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O efeito dos medicamentos para emagrecer no setor de vestidos de noiva

Comercializar vestidos de noiva sempre foi uma atividade cheia de desafios. Atualmente, o surgimento de remédios para perda de peso tornou o processo de ajustar os vestidos para as noivas ainda mais complicado às vésperas do casamento.

Quando Nicole Hamilton escolheu o vestido de corte estilo “A” — que é ajustado na parte superior e vai se abrindo a partir da cintura — para sua cerimônia, ela solicitou uma cintura cerca de 7,5 cm menor que suas medidas atuais. Nicole, que trabalha como designer de produto em Nova York, perdeu aproximadamente 23 kg nos últimos anos graças ao uso de medicamentos para emagrecimento, incluindo cerca de 7 kg desde que seu noivo a pediu em casamento no ano passado. Ela pretende perder mais peso até a data do casamento. Porém, ao comprar seu vestido, teve que assinar um termo legal declarando que o vestido ainda não servia perfeitamente, um reflexo da dificuldade em prever mudanças corporais rápidas causadas por esses remédios.

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O mercado de vestidos de noiva, que já era considerado de alto risco, ficou ainda mais desafiador com o uso crescente de medicamentos da classe GLP-1 — como a semaglutida presente em remédios como Ozempic e Wegovy, e a tirzepatida encontrada em tratamentos como Mounjaro e Zepbound. Esses fármacos têm promovido transformações corporais significativas e velozes, o que impede muitas noivas de confirmarem o ajuste final de seus vestidos até pouco tempo antes do casamento. Como consequência, as lojas especializadas precisam manter um estoque maior para acomodar variações repentinas no peso das clientes, enquanto os fabricantes enfrentam demandas de produção aceleradas e ajustes feitos às pressas.

Por cerca de 20 anos, Natalie Harris, proprietária do ateliê Renegade Bridal & Dye Lab, em Houston, conseguia prever mudanças moderadas no corpo das noivas antes de seus casamentos — normalmente de 2 a 4,5 kg. Porém, diante do efeito dos novos medicamentos para emagrecimento, essa previsão se mostrou muito mais difícil.

“Muitas noivas, que antes tinham o formato ‘maçã’, agora apresentam uma cintura dramaticamente menor, algo nunca visto antes”, comentou Harris.

Adaptações no mercado

Para lidar com essa nova realidade, Harris orienta que as noivas que fazem uso de medicamentos GLP-1 optem por vestidos com modelagens mais flexíveis, preferindo estruturas com costas ajustáveis por amarrações, ao invés de zíperes rígidos. Ela indica especialmente modelos que se abrem na cintura, ajudando a camuflar eventuais variações de peso.

Seu prazo padrão para confeccionar o vestido, desde o primeiro encontro até a entrega, é de três a quatro meses. Porém, atualmente, Harris recebe diariamente pedidos com urgência, que ela tenta atender sempre que possível. Já solicitações de devolução do vestido são recusadas, pois manter estoques elevados não é financeiramente viável. “Essa realidade é um desafio para o negócio e conflita com minha vontade de ajudar noivas a encontrar o vestido perfeito”, explicou.

De acordo com uma pesquisa realizada com mais de 11.500 casais pela plataforma de planejamento de casamentos Zola, cerca de 10% dos noivos que estão organizando seus casamentos este ano fazem uso desses medicamentos para emagrecimento. A principal motivação para começar o tratamento foi justamente a proximidade do casamento, em mais da metade dos casos.

O preço médio de um vestido de noiva gira em torno de US$ 2.250, podendo chegar a US$ 10.000 ou mais para modelos de grife, segundo dados da Zola. Embora a procura pelo vestido ideal possa ter se tornado menos demorada para algumas noivas, as clientes que investem altos valores exigem precisão absoluta nos ajustes. Para os profissionais que executam modificações de última hora em tecidos delicados como renda, seda e tule, isso virou uma verdadeira corrida contra o tempo.

Na maior varejista do país, a David’s Bridal, a CEO Kelly Cook observou um aumento no número de noivas que iniciam a compra do vestido apenas cerca de 45 dias antes da cerimônia — uma redução em relação ao prazo tradicional de cinco a seis meses. Ela revelou que os pedidos com prazo de entrega apertado, realizados até quatro semanas antes do casamento, cresceram 50% em dois anos. Para atender a essa demanda, a empresa paga horas extras aos seus mais de 3.000 especialistas em ajustes.

O designer Abhi Madan, responsável pela marca Amarra, que fornece vestidos entre US$ 1.500 e US$ 3.000 para boutiques especializadas, afirma que os varejistas precisam ser muito mais flexíveis e estar dispostos a correr riscos maiores com estoque para atender a essa nova tendência de compras de última hora. “Estamos mudando uma indústria que sempre trabalhou com prazos de seis a nove meses”, destacou.

Wendy Ianieri-Salerno, co-proprietária da loja Darianna Bridal & Tuxedo em Warrington, Pensilvânia, relatou ter visto noivas perderem tanto peso a ponto de os ajustes não serem mais suficientes, levando à necessidade de compra de vestidos novos. Apesar do receio de avaliações negativas ou devoluções, ela acabou aceitando algumas trocas para garantir um bom atendimento.

Mudanças também no vestuário dos noivos

Ianieri-Salerno também apontou que os noivos estão emagrecendo antes do casamento, mas para eles o ajuste de smokings e ternos é mais simples, pois basta trocar o tamanho nas roupas de aluguel, diferente da complexidade dos vestidos de noiva.

Para se protegerem de responsabilidades em relação às alterações corporais inesperadas, algumas lojas de vestidos exigem que as noivas assinem termos de isenção, como aconteceu com Nicole Hamilton ao comprar seu vestido bordado à mão em um pequeno ateliê em Manhattan. Embora esses termos já existissem antes, o uso dos medicamentos GLP-1 tornou a situação mais delicada, pois há relatos de usuários que perdem um tamanho de roupa a cada duas ou três semanas.

Nicole explicou que a perda de medidas foi motivada principalmente pelo desejo de ser mais saudável. Embora essa situação tenha tornado a aquisição do vestido mais estressante, o entusiasmo pela experiência permaneceu intacto. “A questão do tamanho deixou tudo mais tenso do que o normal, mas, no geral, eu gostei bastante”, disse.

Escreva para Jennifer Williams: jennifer.williams@wsj.com

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