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Startup De Construção Que Fotografou 8 Milhões De Fases

Startup De Construção Que Fotografou 8 Milhões De Fases

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A startup gaúcha que registrou 8 milhões de etapas em obras e planeja alcançar R$ 100 milhões

A Construct IN, empresa fundada em 2019 no Rio Grande do Sul, desenvolveu uma solução inovadora para o setor da construção civil, que ainda é bastante resistente à digitalização. Sua plataforma utiliza câmeras, drones e tecnologia a laser para criar modelos tridimensionais dos ambientes das obras, registrando em tempo real todas as fases do canteiro e transformando essas informações em dados confiáveis.

Atualmente, a startup monitora cerca de 2.500 obras ativas e possui quase 250 clientes, acumulando um banco de imagens que ultrapassa os 8 milhões de registros. Para 2026, a empresa pretende faturar mais de 20 milhões de reais e estabelecer a meta ambiciosa de atingir R$ 100 milhões até 2030.

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Transformando dados visuais em inteligência para construção

O grande diferencial da Construct IN está em transformar o que ocorre no local de obra em informações estruturadas e verificáveis, eliminando a subjetividade e os relatos imprecisos comuns ao setor. Para isso, a plataforma captura o avanço das etapas da construção automaticamente, possibilitando que a análise do andamento – como conclusão da instalação elétrica ou da pintura – seja feita por meio das imagens, sem depender exclusivamente do feedback humano.

Um fundador com visão global

Tales Silva, CEO da empresa e engenheiro civil formado pela PUC do Rio Grande do Sul, trabalhou anteriormente em projetos com pré-fabricados de concreto. Em 2018, ele buscou ampliar sua visão do mercado ao se mudar para São Francisco, Califórnia, onde teve contato com o conceito de “reality capture” – técnica que registra o estado físico das obras por meio de imagens e converte esses registros em dados estruturados. Observando o potencial dessa tecnologia revolucionária, mas ainda pouco difundida no Brasil, voltou para implementar sua própria solução localmente.

Em 2019 nasceu a Construct IN com um produto que utilizava câmeras 360° conectadas automaticamente, permitindo que qualquer pessoa percorresse a obra registrando informações de forma simples e automatizada.

Modelo de negócio híbrido e expansão tecnológica

A receita da startup provém majoritariamente da comercialização do software em modelo SaaS (software como serviço), com cerca de 75% a 80% do faturamento advindo de assinaturas mensais. O restante, entre 20% e 25%, vem da locação de equipamentos e serviços complementares, como captura de imagens, elaboração de relatórios e acompanhamento físico-financeiro dos projetos.

Hoje, o time conta com aproximadamente 80 colaboradores e administra mais de 400 câmeras em locação. Entre seus clientes estão grandes marcas como Smart Fit, Burger King, HTB e Grupo Lúcio. A manutenção da qualidade dos dados e a padronização dos registros são garantidas por meio dos serviços oferecidos, que constituem o ativo principal do negócio.

No fim de 2023, a Construct IN ampliou seu portfólio ao adquirir uma empresa especializada em escaneamento a laser e criação de nuvens de pontos, tecnologia utilizada para gerar modelos 3D detalhados. Essa aquisição reforça a intenção de se consolidar como uma plataforma completa de gestão visual para obras.

Investimento estratégico em visão computacional

O foco tecnológico mais ousado da Construct IN é o desenvolvimento da inteligência artificial aplicada à visão computacional, diferente dos populares modelos de linguagem como ChatGPT. A startup está treinando algoritmos para identificar automaticamente diversos elementos nas imagens das construções, como pisos, rebocos, tomadas, instalações elétricas, aparelhos de ar-condicionado e pinturas.

Uma equipe dedicada de seis profissionais trabalha exclusivamente na construção desse banco de dados de imagens, contando também com a colaboração de um pesquisador baseado na Alemanha para aprimorar essa tecnologia. O objetivo é que a análise do progresso da obra seja realizada de forma autônoma apenas pela interpretação das fotos capturadas.

Embora reconheça que há um longo caminho pela frente para alcançar a automação completa, Tales Silva destaca essa aposta como a principal alavanca para atingir a meta de faturamento de 100 milhões até 2030.

Visão de futuro e sustentabilidade financeira

A digitalização do setor da construção é um movimento gradual, porém irreversível. Segundo Silva, a capacidade de converter os acontecimentos do canteiro em dados confiáveis será diferencial crucial para os negócios que desejam liderar o mercado.

Até o momento, o crescimento da Construct IN foi conquistado sem contrair dívidas. A última rodada importante de investimento ocorreu em 2021. Desde então, a empresa tem operado com capital próprio, reinvestindo suas margens em áreas como marketing, vendas e desenvolvimento de produto. Para escalar seu faturamento até 2030, o time pretende testar e validar esse modelo, confiando na visão computacional como principal ferramenta para expandir sem necessidade de novos aportes externos.

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Acompanhe temas relacionados à construção civil e startups para entender as tendências do segmento.

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