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A Queda Repentina Do Sora, Produto Marcante Da OpenAI

A Queda Repentina Do Sora, Produto Marcante Da OpenAI

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A rápida queda do produto mais comentado da OpenAI desde o ChatGPT: o Sora

Sam Altman e sua equipe na OpenAI viram um enorme potencial no Sora, uma ferramenta de geração de vídeos com inteligência artificial que permitia aos usuários se inserirem em diversos cenários, desde jogar basquete com os Harlem Globetrotters até batalhas com sabres de luz contra Darth Vader. A ideia foi tão impactante que chegou a conquistar o apoio de Bob Iger, CEO da Disney, que investiu US$ 1 bilhão na OpenAI e autorizou a inclusão de personagens de estúdios como Marvel e Pixar nos vídeos gerados pelo Sora.

No entanto, de maneira inesperada, a OpenAI decidiu encerrar completamente o projeto.

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Executivos da Disney, que souberam da decisão de última hora, ficaram surpresos. A verdade é que, após seu lançamento, o Sora passou a ser visto internamente como um problema, especialmente quando a OpenAI começou a se preparar para um IPO e precisava otimizar o uso dos seus recursos computacionais limitados. O consumo intenso de chips de IA pelo Sora, combinando com sua baixa rentabilidade, tornou o produto inviável.

Sam Altman chamou o encerramento do Sora de uma escolha difícil, mas necessária para focar em objetivos maiores da companhia, encorajando sua equipe a tomar decisões difíceis para garantir o futuro da empresa.

O Sora foi revelado ao público há dois anos, com um ferramental capaz de criar vídeos que evocavam mundos fantásticos e imagens surrealistas, similares a obras de Miyazaki e Salvador Dalí. Seu lançamento oficial para consumidores ocorreu em setembro passado, com Altman comparando a importância do momento ao do lançamento do ChatGPT. Contudo, o aplicativo não alcançou o sucesso esperado, sofrendo com limitações de qualidade e engajamento. O uso diminuiu com o tempo, e a empresa passou a enxergar o Sora como um produto que consumia recursos valiosos sem gerar retorno financeiro relevante.

Além disso, a OpenAI planejava desenvolver um novo modelo de geração de vídeos vinculado ao ChatGPT, que exigiria ainda mais capacidade computacional e custaria muito caro. Isso contribuiu para a decisão de cancelar o projeto.

Agora, a empresa está focada em desenvolver um “superapp” baseado em IAs “agênticas” que podem realizar tarefas autonomamente, como escrever códigos, analisar dados e organizar viagens — áreas de grande aceitação corporativa, onde a concorrência está acirrada com rivais como a Anthropic.

O time que trabalhava no Sora foi reasssignado para projetos de longo prazo, incluindo robótica, segundo anunciou Sam Altman.

A origem e o desenvolvimento do Sora

O Sora foi criado por Tim Brooks e Bill Peebles, pesquisadores que se conheceram durante seus doutorados na Universidade da Califórnia, Berkeley. Eles ingressaram na OpenAI no início de 2023 para desenvolver modelos que simulassem o mundo físico por meio de vídeos realistas gerados a partir de texto.

Em fevereiro de 2024, eles apresentaram o Sora, que significa “céu” em japonês, impressionando com sua capacidade de gerar vídeos como mamutes-lanosos caminhando na neve ou cenas urbanas iluminadas por neon em Tóquio.

Lançado para o público em dezembro daquele ano, o projeto estava dentro de uma equipe dedicada à simulação de mundos, liderada por Aditya Ramesh, e funcionava separadamente do time principal que cuidava do ChatGPT.

Na primavera seguinte, Mark Zuckerberg, CEO da Meta, iniciou uma campanha agressiva para atrair talentos da OpenAI, incluindo Peebles. Com um reajuste salarial, a OpenAI conseguiu manter Peebles, que passou a assumir mais responsabilidades relacionadas ao Sora, como treinamento de novos modelos e desenvolvimento do aplicativo para consumidores.

Internamente, pesquisadores monitoravam detalhadamente a distribuição dos chips de IA, e muitos ficaram surpresos com a grande fatia reservada ao Sora, dado que o produto não gerava receita significativa nem contribuía para melhorias dos modelos de linguagem.

O projeto era tratado com sigilo, sendo comparado por alguns antigos funcionários a uma “startup dentro da startup”.

Declínio e dificuldades

Com o passar do tempo, sinais indicaram que a OpenAI não estava mais na dianteira de segmentos importantes da inteligência artificial. O Gemini, da Google, ganhou popularidade entre os consumidores, e o Claude Code, da Anthropic, avançou entre os desenvolvedores pela sua capacidade autônoma de programar.

A OpenAI correu para atualizar seu produto Codex, focado em programação, mas Sam Altman também desejava que a OpenAI se estabelecesse na cultura e no entretenimento, buscando em 2025 apoio para um projeto de rede social e avançando nas negociações com a Disney.

Após o lançamento público do Sora em setembro, as opiniões foram divididas. Alguns funcionários se preocupavam com impactos negativos para a marca, enquanto outros levantavam questões sobre segurança. Embora o app tenha alcançado o topo da App Store logo após o lançamento, com acesso restrito, o controle sobre direitos autorais era insuficiente, gerando conteúdos controversos — como representações de Martin Luther King Jr. que resultaram em reclamações e remoção de material.

O número de usuários chegou perto de 1 milhão, mas caiu para menos de 500 mil nos meses seguintes, segundo dados da Similarweb. O Sora operava com prejuízo de aproximadamente US$ 1 milhão por dia.

O sonho frustrado da Disney

Apesar das dificuldades, a OpenAI tentou viabilizar o Sora e em dezembro firmou um acordo com a Disney para licenciar mais de 200 personagens e recebeu um aporte de US$ 1 bilhão da companhia. A Disney chegou a planejar integrar os vídeos do Sora ao Disney+ e desenvolver versões corporativas da ferramenta.

Contudo, o acordo não foi concluído e, diante das pressões da concorrência, especialmente da Anthropic, a OpenAI decidiu priorizar ferramentas de produtividade, abandonando o Sora.

A relação da OpenAI com a Disney esfriou, e sob a liderança do novo CEO Josh D’Amaro, a Disney está buscando outras parcerias para aplicar soluções baseadas em IA.

Em nota, a Disney declarou respeitar a decisão da OpenAI e destacou o aprendizado obtido durante a colaboração.

Por fim, a conta oficial do Sora na rede social X publicou uma despedida: “Para todos que criaram com o Sora, compartilharam e construíram uma comunidade ao redor dele: obrigado.”

Fonte

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