Ibovespa apresenta recuperação no final e fecha praticamente estável após declarações de Trump sobre o Irã
O índice Ibovespa B3 registrou movimentos de alta e baixa na terça-feira (7), em meio a um ambiente global marcado pela cautela devido às tensões no Oriente Médio. Apesar das oscilações durante o pregão, o principal indicador da bolsa brasileira conseguiu retornar e encerrar o dia com leve valorização de 0,05%, alcançando 188.258,91 pontos.
O destaque do dia foi a declaração do presidente americano Donald Trump, que estipulou um ultimato até o fim desta terça para o Irã aceitar um acordo, afirmando que “uma civilização inteira morrerá esta noite” caso o prazo não seja cumprido. Essa fala elevou a tensão no mercado, contribuindo para a volatilidade registrada.
Um alívio momentâneo veio no final do pregão, quando foram divulgadas informações de que o primeiro-ministro do Paquistão solicitou a Trump a extensão do prazo do ultimato por mais duas semanas, ao mesmo tempo em que o Irã poderia abrir o Estreito de Ormuz pelo mesmo período como um gesto de boa vontade. Esse movimento tranquilizou parcialmente os investidores.
Contexto e análise do mercado
Desde o início dos conflitos no começo de março, o mercado tem operado sem tendência clara, com atuação mais lateral e expectativa cautelosa. Inicialmente, esperava-se que cortes nas taxas de juros, tanto no Brasil quanto nos EUA, impulsionassem a retomada dos ativos de risco, mas o agravamento das tensões geopolíticas mudou essa percepção.
Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain, destaca que a atual situação reflete um cenário típico de aversão ao risco, com predominância da narrativa geopolítica, aumento dos juros, alta do petróleo pressionando a inflação e preferências por ativos mais defensivos. Até que haja sinais concretos de melhoria no ambiente externo, a volatilidade deve permanecer elevada, mantendo os investidores mais cautelosos.
Desempenho do Ibovespa no pregão
No decorrer do dia, o Ibovespa oscilou entre 185.855,25 pontos, na mínima, e 188.258,91 pontos, no pico intradiário. O volume financeiro movimentado na bolsa foi de R$ 26,7 bilhões.
As maiores valorizações foram registradas por:
- BRKM5 com alta de 7,26% fechando a R$ 9,01;
- RAIL3, que subiu 2,95% a R$ 16,40;
- RADL3, avançando 2,26% para R$ 22,28;
- UGPA3, com ganho de 2,15% encerrando a R$ 29,93;
- USIM5, valorizando 1,61%, terminando a R$ 6,93.
Por outro lado, os papéis que mais registraram queda foram:
- MRVE3, que teve recuo de 9,45% e fechou a R$ 7,19;
- SUZB3, com perda de 6,39% a R$ 46,43;
- CYRE4, que caiu 5,65% para R$ 23,40;
- CURY3, desvalorizando 5,13% a R$ 34,18;
- BEEF3, recuando 4,91% e encerrando a R$ 4,07.
Comportamento do dólar e bolsas internacionais
A persistente aversão ao risco associada à expectativa em relação ao conflito no Oriente Médio impulsionou a alta do dólar frente ao real. Na cotação comercial, o dólar avançou 0,33%, fechando o dia a R$ 5,16.
Nas bolsas de Nova York, as declarações de Trump causaram impacto menor, com os investidores demonstrando cautela e adotando uma postura de espera para novos desdobramentos. O Dow Jones sofreu queda de 0,318%, enquanto o S&P 500 apresentou leve alta de 0,08% e o Nasdaq subiu 0,10%.



