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PIB Em Alta E Gestão Fiscal Na Administração Haddad

PIB Em Alta E Gestão Fiscal Na Administração Haddad

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PIB em alta e aumento da dívida pública: análise da gestão de Fernando Haddad em 10 gráficos

Fernando Haddad está deixando o Ministério da Fazenda com controle da inflação e mercado de trabalho aquecido, mas as contas públicas permanecem sendo motivo de preocupação para os economistas.

Nos últimos anos, a economia superou as expectativas, apresentando crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), inflação sob controle e um mercado trabalhista favorável. Mesmo assim, a relação entre Haddad, do PT, e o mercado financeiro alternou entre momentos de confiança e dúvidas.

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Após pouco mais de três anos à frente da pasta, especialistas avaliam que Haddad não avançou em reformas fundamentais para garantir a sustentabilidade econômica no longo prazo, especialmente devido à dificuldade para controlar os gastos públicos, evidenciada por constantes revisões e alterações nas metas fiscais.

A seguir, detalhamos os principais números que refletem o desempenho econômico e fiscal durante o período em que Haddad comandou o Ministério da Fazenda.

Desafios no controle das despesas públicas

Embora Haddad tenha conseguido conquistar parte do mercado financeiro em seu início de mandato com um discurso que enfatizava o ajuste fiscal e o controle dos gastos, ele enfrentou resistência dentro do próprio governo para implementar suas propostas.

Logo nos primeiros dias de 2023, Haddad afirmou que não aceitaria o déficit orçamentário previsto para aquele ano e que trabalharia para reduzi-lo. Um ponto positivo apontado por analistas foi a postura do ministro em manter diálogo constante com o mercado e mostrar transparência nos objetivos econômicos do governo.

Em 2023, com a aprovação do arcabouço fiscal, Haddad demonstrou compromisso com as finanças públicas. Contudo, o resultado anual mostrou um déficit de R$ 249 bilhões, valor elevado que impactou negativamente a percepção do mercado.

O economista Felipe Salto destaca que, mesmo herdando despesa da administração anterior, Haddad contribuiu para o aumento dos gastos, ao manter regras que aumentam automaticamente as despesas e não promover alterações em benefícios como aposentadorias, abono salarial, seguro-desemprego e Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Em 2024, o déficit foi reduzido para R$ 47,6 bilhões — uma queda superior a 80% em relação ao ano anterior. Contudo, dificuldades no orçamento, problemas para cortar despesas e a autorização de gastos fora das metas fiscais continuaram causando desconfiança no mercado financeiro em relação à gestão do ministro.

Em abril de 2024, o governo propôs reduzir as metas de superávit primário para os anos seguintes, conforme projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Com isso, a previsão de superávit para 2025 foi adiada para 2026, aumentando o espaço para os gastos públicos, o que gerou críticas e levantou temores sobre possíveis manobras contábeis.

Aumento da arrecadação e desafios para conter os gastos

Apesar das tentativas de Haddad para garantir a confiança nas contas públicas, especialistas apontam a ausência de medidas concretas para o corte de despesas.

Em novembro de 2024, o ministro anunciou um pacote para economizar R$ 70 bilhões em dois anos, porém, no mesmo anúncio, foi ampliada a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, uma promessa de campanha vista como aumento de despesas.

Segundo analistas, a dificuldade para reduzir gastos também decorreu da resistência do Congresso Nacional, que enfraqueceu muitas propostas de ajuste.

Entre as medidas para aumentar a arrecadação destacam-se o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e a implementação da “taxa das blusinhas”, que consiste na cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50.

Embora haja ações para elevar a arrecadação, a carga tributária tem impacto na economia e a dívida pública bruta em relação ao PIB cresceu cerca de sete pontos percentuais desde o início da gestão Haddad, atingindo 78,66%. Para 2026, o Tesouro Nacional projeta que essa relação alcance 83,6%.

Os especialistas afirmam que, apesar de não ser uma situação fiscal desastrosa, o déficit primário ainda não está compatível com uma trajetória sustentável para a dívida pública.

Avanços na reforma tributária

Apesar das dificuldades fiscais, Haddad é reconhecido pelo papel na defesa e na aprovação da reforma tributária, que vinha sendo debatida há mais de 30 anos no Congresso.

Aprovada em dezembro de 2023, a reforma instituiu o imposto sobre valor agregado (IVA), estabeleceu uma cesta básica nacional isenta de tributos e criou o Imposto Seletivo, conhecido como “imposto do pecado”.

Embora não seja o modelo ideal, esta reforma deve trazer benefícios para a economia brasileira a médio e longo prazo e é considerada um ponto positivo da gestão Haddad.

Porém, especialistas ressaltam que ainda existem temas pendentes, especialmente relacionados à tributação sobre a renda e à revisão de despesas e benefícios fiscais. Por exemplo, a alíquota de 10% sobre a renda dos mais ricos é vista como um avanço, mas insuficiente para uma reforma ampla.

PIB cresce acima das expectativas mesmo com restrições fiscais

Apesar dos obstáculos para implementar um controle rígido dos gastos, Haddad conseguiu entregar resultados econômicos superiores às projeções em seu período no Ministério da Fazenda.

O PIB expandiu-se acima do esperado pelo mercado em todos os anos sob seu comando, e a inflação se manteve dentro da meta em dois dos três anos, graças principalmente à atuação rigorosa do Banco Central e à manutenção da taxa básica de juros em patamares elevados, mesmo diante das pressões do governo federal.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o crescimento do PIB em 2025 foi de 2,3%, o que representa o quinto ano consecutivo de expansão da economia, embora com desaceleração em relação ao ano anterior.

Parte dessa desaceleração está ligada à política monetária restritiva, com juros em 15% ao ano desde junho de 2025, e ao endividamento recorde das famílias, que reduziram o consumo.

Para o mercado financeiro, a decisão do Banco Central de manter sua independência e agir com autonomia é um fator positivo, contribuindo para o controle da inflação, cuja meta era bastante rigorosa, de 3%.

Assim, durante a gestão Haddad, não houve descontrole inflacionário ou sinais de abandono do compromisso de manter a inflação sob controle.

Bons resultados no mercado de trabalho e na renda

Como parte do legado da gestão, especialistas destacam ainda o desempenho positivo do mercado de trabalho e o crescimento da renda dos trabalhadores.

Em 2025, a taxa média de desemprego no Brasil foi de 5,6%, a menor desde o início da série histórica em 2012, enquanto o rendimento médio real dos ocupados alcançou R$ 3.560, representando um aumento de 5,7% em relação a 2024.

Esses indicadores, ligados ao crescimento econômico, superaram as expectativas do mercado e consolidaram avanços sociais durante o período de Haddad no Ministério da Fazenda.

Fonte

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