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Mapa De Risco: Voto É Emoção E Transferência De Desgaste

Mapa De Risco: Voto É Emoção E Transferência De Desgaste

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Mapa de Risco: voto é emoção e governo tenta transferir desgaste para outros poderes

A corrida eleitoral de 2026 tem se configurado mais pela capacidade dos grupos políticos em interpretar as frustrações dos eleitores do que pela apresentação de programas concretos. No centro dessa dinâmica está a emoção do eleitor, que se mostra um elemento fundamental e menos palpável na hora do voto.

Segundo Creomar de Sousa, CEO da Dharma e professor da Fundação Dom Cabral, o eleitor é essencialmente um ser movido por sentimentos que emergem das pequenas vitórias e frustrações do dia a dia. Essa perspectiva explica a tendência do debate político de se transformar rapidamente em narrativas simples, que conectam as experiências cotidianas do eleitor a agentes identificáveis, mesmo que essa conexão não seja diretamente causal.

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Creomar explica que o eleitor costuma buscar em quem está no poder a causa de suas condições de vida, estabelecendo um nexo entre os governantes e a facilidade ou dificuldade de seu cotidiano.

Atribuição de Culpa na Disputa Eleitoral

Esse mecanismo de atribuição de responsabilidade influencia diretamente as estratégias usadas nas eleições. Nos pleitos de 2018 e 2022, os candidatos que conseguiram direcionar a insatisfação do eleitor para adversários específicos foram os que obtiveram melhor desempenho.

Para 2026, o desafio do atual presidente Lula será convencer que eventuais dificuldades enfrentadas pela população decorrem da obstrução por parte das outras esferas do poder, em especial o Congresso e o Judiciário. Essa tática é essencial em um momento em que o governo perde força na articulação política e vê sua agenda travada no Legislativo.

Uso da Narrativa para Deslocar Responsabilidades

A reorganização da narrativa política envolve um fenômeno recorrente na política brasileira: a terceirização da responsabilidade. Isso significa que o governo busca transferir o desgaste para o Legislativo ou o Judiciário, tentando desviar as críticas que incidem sobre si.

Essa estratégia demonstra maior importância quando se considera que, apesar de indicadores de aprovação ainda apresentarem resultados relativamente positivos, o governo já sente uma certa estabilidade e desgaste.

Além disso, o governo encara o desafio de seu próprio passado, já que investigações recentes, como as envolvendo o Banco Master, ressuscitam questões antigas que dificultam a construção de uma narrativa limpa e eficaz. Assim, qualquer solução ou resposta depende em parte da atuação do Judiciário.

Equilíbrio Entre Emocional e Econômico

Embora o discurso e a disputa de narrativas estejam em evidência, o governo aposta que o fator econômico continuará sendo decisivo para o eleitor médio. Estratégias envolvendo a ampliação do crédito, renegociação de dívidas e propostas que impactem diretamente a renda da população permanecem como ferramentas para reconquistar popularidade.

Se a percepção de melhoria no dia a dia evoluir, a necessidade de encontrar justificativas políticas tendem a diminuir. Caso contrário, o confronto narrativo terá ainda mais relevância.

Assim, a eleição deve ser definida pela capacidade dos lados em traduzir uma insatisfação geral em uma direção política concreta e clara. Como resume Creomar, a disputa não se limita àqueles que detêm o poder, mas àqueles que conseguem convencer o eleitor sobre as razões por que a sua realidade é da forma que é.

O programa Mapa de Risco, do InfoMoney, é veiculado todas as sextas-feiras a partir das 5h da manhã no YouTube e nas plataformas de podcast.

Fonte

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