Mercado prevê redução de 0,25 ponto percentual na Selic com comunicação cuidadosa do Copom
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgará nesta quarta-feira, 29, sua decisão sobre a taxa básica de juros. O consenso entre agentes econômicos é que haverá um corte de 0,25 ponto percentual, o que fará a Selic recuar para 14,5% ao ano.
Mais do que a própria medida, o mercado está atento à forma como o Banco Central comunicará essa decisão, valorizando a sinalização que acompanhará o anúncio.
De acordo com análise do C6 Bank, o ritmo atual de redução da taxa básica, de 25 pontos-base por vez, deve ser mantido, apesar dos desafios inflacionários em alta. O relatório destaca que a inflação tem mostrado elevação nas projeções, a economia apresenta resiliência e o mercado de trabalho ainda exerce pressão, fatores que deixam a inflação projetada acima da meta estipulada para o horizonte considerado pelo Banco Central.
O documento do C6 também enfatiza que o Copom deve adotar uma postura cautelosa na comunicação dos próximos passos da política monetária, evitando dar indicações muito definidas sobre as decisões futuras.
Já os economistas do Banco Daycoval ressaltam que a incerteza atual é um fator central para o desenho da política monetária. Eles lembram que a comunicação da reunião anterior apontou para um cenário de “aumento expressivo da incerteza”. Segundo o banco, a evolução da taxa Selic poderá incorporar novas informações, especialmente os efeitos que o conflito no Oriente Médio poderá ter sobre a inflação.
O relatório do Daycoval também identifica um recente agravamento nas expectativas sobre a inflação, com os analistas do mercado financeiro elevando suas previsões: para 2026, o índice previsto foi ajustado de 4,31% para 4,80% nas últimas quatro semanas, enquanto para o final de 2027 a expectativa é de 4%.
Perspectivas para a trajetória da Selic e pontos de atenção na comunicação do Copom
Segundo a consultoria Warren, representada pelo economista Luis Felipe Vital, o Copom deve reiterar que debateu a continuidade da calibração da taxa básica de juros. Espera-se ainda que o banco central minimize o impacto dos choques inflacionários recentes, adotando uma postura de menor reação diante de choques de oferta temporários, prática conhecida como look through.
Vital destaca que o Comitê deve manifestar preocupação com a desancoragem das expectativas, especialmente em horizontes mais longos, o que demandaria manter juros restritivos durante um período prolongado.
Além disso, a expectativa é que haja uma atualização do trecho do comunicado que trata do balanço de riscos, refletindo as recentes mudanças no cenário econômico. Contudo, o Banco Central não deve fornecer uma sinalização clara sobre os próximos passos da política monetária, evitando o uso explícito do chamado forward guidance.
Os analistas permanecem atentos ao comunicado para perceber nuances que possam indicar a direção futura da política econômica, diante do quadro de incertezas e pressões inflacionárias.



