Boa Safra registra prejuízo no quarto trimestre em cenário de margens apertadas no agronegócio brasileiro
A produtora de sementes Boa Safra anunciou um prejuízo de R$ 8,4 milhões no último trimestre, resultado influenciado pelos maiores custos dos grãos, aumento das despesas operacionais e financeiras, além da redução no preço médio de venda durante o período, conforme divulgado pela empresa na noite de terça-feira.
No balanço divulgado, o CEO e cofundador da Boa Safra, Marino Colpo, destacou que os resultados do ano anterior foram afetados por um ambiente de negócios caracterizado por restrições de crédito e margens menores para os agricultores, fatores que limitam a demanda por sementes de alta tecnologia.
Em 2025, a empresa registrou lucro líquido de R$ 101,1 milhões, representando uma queda de 37% em relação a 2024. Esse desempenho refletiu um cenário com margens mais comprimidas, elevação nos custos financeiros, aumento dos gastos com frete e maiores despesas operacionais.
“Desde 2024, o agronegócio brasileiro enfrenta um cenário mais seletivo, com preços dos grãos em níveis inferiores, maior concorrência, restrição de crédito mais rigorosa e margens estreitas para os produtores. Essas condições impactaram a necessidade de capital de giro e criaram um ambiente mais restritivo para sementes de alta tecnologia”, explicou Colpo.
Além do ambiente desafiador do setor, algumas áreas de plantio enfrentaram dificuldades climáticas, como veranicos antes da colheita, o que levou ao descarte de uma quantidade maior de sementes para manter o padrão de qualidade da Boa Safra. Este fato diminuiu o volume de sementes disponíveis para comercialização e afetou a alavancagem operacional da companhia, resultando em ajustes na estratégia comercial, detalhou o CEO.
A empresa também apontou que as despesas com pessoal cresceram devido ao avanço nos projetos de expansão e diversificação.
A soja continua sendo o núcleo do negócio, embora a Boa Safra tenha ampliado sua receita com a comercialização de outras culturas, aumentando a participação de trigo, milho, sorgo e feijão em seu portfólio.
Apesar das dificuldades enfrentadas desde 2024, a empresa destacou que encerrou 2025 com uma estrutura financeira sólida, portfólio diversificado e presença nacional, atingindo 10% de participação de mercado, com um crescimento histórico de 34% na venda de sementes de soja. “Esse marco reforça nosso posicionamento competitivo diante das adversidades do setor”, afirmou Colpo.
Perspectivas para 2026
O CEO ressaltou que, embora identifique desafios para 2026, a Boa Safra está preparada para aproveitar as novas oportunidades que surgirem.
Segundo Colpo, “a oferta de crédito deverá continuar seletiva, beneficiando empresas que possuam estrutura financeira robusta, capacidade comprovada de entrega e boa reputação junto a produtores e clientes, características que temos orgulho de possuir e que consolidam nossa competitividade”.
Ele acrescentou que, apesar das margens baixas para os produtores, essa condição tende a estimular a busca por soluções que melhorem a produtividade, como as sementes de alta qualidade que a companhia fornece.



