Câmara Aprova Gasto Mínimo Para Assistência Social Em 1º Turno

Câmara Aprova Gasto Mínimo Para Assistência Social Em 1º Turno

Câmara aprova em primeiro turno PEC que fixa gasto mínimo para assistência social

A Câmara dos Deputados aprovou, na quarta-feira, 8 de abril de 2026, em primeiro turno, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina um valor mínimo anual a ser destinado pela União ao Sistema Único de Assistência Social (Suas). A equipe econômica estima que a medida terá um impacto financeiro de R$ 36 bilhões ao longo de quatro anos. A aprovação contou com 464 votos a favor e 16 contrários.

Detalhes da proposta e próximos passos

O texto estabelece uma regra progressiva para a destinação desses recursos, vinculando um percentual da receita líquida da União ao financiamento do Suas. A programação prevê que o percentual será de 0,3% em 2027, 0,5% em 2028, 0,75% em 2029, chegando a 1% a partir de 2030, quando o mecanismo se tornará permanente. O cálculo será feito com base na receita corrente líquida (RCL) da União, garantindo recursos para programas sociais sob a administração do Suas. Além disso, a proposta prevê que estados, Distrito Federal e municípios também contribuirão para o custeio do sistema.

Atualmente, o orçamento brasileiro já possui vinculações constitucionais para áreas como saúde e educação, e o Suas, ligado ao Ministério do Desenvolvimento, contempla iniciativas como o Benefício de Prestação Continuada (BPC), Auxílio-Inclusão e a manutenção dos Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas). No entanto, a PEC determina que os novos recursos não poderão ser usados para o pagamento do BPC, devendo ser aplicados na estruturação da assistência social em si. Caso seja aprovado em segundo turno e sancionado, o Suas terá sua previsão garantida na Constituição, atualmente válida apenas na legislação ordinária.

Debates e impacto fiscal

A apreciação da proposta ocorreu em meio a intensos debates sobre as consequências para as contas públicas brasileiras, que já enfrentam desafios orçamentários. Membros do governo e dos partidos aliados chegaram a solicitar o adiamento da votação para uma análise fiscal mais detalhada pelo Ministério da Fazenda. Alguns parlamentares expressaram preocupação com o aumento das despesas obrigatórias, enquanto outros defenderam a vinculação como uma forma de assegurar recursos estáveis para a assistência social.

A inclusão da PEC na pauta da Câmara foi decidida pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), após acordo entre líderes partidários. Apesar das divergências sobre o impacto financeiro, a proposta avançou com apoio crescente no plenário.

Atualmente, a continuidade da votação foi adiada por requerimento do líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), que solicitou mais tempo para avaliação do Ministério da Fazenda sobre os efeitos fiscais da proposta. A PEC ainda precisa ser submetida a um segundo turno na Câmara antes de seguir para análise do Senado.

Contexto do Suas e orçamentos vinculados

O Sistema Único de Assistência Social é responsável por diversos programas e serviços sociais no Brasil. A PEC amplia a vinculação de receitas no Orçamento da União, que já conta com pisos constitucionais para setores estratégicos. A nova emenda tem por objetivo consolidar a assistência social como um direito constitucional com financiamento previsto, fortalecendo a política pública.

Informações adicionais

O processo Legislativo segue acompanhando debates em torno do equilíbrio fiscal e da garantia de financiamento para políticas sociais essenciais, em meio ao esforço nacional para manter a sustentabilidade das contas públicas.

Fonte

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