadores e Avatar.

Para isso, a Pixar mudou seus critérios de aprovação, considerando sempre o potencial de franquias e continuações durante a seleção de filmes originais. Atualmente, o estúdio produz mais sequências do que originais, com lançamentos previstos como Toy Story 5, Os Incríveis 3, Viva 2 e um terceiro Monstros S.A. em desenvolvimento.

Segundo Jim Morris, presidente da Pixar, essa estratégia é necessária para garantir a rentabilidade e a continuidade do estúdio.

A Influência da Saída de John Lasseter

Até 2018, John Lasseter, co-criador de Toy Story, tinha papel decisivo nas produções da Pixar e presidia o grupo de diretores conhecido como “braintrust”. Após sua saída por acusações de comportamento inadequado, Pete Docter assumiu como líder criativo, apesar de relutar inicialmente por preferir focar na direção de filmes.

Docter é descrito pelos colegas como um líder mais paciente e menos autoritário, dando menos feedback direto e evitando conflitos, o que impactou nos tipos de filmes produzidos recentemente — em sua maioria foco em histórias pessoais de seus diretores.

Resultados e Lições Recentes

Filmes originais lançados sob a nova gestão, como Luca e Red: Crescer é uma Fera, foram recebidos com interesse, mas tiveram lançamentos prejudicados pela pandemia e pela estratégia de lançamento direto em streaming, visando atrair assinantes para a plataforma da Disney.

Apesar de boas recepções iniciais, esses filmes não repercutiram tão amplamente quanto Encanto, do estúdio Walt Disney Animation, que conseguiu se consolidar como uma nova franquia de sucesso desde 2020.

Incertezas aumentaram após o fracasso de Buzz Lightyear (2022) nos cinemas e o modesto desempenho comercial de Elementos (2023). Para enfrentar isso, Docter convocou sua equipe ao final de 2023 para reconhecerem os erros em investir demais em filmes autobiográficos e direcionar os esforços a produções mais comerciais.

Projetos foram cancelados e filmes como Elio passaram por reformulações, sem evitar um prejuízo estimado de mais de US$ 100 milhões para a Disney.

Novos Projetos e Perspectivas

Além de Cara de Um, Focinho de Outro, que aposta em uma comédia mais leve e menos emocional, a Pixar está desenvolvendo seu primeiro musical, dirigido por Domee Shi (de Red: Crescer é uma Fera), além de outros projetos originais, incluindo Gatto e Ono Ghost Market.

Estima-se que a estreia de Cara de Um, Focinho de Outro nos Estados Unidos alcance cerca de US$ 40 milhões, um crescimento em relação a Elio, mas ainda significativamente inferior ao impacto do primeiro filme de Divertida Mente.

Apesar dos desafios financeiros, Docter demonstra otimismo e acredita que o estúdio continuará relevante para a Disney e seu público, apostando na qualidade dos filmes: “Se vamos fazer filmes ruins, é melhor fechar. Prefiro arriscar tentando criar algo em que realmente acreditamos.”

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