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Economia Prateada: Oportunidades Para Empreendedorismo Maduros

Economia Prateada: Oportunidades Para Empreendedorismo Maduros

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Economia prateada: oportunidades e empreendedorismo em um Brasil que envelhece

A população do Brasil está passando por um rápido processo de envelhecimento. Dados do IBGE indicam que até o ano de 2060, cerca de um terço dos brasileiros terá mais de 60 anos. Esse crescimento em números absolutos representa dezenas de milhões que vivem mais e transformam os padrões relacionados a consumo, trabalho e renda. A nível global, a ONU estima que o público com mais de 65 anos deve dobrar até 2050, ultrapassando a quantidade de crianças com menos de cinco anos.

Essa alteração demográfica traz consigo desafios para os sistemas fiscais e previdenciários, porém também abre portas para a chamada economia prateada, um novo campo econômico com grande potencial.

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Este conceito envolve todos os produtos, serviços e modalidades de negócios direcionados às pessoas com mais de 50 ou 60 anos, incluindo saúde preventiva, tecnologias assistivas, turismo, educação continuada, serviços financeiros, habitação e bem-estar. Conforme a consultoria Oxford Economics, essa categoria já movimenta mais de 15 trilhões de dólares globalmente e tende a expandir-se de forma consistente nas próximas décadas.

Apesar disso, é comum que muitas empresas foquem seus produtos e serviços no público mais jovem, criando um descompasso entre o mercado e a realidade demográfica atual.

Essa lacuna representa uma oportunidade para aqueles que se atentam às mudanças inevitáveis e se perguntam o que pode ser criado a partir delas. Em países como Estados Unidos e na Europa, startups que investem em longevidade atraem investimentos significativos, oferecendo soluções como cuidado domiciliar, monitoramento remoto da saúde, produtos financeiros para aposentadorias ativas e educação continuada.

No Brasil, apesar de estar em formação, esse mercado começa a ganhar espaço, contando com um papel de destaque exercido pelas mulheres.

Historicamente, as mulheres apresentam maior longevidade que os homens e atuam de forma relevante nos setores ligados à longevidade, como saúde, educação, alimentação, bem-estar e economia do cuidado. Além disso, seu engajamento no empreendedorismo vem crescendo. Atualmente, o país conta com aproximadamente 10 milhões de mulheres empreendedoras, muitas responsáveis pela principal fonte de renda de suas famílias. Pesquisa anual realizada pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora (RME) revela que a média de renda mensal dessas mulheres é de cerca de R$ 2.400, valor que frequentemente sustenta outras pessoas, demonstrando o peso econômico e social do empreendedorismo feminino.

No grupo de mulheres com mais de 50 anos, essa renda costuma ser maior. Muitas delas permanecem ativas além do período de aposentadoria, vendo no empreendedorismo uma forma de renda complementar e de continuidade profissional. Entre elas, encontram-se milhões de profissionais como doceiras, artesãs, cozinheiras e costureiras, dentre outras ocupações.

As empreendedoras maduras detêm experiência profissional e de vida acumulada, o que lhes permite identificar necessidades que ainda não são devidamente atendidas pelas empresas. Elas compreendem diretamente os desafios da longevidade, incluindo cuidado, autonomia financeira, saúde, mudança na carreira e qualidade de vida.

Esse cenário, aliado ao crescimento da economia prateada, gera oportunidades estratégicas e tem impulsionado o surgimento de soluções inovadoras. Negócios liderados por mulheres dedicados ao bem-estar na maturidade, educação para novos caminhos profissionais após os 50 anos, produtos financeiros moldados para a longevidade e serviços personalizados para um público que deseja continuar ativo são exemplos desse movimento.

O empreendedorismo deixa de ser apenas uma alternativa financeira para converter-se em uma ferramenta de reinvenção profissional nesse contexto. A longevidade estende o período produtivo, rompendo com carreiras lineares que terminam aos 60 anos e abrindo espaço para trajetórias mais longas e flexíveis, compostas por múltiplos ciclos profissionais. Para muitas mulheres, isso significa a possibilidade de iniciar um novo empreendimento após décadas de experiência.

Durante o Startup Weekend Women São Paulo, realizado de 6 a 8 de março de 2026 e sediado e patrocinado pela Rede Mulher Empreendedora, diversas soluções focadas em demandas específicas das mulheres foram desenvolvidas. Das sete possíveis startups criadas no evento, três tinham foco na terceira idade, e duas alcançaram posições de destaque. Em segundo lugar ficou a Star60+, que propôs uma comunidade online para educação em tecnologia para pessoas acima de 60 anos. O terceiro lugar foi ocupado pela Health Family, que criou um repositório digital seguro e criptografado para armazenar informações de saúde, como resultados de exames, receitas e medicamentos, facilitando o acesso de familiares, cuidadores ou dos próprios idosos. Além disso, o programa RME Acelera também incluiu startups com soluções voltadas para esse público.

Para transformar esse potencial em um impacto econômico efetivo, é necessário avançar em três áreas:

A primeira diz respeito ao aspecto cultural, pois persiste no Brasil uma visão restrita sobre o envelhecimento. A realidade demonstra que pessoas maduras continuam consumindo, aprendendo, trabalhando e empreendendo. A própria autora, que completará 60 anos em 2026, relata estar em uma fase produtiva e rica de realizações.

O segundo ponto envolve o setor empresarial, que precisa direcionar mais atenção a esse público e desenvolver soluções específicas para suas demandas, já que a economia prateada representa uma tendência global estruturante, e não um nicho pequeno.

O terceiro desafio refere-se ao acesso a oportunidades. Pesquisas indicam que muitas mulheres empreendedoras ainda têm dificuldades para obter capital, capacitação e integrar redes de negócio. Ampliar esses recursos é fundamental para fomentar o crescimento dos negócios femininos, especialmente para o segmento com mais de 50 anos.

Impactos além da economia

Estudos apontam que mulheres tendem a reinvestir grande parte de sua renda em suas famílias e comunidades, promovendo efeitos positivos no desenvolvimento local.

Apoiar mulheres empreendedoras em um cenário de crescente longevidade significa ativar um motor potente de inovação e impacto social.

Embora o envelhecimento populacional represente desafios para políticas públicas, também se configura como uma das mais significativas oportunidades econômicas futuras.

Empresas, investidores e formuladores de políticas que reconhecerem essa transformação alcançam vantagens competitivas. A valorização da participação feminina nesse processo não só amplia a capacidade de inovação, como também contribui para a construção de uma economia diversificada, resiliente e preparada para os desafios do futuro.

Portanto, o envelhecimento da população não deve ser encarado como um problema, mas, sim, como a possibilidade de iniciar uma nova etapa de crescimento econômico.

Ana Fontes é empreendedora, pesquisadora de gênero e especialista em empreendedorismo feminino. É fundadora da Rede Mulher Empreendedora e do Instituto RME.

Fonte

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