Nova campanha, especulações de venda e impacto do conflito no Irã: o que esperar da Ipiranga em 2026
Após um crescimento robusto em 2025, a rede de postos Ipiranga, controlada pelo Grupo Ultra, está em um momento de movimentações estratégicas importantes para o ano de 2026. A empresa anunciou um investimento de R$ 1,28 bilhão para sustentar a expansão, lançou a campanha publicitária “Lá a parada é completa” e ainda está envolvida em negociações que indicam uma possível venda de participação no negócio. Paralelamente, a instabilidade gerada pelo conflito entre Irã e Estados Unidos exerce pressão sobre o mercado global de petróleo, influenciando o cenário brasileiro. Apesar disso, a expectativa da rede é acelerar seus avanços no próximo ano.
Crescimento operacional e desempenho financeiro
Em 2025, a Ipiranga superou o crescimento médio do setor, alcançando um aumento de cerca de 8% no volume comercializado, conforme relatado por Júlio Sattamini, vice-presidente de marketing e desenvolvimento de negócios da empresa. Ao todo, foram vendidos 23,9 milhões de metros cúbicos de combustíveis, com destaque para o quarto trimestre, que registrou um crescimento de 7% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Nos resultados financeiros, essa evolução refletiu-se em um EBITDA recorrente de R$ 1,1 bilhão apenas no último trimestre de 2025. Atualmente, a operação da Ipiranga abrange cerca de 6 mil pontos de venda pelo Brasil, mais de 7 mil clientes corporativos e 85 unidades operacionais, movimentando aproximadamente 2 milhões de abastecimentos diários e totalizando uma receita líquida de R$ 127,633 bilhões, o que representa um crescimento de 5% frente a 2024.
Possível venda no horizonte e posição da empresa
Em meio a essa consolidação, circulam rumores sobre uma possível venda de parte da Ipiranga. Cabe lembrar que o Grupo Ultra é o único acionista controlador e conduz diretamente as decisões relacionadas a eventuais negociações envolvendo a rede.
“Esse assunto pertence ao Grupo Ultra. A Ipiranga, enquanto empresa, não está à venda. Se eu fosse comentar, não teria informações para compartilhar, pois a questão está no âmbito do acionista”, afirmou o vice-presidente Júlio Sattamini. O executivo também destacou que a companhia se encontra em uma fase favorable, afirmando que o negócio é mais forte hoje do que há quatro anos, quando iniciou uma profunda reestruturação.
Procurada pela reportagem, a assessoria do Grupo Ultra destacou que não comenta sobre o assunto e que divulgam informações relevantes ao mercado sempre em conformidade com as normas vigentes.
Impactos do conflito no Irã e volatilidade dos preços
Outro fator que tem chamado atenção em 2026 é a instabilidade do mercado internacional de petróleo, causada pelo agravamento do conflito entre Irã e Estados Unidos. Apesar de o Brasil produzir parte dos combustíveis consumidos internamente, ainda depende significativamente da importação, especialmente do diesel.
Conforme explica Sattamini, cerca de 30% do diesel consumido no país é proveniente do exterior, o que torna o Brasil vulnerável às variações globais. “O cenário atual traz oscilações bruscas e rápidas nos custos, com mudanças repentinas em curtos intervalos de tempo”, enfatizou ele.
Essas flutuações acarretam aumento no custo médio da aquisição de combustíveis para as distribuidoras. Para mitigar esse impacto, a Ipiranga tem adotado estratégias específicas de compra e precificação. Em levantamento recente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), verificou-se que, na segunda-feira, 9 de março, os preços praticados pela Petrobras estavam defasados em relação à paridade internacional: o diesel custava R$ 2,74 por litro abaixo do preço internacional e a gasolina apresentava defasagem de R$ 1,22 por litro.
Mesmo com essa defasagem e sem reajustes há cerca de 300 dias, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, indicou na época que pretende manter a estabilidade dos preços no curto prazo, indicando cautela no mercado interno.
Nova campanha reforça conceito de “posto completo”
Para 2026, a Ipiranga lançou a campanha nacional “Lá a parada é completa”, que estreou nesta semana. A comunicação destaca o posicionamento da rede como um centro de serviços integrados para os motoristas, caracterizando os postos como locais que oferecem soluções completas para o usuário, do abastecimento a serviços e conveniência.
“Essa campanha reforça o que a empresa já vem consolidando há anos: a Ipiranga como um ponto de soluções diversificadas para o motorista e seu veículo”, comentou Sattamini. A iniciativa retoma o tom humorístico tradicional da marca e apresenta um mascote digital que remete ao personagem do antigo slogan “Pergunta lá”, que será incorporado nas futuras campanhas e interações.
Nos últimos anos, a companhia promoveu diversas inovações, como o lançamento da linha de combustíveis Ipimax, atualização visual dos postos, aprimoramento do serviço Jet Oil e reestruturação das lojas de conveniência am/pm. “Essa campanha é a culminação de tudo que fomos construindo recentemente”, ressaltou o vice-presidente.
Expansão da maior rede de franquias de padarias do Brasil
As lojas am/pm, que funcionam dentro dos postos Ipiranga, também têm ganhado destaque, configurando-se como a maior rede de franquias de padarias no país. Atualmente, a rede conta com mais de 700 unidades e realiza cerca de 9,1 milhões de transações mensais.
Em 2025, essas operações faturaram R$ 2,2 bilhões, um aumento de 9% comparado ao ano anterior. No último trimestre do ano, o segmento atingiu o maior volume bruto de mercadorias (GMV) registrado até hoje, chegando a R$ 600 milhões.
Expectativa de acelerar o ritmo em 2026
Mesmo diante de incertezas geopolíticas e das especulações sobre a venda de participação, a Ipiranga planeja dar continuidade ao seu crescimento. O Grupo Ultra prevê direcionar os R$ 1,28 bilhão investidos em 2026 para várias frentes, incluindo:
- Padronização e embandeiramento de postos;
- Fortalecimento da infraestrutura logística;
- Ampliação do segmento de Transportador-Revendedor-Retalhista (TRR);
- Expansão do ecossistema de serviços, contemplando conveniência e itens automotivos.
Além disso, a empresa pretende fomentar o relacionamento com seus clientes por meio do programa de fidelidade KMV, que já conta com 38 milhões de participantes.
No campo da transição energética, a Ipiranga acompanha ativamente essa transformação. Destaca-se como uma das maiores comercializadoras de biocombustíveis no Brasil, movimentando cerca de 17% do volume total nacional. Também apoia iniciativas de eletrificação, incentivando revendedores a instalarem pontos de recarga elétrica em seus postos em parceria com fabricantes como a WEG.
“A transição energética tem ganhado grande relevância e estamos acompanhando essa movimentação de forma ativa”, enfatizou Sattamini.
Com esses preparativos, a Ipiranga se posiciona neste início de 2026 com uma base consolidada. “Estamos muito bem colocados no mercado. Não enfrentamos uma crise, temos uma operação sólida e pronta para continuar crescendo”, conclui o vice-presidente.



