Ela largou a carreira em Direito para empreender em lavanderias e montou um negócio de R$ 1,3 milhão
De defensora pública a dona de cinco unidades da rede Lavô em Manaus e Bahia
Riamy Cavalcante, que trabalhou na Defensoria Pública do Estado do Amazonas, decidiu abandonar a carreira pública e hoje administra cinco lavanderias da franquia Lavô, em Manaus e Bahia, somando um faturamento de R$ 1,385 milhão em 2025.
A decisão de mudar a trajetória profissional não foi motivada apenas pelo desejo empreendedor, mas também por uma análise pragmática da situação. Com jornadas cansativas que poderiam se estender até as 18h e sem reajustes salariais, Riamy e o marido começaram a buscar opções alternativas.
“Mais um ano sem reajuste, mais um ano sem nada. A advocacia pública talvez não fosse o caminho para a gente crescer como família”, relembra ela.
O marido foi o primeiro a investigar possibilidades de negócio que pudessem coexistir com o funcionalismo público. Optaram pelo ramo de lavanderias self-service devido ao investimento inicial acessível, operação enxuta, receita constante e potencial para expansão. Avaliaram as principais redes do mercado e escolheram a Lavô.
Com um aporte inicial de R$ 200 mil, inauguraram a primeira unidade em Manaus, em março de 2022. Por seis meses, Riamy conciliou o trabalho na Defensoria com a gestão da lavanderia, mas logo percebeu que o negócio exigia dedicação plena.
“Notei que a empresa não podia funcionar sozinha. Havia oportunidade financeira, mas não era um investimento paralelo”, conta ela. Após rescindir o vínculo com o serviço público, destinou mais capital ao empreendimento.
Expansão baseada em reinvestimento integral
Riamy assumiu integralmente o comando operacional e administrativo do negócio, enquanto seu marido continuou na carreira corporativa como diretor de vendas. No processo, ela destaca a complexidade de transformar o empreendimento em uma empresa estruturada, com rotinas e padrões definidos.
O crescimento foi gradual. Com a rescisão e os aportes iniciais, juntos reuniram cerca de R$ 400 mil, quantia suficiente para abrir duas lojas. O sucesso da primeira unidade acelerou o projeto, adotando uma estratégia de reinvestir integralmente os lucros para financiar as unidades seguintes.
“O dinheiro da primeira loja foi para a segunda, da segunda para a terceira, e assim por diante, até chegar à quinta.”
Em quatro anos, o negócio atingiu cinco unidades — três em Manaus e duas na Bahia, onde a família se mudou por uma transferência do marido. Desde o ano passado, todas as lojas são lucrativas. A maior delas, em Manaus, é referência na rede, estando entre as sete melhores franquias, contando com 14 máquinas após sucessivas ampliações, iniciando com apenas seis.
Gestão enxuta e operação remota
Apesar da distância e do número de unidades, a operação foca em uma equipe enxuta, com apenas um funcionário por loja, totalizando cinco colaboradores. Cada um foi treinado para operar máquinas, realizar pequenas manutenções, prestar atendimento e resolver situações simples, como desbloquear máquinas após falhas de conexão ou falta de energia.
A gestão é primordialmente feita remotamente, por meio de videoconferências diárias, checklists das operações, controle de insumos e monitoramento dos equipamentos. O dia de Riamy começa com atividades domésticas para depois dedicar-se ao negócio, atendendo clientes, adquirindo suprimentos e acompanhando indicadores até o final da tarde.
O desafio de expandir para diferentes regiões exigiu adaptação ao perfil do consumidor local. Em Manaus, o hábito de lavar roupas fora de casa é estabelecido, devido ao clima quente e úmido, o que gera grande frequência semestral. Já na Bahia, mais especificamente em Praia do Forte, cidade turística ao norte do litoral, a demanda é sazonal, dependendo da movimentação de visitantes e exigindo ações de marketing mais constantes.
“O público é totalmente diferente. Em Manaus há recorrência; na Bahia turística, é preciso atrair clientes constantemente. O maior desafio é entender e conquistar esse público”, explica.
A proximidade com os clientes impulsiona receita
Um contato direto com o consumidor revelou uma oportunidade para diversificar a receita. Um cliente assíduo deixou de frequentar a loja por estar trabalhando e manifestou o desejo de poder deixar a roupa para ser lavada, gerando um novo serviço.
Assim, nasceu o modelo onde o cliente entrega as peças na lavanderia, que realiza a lavagem, dobra, embalagem e devolução pronta. A escuta atenta aos consumidores também identificou demandas urgentes de empresas, como lavagem de uniformes, que a Lavô passou a atender com preços competitivos e rapidez, que normalmente custam mais em mercados tradicionais.
Em 2026, os serviços extras somavam R$ 170 mil em faturamento, dentro de um total de R$ 526 mil até o momento da entrevista, com crescimento trimestre a trimestre.
Margem, custos e próximos passos
O negócio mantém uma margem estável em torno de 30% durante o ano, com picos de 42% em Manaus na alta temporada de chuvas, entre novembro e dezembro. Os custos fixos principais são energia elétrica, água e produtos de limpeza.
Para 2026, o plano estratégico contempla três focos: otimização dos custos fixos e aprimoramento dos processos, expansão da unidade em Praia do Forte que já alcançou sua capacidade máxima na última alta temporada, com projeto aprovado para adicionar mais duas máquinas, e a implantação do inovador modelo “Smart” da franqueadora. Essa nova modalidade consiste em pequenas unidades com uma única máquina, posicionadas em locais de grande circulação como supermercados e estacionamentos, eliminando a necessidade de aluguéis tradicionais.
“Assim nos aproximamos ainda mais do cliente. Mesmo com uma só máquina, conseguimos estar onde ele está”, ressalta.
A projeção para o faturamento anual é de pelo menos R$ 1,6 milhão, o que representa um crescimento aproximado de 16% em relação ao ano anterior.
Esclarecimentos sobre o modelo de franquia
Apesar do êxito do negócio, Riamy esclarece um equívoco comum sobre lavanderias self-service: não se trata de uma renda passiva, automática como um investimento financeiro. “É um empreendimento igual a qualquer outro, que exige dedicação diária. São cinco lojas funcionando 24 horas por dia.”
Ela recomenda a quem deseja investir no segmento que siga três princípios:
- Busque informações confiáveis junto a quem já atua no ramo e ostenta os melhores resultados, verificando dados públicos das maiores redes para fazer comparações conscientes;
- Adote a postura de um franqueado comprometido, não de alguém que espera assistência total da franquia. “Você tem o direito de explorar uma marca, um serviço, uma rede, mas a responsabilidade pelo sucesso do negócio é sua.”;
- Não subestime a operação. “Muitos pensam que comprar a máquina é o suficiente para o dinheiro entrar, mas é comum ver pessoas falindo por essa falta de comprometimento.”;
Para Riamy, o maior retorno do negócio vai além do financeiro: é a conquista de tempo para estar com a família e ter autonomia. “Na Defensoria, eu saía cedo, voltava para casa só no meio do dia, não almoçava com minha filha e não a levava na escola. Hoje, acordo no horário que quero, a levo e a busco na escola, e trabalho intensamente até a noite. Perseverança é o caminho para alcançar a riqueza escolhida por meio do seu próprio negócio.”



