Imposto de Renda 2026: Pais de crianças autistas podem deduzir gastos escolares?
A partir de 23 de março, os contribuintes começam a declarar o Imposto de Renda referente ao ano-calendário de 2025. Familiares de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem se beneficiar da dedução integral das despesas relacionadas à educação, desde que comprovem que esses gastos têm finalidade terapêutica e estejam diretamente ligados ao processo de reabilitação e desenvolvimento do dependente.
Embora a Receita Federal adote uma interpretação mais restrita, limitando a dedução integral geralmente a instituições exclusivas para pessoas com deficiência, decisões judiciais recentes ampliam esse entendimento. Conforme explica Guilherme Pedrozo da Silva, advogado tributarista e professor de Direito Tributário, o reconhecimento do direito à dedução integral surgiu a partir do Tema 324 da Turma Nacional de Uniformização, considerando que a educação inclusiva voltada à reabilitação e à autonomia pode ser classificada como despesa médica.
Assim, quando os gastos educacionais são enquadrados como despesas médicas, eles não se submetem ao teto anual para deduções previsto para despesas escolares habituais. Diferente destas, as despesas médicas não possuem limite para abatimento no Imposto de Renda.
No entanto, esse reconhecimento não é automático. Para usufruir do benefício, o contribuinte deve comprovar a condição especial do dependente e que as despesas relacionadas à educação contribuem para o tratamento. Os documentos exigidos podem incluir laudo médico com o CID correspondente, notas fiscais de pagamento, contratos escolares que confirmem o apoio especializado, além de relatórios que relacionem as atividades educacionais ao processo terapêutico.
Essa equiparação pode atingir mensalidades de escolas inclusivas ou especializadas, serviços que envolvam mediação escolar e apoio pedagógico individualizado, além de terapias associadas ao ambiente educacional, como psicopedagogia, terapia ocupacional, psicologia e fonoaudiologia.
Restituição de impostos dos últimos anos
Para as famílias que nos últimos cinco anos já entregaram a declaração de Imposto de Renda sem utilizar esse entendimento, ainda há a possibilidade de obter restituição. O primeiro passo consiste em retificar a declaração, anexando a documentação comprobatória que ateste a natureza terapêutica das despesas.
Caso a Receita Federal negue a solicitação, ainda cabe recorrer à via judicial, inclusive utilizando os Juizados Especiais Federais para agilizar o processo. Segundo Pedrozo, a jurisprudência tem sido favorável, de modo que muitas famílias recuperam valores importantes, o que pode aliviar os custos significativos envolvidos no processo de inclusão.
Esse assunto costuma ganhar destaque todo ano no período da declaração, principalmente para famílias que arcam com elevados custos de educação inclusiva e acompanhamento terapêutico dos dependentes.


/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_f035dd6fd91c438fa04ab718d608bbaa/internal_photos/bs/2019/i/U/Rzdr6xROmNAfUnbRzVUQ/gettyimages-501228460.jpg)

