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Postos E Distribuidoras Ampliam Lucros Com Diesel Em Até 70%

Postos E Distribuidoras Ampliam Lucros Com Diesel Em Até 70%

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Postos e distribuidoras aumentam margens de lucro no diesel em até 70% durante guerra no Irã

Distribuidoras e postos de combustíveis vêm ampliando suas margens de lucro significativamente desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã, apesar das medidas governamentais para conter os impactos da alta nos preços do petróleo.

Recentemente, o governo federal adotou ações como a isenção de impostos federais sobre o diesel, aumento do imposto de exportação sobre petróleo, concessão de subvenção financeira a produtores e importadores, além de fiscalizar o repasse dessas reduções aos consumidores. Mesmo assim, um estudo do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) revela que, desde o começo do conflito em 28 de fevereiro, as margens de lucro médias das empresas cresceram mais de 30% nos produtos diesel S-10, diesel S-500 e gasolina comum.

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Os dados do Ministério de Minas e Energia expostos no Relatório Mensal do Mercado de Derivados de Petróleo indicam:

  • A margem do diesel S-500, utilizado por veículos mais antigos, aumentou 71,6%;
  • O diesel S-10, empregado em veículos mais modernos, teve alta de 45%;
  • A gasolina comum apresentou crescimento de 32,2% na margem de lucro.

Esse crescimento recente acompanha a elevação dos preços do petróleo no mercado global causada pela guerra, que afeta uma região estratégica para o transporte mundial, em especial o Estreito de Ormuz, passagem fundamental para cerca de 20% do petróleo consumido internacionalmente.

Contudo, conforme analisa o Ibeps, essa tendência de aumento nas margens sobre os combustíveis vem ocorrendo gradualmente desde 2021, com percentuais ainda mais expressivos na comparação com aquele ano:

  • Diesel S-500 teve aumento de 238,8% na margem;
  • Diesel S-10 subiu 111,8%;
  • A gasolina comum aumentou 90,7% na margem de lucro.

O economista Eric Gil Dantas, do Ibeps, atribui esse crescimento a dois principais fatores. Primeiro, foi o período de 2021 a 2022, quando os preços dos derivados atingiram patamares históricos em valores reais, impulsionados pela política de Preço de Paridade de Importação (PPI) adotada pela Petrobras, que gerou grande volatilidade e reajustes frequentes.

Dantas comenta que essa oscilação e a perda de referências para os consumidores permitiram que as margens aumentassem de modo pouco percebido, e que mesmo com a maior volatilidade diminuída, as margens continuaram crescendo ao longo de 2023, independentemente da quantidade de reajustes realizados.

O segundo fator apontado pelo economista foi a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás, que eram as últimas estatais presentes num setor pouco concentrado. Com elas privatizadas, houve perda no controle para manter margens ajustadas a níveis aceitáveis, visto que essas empresas tinham poder de influência sobre as margens praticadas no mercado.

Até o momento, a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes não se posicionou sobre o aumento nas margens e a possível influência do setor em choques nos preços internacionais. A Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) afirmou que não comenta a formação de preços por se tratar de estratégia exclusiva de cada associada.

Consequências da valorização do petróleo para o Brasil

Desde o início do conflito no Oriente Médio, o valor do barril de petróleo superou os US$ 100, alcançando o maior nível desde fevereiro de 2022, quando se iniciou a guerra entre Rússia e Ucrânia.

Essa valorização se deve à localização dos países envolvidos em rotas estratégicas para o petróleo e gás, com o Irã controlando o Estreito de Ormuz, uma passagem essencial para o trânsito de cerca de 20% do petróleo consumido mundialmente. As operações na região estão reduzidas, resultando em menor oferta global do combustível, o que elevou os preços no mercado internacional.

O aumento no preço do petróleo reflete diretamente no custo dos derivados, como o diesel, que é importante para a logística brasileira, impactando o custo do transporte de alimentos, produtos industriais e serviços ao se repassar o aumento para esses setores.

Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) da semana passada mostrou que o preço médio do litro do diesel nos postos brasileiros subiu cerca de 20% em aproximadamente 15 dias, e os números serão atualizados pela agência em 27 de março.

Além do transporte, o agronegócio também é afetado pelo encarecimento do diesel usado em máquinas agrícolas e pelo aumento no preço dos fertilizantes químicos, muitos dos quais o Brasil importa do Irã.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços indicam que, em janeiro deste ano, adubos e fertilizantes químicos representaram 93,5% do total importado do país do Oriente Médio.

A produção de energia elétrica também sofre influência, já que as termelétricas, que utilizam combustíveis fósseis e são acionadas especialmente em períodos de seca para complementar as hidrelétricas, têm seus custos elevados.

Fonte

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