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Diversificação: Invista Com Segurança Em Ambiente Ambíguo

Diversificação: Invista Com Segurança Em Ambiente Ambíguo

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A diversificação como estratégia mais eficaz em um cenário de incertezas

Por que a ambiguidade substitui o conceito tradicional de risco na atualidade

Em 23 de fevereiro, apenas uma semana antes do início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, o Banco Central divulgou o Relatório Focus, trazendo as projeções dos especialistas para a economia brasileira. Naquele momento, estimava-se que a inflação medida pelo IPCA alcançaria 3,91% ao final do ano, enquanto a taxa Selic deveria encerrar em 12,13%. A maioria dos economistas e estrategistas acreditava que a próxima reunião do Copom indicaria um corte de 0,5 ponto percentual, sinalizando um processo de relaxamento mais acelerado na política monetária.

No entanto, a realidade se mostrou diferente. Os impactos do conflito logo se refletiram globalmente, com ataques contra refinarias e unidades produtivas de combustíveis e o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã. Isso provocou uma brusca diminuição na oferta de combustíveis, elevando significantemente seus preços. Em resposta, o Federal Reserve dos Estados Unidos decidiu manter a taxa de juros inalterada, enquanto o Copom brasileiro realizou uma redução menor do que o esperado, de apenas 0,25%, metade do estimado inicialmente.

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Com a rápida propagação dos efeitos da guerra no Oriente Médio, o autor retomou a leitura de um artigo de Erwann Michel-Kerjan, de 2011, intitulado “Ainda não migramos para o gerenciamento de risco 2.0?”, publicado no livro The Irrational Economist. Nesse texto, o autor critica a tendência humana de ser míope, concentrando-se em acontecimentos imediatos e negligenciando as consequências de longo prazo das decisões presentes. Ele utiliza a crise financeira de 2008 como exemplo, quando uma série de instrumentos financeiros mal estruturados ameaçavam o sistema financeiro mundial por anos até a intervenção dos governos com bilhões de dólares para evitar um colapso.

Michel-Kerjan destaca que, entre 1970 e 2008, ocorreram 25 grandes catástrofes cobertas por seguros bilionários, todas depois de 1987, o que indica uma frequência maior desses eventos extremos, conhecidos como Black Swans. Ele propõe que esse cenário não se enquadra mais na ideia tradicional de risco, onde probabilidades são conhecidas, mas sim em um ambiente de ambiguidade, no qual não se tem clareza sobre as probabilidades reais dos acontecimentos.

Embora os números mais recentes não estejam disponíveis, outros estudos indicam que as perdas econômicas com desastres saltaram de aproximadamente US$ 500 bilhões na década de 1980 para US$ 2,5 trilhões em 2010, sem considerar os impactos da pandemia da covid-19. Isso reforça a tese do aumento da frequência e do impacto dos eventos inesperados e extremos.

No contexto atual do mercado financeiro, a tendência de olhar apenas para o momento imediato e ignorar cenários simultâneos — como se outros eventos não tivessem relevância diante do conflito no Oriente Médio — demonstra a miopia destacada por Michel-Kerjan. Essa visão limitada pode prejudicar a gestão dos investimentos e do patrimônio dos investidores.

O papel da diversificação para enfrentar a volatilidade e as incertezas

Diante desse ambiente carregado de ambiguidade e frequentes fluxos inesperados, a diversificação de investimentos ganha ainda mais importância. Construir uma carteira que contemple diferentes categorias de ativos — como renda fixa, renda variável, moedas estrangeiras, ouro, entre outros — é a forma mais eficaz de resguardar o patrimônio e garantir o crescimento ao longo do tempo.

Recentemente, com as expectativas de redução da taxa de juros no Brasil, surgiram diversas mensagens sobre oportunidades de ganhos rápidos. Ainda assim, investimento não deve ser encarado como uma corrida para lucros imediatos, mas sim como uma forma de cumprir metas específicas, que permanecem independentemente das oscilações diárias do mercado.

Para investidores que consideram a taxa de juros brasileira elevada, uma postura adequada seria alocar recursos em títulos de juros longos ou em ações, dependendo dos seus objetivos e restrições pessoais. Tentar cronometrar o mercado, ou seja, adivinhar o momento exato para comprar ou vender ativos, geralmente resulta em perdas financeiras.

Assim, diante da perspectiva de instabilidade crescente e maiores flutuações nos preços dos ativos, o mais prudente é estabelecer um plano de médio a longo prazo, investir em classes de ativos alinhadas com os objetivos de cada investidor, demonstrar paciência e persistir na estratégia delineada.

Para aqueles que buscam emoções e apostas arriscadas, provavelmente será menos prejudicial arriscar nos cassinos de Las Vegas do que tentar acertar o timing do mercado financeiro.

Hudson Bessa é economista, sócio da HB Escola de Negócios e da Spot Capital Consultoria de Investimentos, além de professor do curso de Administração na ESPM-SP.

Fonte

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