Escala 5×2 é viável desde que haja desoneração, afirma presidente da Abras
O presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, defende que a implementação da escala 5×2 no ramo supermercadista pode ser viável, desde que acompanhada por medidas compensatórias, especialmente a desoneração da folha de pagamento.
Em entrevista, Galassi ressalta que, apesar do setor conseguir absorver a mudança, é fundamental que haja uma compensação financeira para evitar o aumento dos custos operacionais.
Contexto e desafios do setor
A discussão ganhou destaque no Congresso com a proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais. Outros setores, como bares, restaurantes e centros comerciais, também veem a desoneração como essencial para minimizar o impacto dessas mudanças, pois sem ela há riscos de pressão nos preços devido ao aumento dos custos.
Para os supermercados, o principal desafio está na estrutura operacional, especialmente para as empresas de menor porte. Galassi explica que em muitos estabelecimentos pequenos há poucos funcionários por setor, como açougue e padaria, o que dificulta montar escalas sem prejudicar o funcionamento.
Além disso, a necessidade de manter as lojas abertas diariamente torna a adaptação da escala mais complexa, já que áreas específicas requerem profissionais especializados, que não podem ser facilmente substituídos ou remanejados.
O presidente da Abras também destaca a importância de considerar as particularidades de cada segmento da economia ao tratar dessas mudanças, enfatizando que as necessidades dos consumidores variam conforme o setor.
Escassez de mão de obra e alternativas
O setor de supermercados enfrenta atualmente uma escassez de mão de obra, com cerca de 350 mil vagas disponíveis em todo o país, segundo dados da Abras.
Para lidar com esses desafios, a entidade sugere a implementação de modelos de contratação mais flexíveis, especialmente o regime por hora trabalhada. Galassi defende que esse formato permitiria que empresa e colaborador ajustem juntos a jornada semanal, atendendo às diferentes necessidades e oferecendo maior adaptabilidade.
Ele acredita que o regime por hora pode tornar o setor mais competitivo diante de outras formas de trabalho, como as oferecidas por aplicativos de transporte e entrega.
Articulação no Congresso
A Abras está trabalhando para incluir essa discussão no Congresso Nacional. Em parceria com outras entidades do comércio e serviços, a associação apresentou o tema ao presidente da Câmara, Hugo Motta, com o intuito de ampliar os debates sobre jornada e formatos de contratação.
Galassi destaca que é importante diferenciar a discussão sobre a duração da jornada da forma de contratação, apontando que ambas podem avançar em paralelo.



